segunda-feira, 17 de abril de 2017

The Help - uma história emocinante

The Help (2011)

Filme realizado por Tate Taylor e baseado no livro homónimo de Kathryn Stockett, é mais um exercício sobre o racismo vivido nos Estados Unidos da América na década de 1960. A história passa-se em Jackson, no estado de Mississippi, em plena época do conhecido movimento dos direitos cívicos neste país.

A temática recai sobre as empregadas domésticas de origem africana, na sua relação com as "patroas" e uma história sobre uma jovem "caucasiana" que pretende ser jornalista, que acaba por editar e publicar o livro que dá origem ao filme...

Conta com um elenco poderoso, principalmente no que diz respeito a atrizes femininas, como Emma Stone, Viola Davis, Bryce Dallas Howard, Jessica Chastain ou Sissy Spacek - que conquistou para o filme o prémio para melhor elenco em cinema no Screen Actors Guild Awards. Destaque maior ainda para Octavia Spencer, que acabou mesmo por ganhar vários prémios como melhor atriz secundária, assim como o prestigiante Óscar.

É um excelente filme, mesmo podendo ser criticáveis alguns clichés sobre o estereótipo de homem e mulher afro-americanos...




sexta-feira, 7 de abril de 2017

Pelo Tempo: "Jornalismo Cultural?" (Agosto de 2011)

Podemos generalizar que, em jornalismo, a crítica cumpre uma função de comentário sobre um determinado tema, geralmente sobre a esfera artística, tendo por objetivo informar o leitor não só da existência ou ocorrência do evento, mas também fazendo uma avaliação sobre esse momento.
Em meios de grande impacto da economia da cultura, como grandes cidades produtoras, podem os críticos ser o início ou o fim da carreira de um artista, com o poder das suas palavras. 
Os críticos de arte geralmente criticam os trabalhos num contexto de estética e da teoria da beleza, sendo um dos seus objetivos principais a perseguição de uma base racional para a apreciação da arte em geral.
Já no distante ano de 2005, realizou-se um colóquio sobre jornalismo cultural na ilha Terceira, intitulado “A Cultura Depois da Notícia”, numa iniciativa da Casa da Cultura da Terceira e do IAC (Instituto Açoriano da Cultura), no Palacete Silveira e Paulo, sob a égide da Direção Regional da Cultura. Contou com os convidados José Manuel Rodrigues e Luciana Leiderfarb, duas individualidades com muito para partilhar nas lides do jornalismo cultural, ao que atenderam vários profissionais da comunicação social, numa lógica da promoção da discussão pública em domínios diversos da atividade criativa com impacto social.
Infelizmente, a questão que motivou a realização deste colóquio continua atual, nomeadamente, a constatação de que não existe uma cobertura justa dos imensos eventos de cariz cultural que acontecem na região, ou mais especificamente, na Terceira e em São Miguel.
Se existe de facto uma boa divulgação, que provavelmente depende mais dos promotores dos eventos do que da comunicação social per si, assim como consegue existir alguns episódios de notícia sobre o evento decorrido, raramente acontece com uma perspetiva de jornalismo cultural ou crítica artística.
Não podemos exigir aos nossos órgãos de comunicação social, principalmente com as grandes dificuldades que passam, que tenham nos seus quadros jornalistas especializados e qualificados nesta área em particular. Mas pode e deve haver uma discussão pública sobre o assunto, uma estratégia que leve à correção desta lacuna, e mesmo um espírito de missão com uma lógica de formação de profissionais também neste sentido, e não apenas com esta especialidade.
O evento cultural, e aliás, todo o processo criativo, depende também da boa cobertura jornalística, quer com a componente de divulgação, valorização do trabalho, e discussão da sua importância social.
Torna-se necessário aqui um pequeno parêntesis, pois a área cultural sofre muito do seguinte problema: todos julgam que percebem de arte e de cultura! Mas a arte e cultura não são só entretenimento, esse sim de cariz popular e destinado a divertir, socializar e envolver as pessoas. Como todas as áreas profissionais do mundo, exige muito conhecimento, formação, experimentação e, acima de tudo, contacto com os profissionais, os artistas e o seu trabalho.
Assim, não se pode obrigar a um jornalista, credenciado ou estagiário, que vá assistir a uma peça de dança contemporânea e consiga escrever um texto quase de caráter ensaísta, ou pelo menos, com conteúdo crítico, pois não tem conhecimento sobre o que ali se passou: não está habituado a ver espetáculos de dança; não conhece o coreógrafo nem os bailarinos, e provavelmente nem terá muita vontade de ir assistir ao evento…
Deve-se dar início a um hábito de assistência aos eventos da nossa ilha e região, começando a perceber o mundo específico das artes, talvez com algum estagiário, como referido acima, desenvolvendo conhecimento e apetite pela discussão.
Poderá também, se necessário, recorrer-se ao apoio das entidades competentes, numa saudável parceria com a sociedade civil e órgãos de comunicação social, não esquecendo as redes sociais e os blogues, talvez os principais produtores do que se poderá chamar uma crítica cultural atualmente nos Açores. Mais recentemente tem aparecido alguns textos com muita qualidade em alguns jornais da região, principalmente em São Miguel, inserido talvez na crescente dinâmica cultural tem atingido em Ponta Delgada nos últimos 10 anos.
Não é fácil definir “jornalismo cultural”, mesmo em termos académicos e discussão entre profissionais raramente se chegarão a conclusões fortes, embora existam algumas tendências e percursos a destacar nos principais órgãos de comunicação social.
A televisão domina em todas as áreas, com um efeito devastador para a imprensa, geralmente mais minuciosa nesta área de intervenção e sem hipóteses de concorrência ao nível do impacto da publicidade. Mesmo assim podemos destacar alguns casos da imprensa escrita, como os suplementos “Y” e “Mil Folhas” do jornal Público, ou o “DNA” do Diário de Notícias, entre outros. A principal referência nacional vai obviamente para o Jornal de Letras, resistindo desde 1981 como o único jornal exclusivo ao tema da cultura, embora a sua qualidade seja exceção, pois assiste-se genericamente a uma aproximação crescente entre puro jornalismo cultural (informação e opinião) com a promoção do evento em questão.
A lógica dos “press-releases” (ou comunicados de imprensa) comanda a lógica atual da informação cultural, encontrando-se os órgãos de comunicação social subordinados à agenda de eventos e às indústrias culturais, numa clara atitude de divulgação – o que não é mau, mas está longe de ideal.
Nos Açores existe apenas um jornal também exclusivamente dedicado à cultura, o Feedback 100%, mas gostaria de destacar, numa perspetiva mais específica do mundo das artes, a revista Fazendo (Associação Cultural Fazendo, Horta) e a fanzine TRANSFORM│AR.TE (Associação Cultural Burra de Milho, Angra do Heroísmo).
Queria para concluir, voltar a referir a importância dos blogues neste movimento de discussão artística e desenvolvimento social, assim como fazer as obrigatórias referências históricas e institucionais à Revista Atlântida (Instituto Açoriano de Cultura) e aos Boletins do Instituto Cultural de Ponta Delgada e Núcleo Cultural da Horta.

Miguel Rosa Costa
http://aviventar.blogspot.pt/


quarta-feira, 29 de março de 2017

Lamb (Barlow and Rhodes)

Lamb - Fear of Fours (1999)

Mesmo sendo os Lamb uma banda de referência da cena musical eletrónica da Inglaterra do trip-hop e drum & bass, nunca conheceram grande sucesso financeiro e popular. Este foi o seu álbum com mais sucesso a nível de vendas e de visibilidade, chegando mesmo aos TOP 40 dos EUA e Reino Unido (1999).

Esta dupla vem da cena de Manchester, com Andy Barlow (música e mistura) e Lou Rhodes (voz), conhecidas personalidade da cena eletrónica, e que curiosamente tem uma extrema popularidade em Portugal, muito maior do que no resto da Europa (fazendo lembrar os fenómenos dEUS e Sigur Rós), e isto principalmente pelos êxitos "Gorecki" e "Gabriel".

Paralelamente ambos os criadores tem passado por projetos individuais, alguns de bastante sucesso, como o caso da carreira de Lou Rhodes a solo, com algumas nomeações e prémios internacionais, e tendo lançado um álbum juntos após anos de interrupção em 2014 (Backspace Unwind).

Brutais e Seminais!







quinta-feira, 2 de março de 2017

Juno - Um clássico alternativo...

Juno (2007)

Divertido filme de Jason Reitman, que ganhou o Óscar de Melhor Argumento em 2007, que se desenrola-se em torno da temática da gravidez na adolescência, neste caso, de uma jovem de 16 anos (Ellen Page) que engravida de um colega de liceu (Michael Cera) e decide ter o bebé - contando para o efeito com a ajuda da família e amigos, e com vista a entregar a criança para adoção.

Tem a feliz particularidade de ter tido um custo de 7,5 milhões de dólares, e de ter atingido um lucro de 230 milhões de dólares, partindo nitidamente do "low cost" para o "high profit"... Foi de facto um sucesso nas bilheteiras, na opinião pública em geral e na crítica em particular, o que lhe levou a várias nomeações e conquistas de prémios da indústria.

E mais! A banda sonora é fantástica, contando com a participação de vários artistas, como os Belle & Sebastian, Cat Power, Sonic Youth, The Velvet Underground, e acima de tudo Kimya Dawson, pelo ambiente criado para o álbum. Atingiu inclusive o número 1 em algumas listas, como o caso da norte-americana Billboard.

Um clássico alternativo...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Pelo Tempo: "Indústrias Culturais e Criativas" (2015-05-30)


- A discussão em torno das indústrias culturais e criativas começa agora a estar mais acesa nos Açores. No entanto, a aposta neste setor – também económico! – é ainda bastante residual. O que é que falta, na sua opinião, para que haja nos Açores um efetivo desenvolvimento destas indústrias?

Num conceito atual de Indústrias Culturais e Criativas (ICC), temos uma combinação de situações, onde a criatividade é condição nuclear para o negócio, sendo no entanto a sua origem cada vez mais vocacionada para a inovação, competências e talento individual, potenciando assim a criação de trabalho e riqueza, numa época tão complexa e de crise como os dias de hoje, valorizando a propriedade intelectual. Partindo dessa definição objetiva e simplista, sempre houve na região vários exemplos de ICC de sucesso, como editoras, galerias de arte ou ateliês de arquitetura. Na minha opinião, o que se passa atualmente na região é essas empresas não conseguem obter valorização por parte da sociedade, tendo grandes dificuldades para se imporem. É observável uma falta de experiência profissional, pois trata-se de um setor em que os profissionais são muito jovens e recentemente licenciados. Por outro lado é notória a falta de conhecimento em questões de gestão financeira e estratégica de comunicação – talvez os aspetos fundamentais a trabalhar atualmente.

- Será, aliás, realista pensar na criação de um setor de indústrias culturais e criativas nos Açores? As dificuldades decorrentes da insularidade podem dificultar este processo?

Como referi, o setor já existe, e fortemente influenciado pela insularidade, como toda a nossa sociedade – ou até se calhar menos, pois estamos a falar de uma área com uma forte componente tecnológica, estando atualmente o mundo todo ligado. O problema da distância talvez se observe mais no facto de não se poder reunir pessoalmente com alguns clientes ou parceiros. Por outro lado, num hipotético projeto em rede ao nível regional, são várias as experiências que demonstram que tal ainda não é possível, pois as ilhas ainda estão muito viradas para dentro. Ainda numa terceira perspetiva, e assumindo as dificuldades decorrentes desta nossa localização e distribuição geográfica, é de salientar o papel das autarquias, pois poderão potenciar muitos projetos a nível local, e mesmo de cariz intermunicipal.


- Qual tem sido o papel dos agentes culturais da Região no sentido de clarificar este conceito e de impulsionar o desenvolvimento deste setor?

Nos últimos anos muitos projetos que provavelmente seriam catalogados de “apenas artísticos”, embarcaram em aventuras empresariais, passando assim a estarem claramente englobados neste setor económico das ICC. Não existe aqui problema nenhum, aliás, quanto mais criativo e original, melhor correrá o projeto, e mais forte será a sua identidade. Na região o papel dos agentes culturais tem sido então muito importante, pois é um setor com sensibilidade para estas questões, e acaba muitas vezes por ser o principal cliente e parceiro dos profissionais da área. Não existindo quem faça uma mediação entre o trabalho artístico e um projeto de gestão, acabamos muita vez por sentir necessidade de ter um certo papel de consultoria e apoio a muitos jovens que nos procuram.


- As instituições e o Estado tiveram e têm, no continente, um papel central na dinamização das indústrias culturais. Qual terá de ser, nos Açores, a estratégia a adotar? Universidade e Governo Regional serão dois pilares essenciais neste domínio?

Acho que sim. Mesmo abordando um setor onde a iniciativa privada e o empreendedorismo são as palavras-chave, acredito que pode existir espaço para uma entidade, de cariz associativo (privado ou público), que sirva de complemento às atividades de gestão e comunicação das várias ICC, agindo como uma plataforma de informação legislativa, divulgação de atividades, apoio técnico e mesmo representatividade. Além do Governo e da Universidade, devemos acrescentar um conjunto alargado de agentes culturais, câmaras do comércio e indústria e as autarquias, principalmente se inserirmos na discussão a importância das incubadoras de ICC, como serve a região Norte do país de bom exemplo.

Nota: Entrevista ao Diário Insular, 2015-05-30



terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Portuguese Fusion

Wraygunn - Ecclesiastes 1.11 (2004)

Rock e Soul da sempre inspirada e acelerada cabeça de Paulo Furtado, é o resumo deste álbum, chegando mesmo a abrir as portas fora de Portugal à banda de Coimbra. Excêntrico q.b., pode mesmo ser o trabalho que define a imagem de marca deste projeto.

A fusão do blues, gospel, rock e soul, todos de base americana, são complementados ainda com o hip hop ou funk, resumindo o som desta criativa banda portuguesa.

Este foi o terceiro dos cinco álbuns da banda, que conta ainda com a colaboração de Raquel Ralha, Selma Uamusse, Sérgio Cardoso, Francisco Correia, Pedro Pinto e João Doce.