quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

De pequenino se ouve o violino… (2010-10-21)


Realizaram-se nos passados dias 11, 13 e 15 de Outubro três concertos pela Orquestra Académica Metropolitana, em três escolas secundárias regionais, Antero de Quental (Ponta Delgada), Manuel de Arriaga (Horta) e Tomás Borba (Angra do Heroísmo). A grande particularidade deste evento, além da excelente iniciativa de levar música às escolas pela Direcção Regional da Cultura, integrado na programação da Temporada de Música 2010, é o facto de estes concertos serem comentados.
Sob a direcção do maestro Jean-Marc Burfin, foram interpretadas várias obras de dois autores europeus, no âmbito do que vulgarmente intitulamos de “música clássica”, geralmente de origem ocidental. Paralelamente existiam os comentários pelo maestro César Viana, permitindo assim aos jovens um contacto directo com este género de música, apoiado por explicações variadas, funcionando ao mesmo tempo como um forte contributo para o eterno problema da formação de novos públicos.
Geralmente quando nos confrontamos com este tipo de música pelas primeiras vezes, e pelo facto de não existir o hábito da sua audição, estranhamos, mesmo que a consideremos bela, angelical e etérea. Quando não estamos confortáveis com algo, por não dominarmos a sua essência, somos obrigados a tentar perceber o que se passa – o que obriga a um maior esforço para compreender, exercitando assim o cérebro, algo muito positivo, numa época subjugada pelo facilitismo da televisão e restantes media.
Reside de facto aí o grande valor desta iniciativa, providenciando uma experiência talvez mais importante do que os próprios jovens se possam aperceber no momento.
Também é de destacar o papel desta Orquestra Académica Metropolitana, eixo central de formação de jovens músicos portugueses, que mantém uma grande actividade, como é exemplo o facto de na temporada passada ter apresentado dez concertos com quatro programas diferentes.
Paralelamente aos concertos comentados, a descentralização musical e a interligação com outros projectos culturais tem sido ferramentas muito utilizadas em Portugal, e bem, com vista à captação de novos públicos, amantes e praticantes, com um merecido destaque dirigido à Orquestra Metropolitana de Lisboa, responsável por assegurar a programação regular em cerca de 15 autarquias de todo o país.
Por fim, realce à excelente programação da Temporada de Música 2010, com um verdadeiro sentido de descentralização, servindo mesmo de exemplo a outras áreas de gestão na região. Continua a ser um evento de projecção nacional, mas servindo essencialmente pela apresentação de artistas que de outra formam não viriam aos Açores.
Só tenho pena de a deslocação entre Terceira e São Miguel não ser mais fácil, como um Lisboa – Coimbra, pois não perderia certamente o espectáculo de Olga Roriz, no próximo dia 23 de Outubro, pelas 21h30, no Teatro Micaelense. A não perder!

Sem comentários:

Enviar um comentário