quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Ensaio e Criatividade - "A Fábrica de Nada"

A Fábrica de Nada (2017)

Grande filme de Pedro Pinho, numa pesada experiência sobre a profundidade das emoções e dos dilemas do dia-a-dia de um conjunto de portugueses, bastante criativo e reflexivo, talvez pecando apenas por ser um pouco longo, mas a essência está lá...

Ao abordar a história de um grupo de operários fabris que não têm outra solução senão embarcarem numa solução de auto-gestão da sua fábrica devido a abandono pelos patrões, Pedro Pinho, que se baseia numa história real passada numa fábrica de elevadores OTIS em Portugal, logo após o 25 de Abril de 1974, vai pegar numa ideia de Jorge Silva Melo e criar um filme-ensaio sobre a crise e como a humanidade lida com ela, ao mais pequeno nível...

O filme tem tido críticas mistas, mas são de realçar os prémios já recebidos, em Cannes (Prémio da Federação Internacional de Críticos de Cinema) e em Munique (Prémio CineVision de Melhor Novo Filme), assim como a indicação para o Prémio Espírito da Liberdade no Festival de Jerusalém.

A ver!


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Um Dia Feliz...

Lançamento do meu livro "Políticas Culturais nos Açores", numa edição da Associação Cultural Burra de Milho, realizada no Auditório do Museu de Angra do Heroísmo, no passado dia 2 de Dezembro.

Obrigado a todos, os que tornaram possível, os que tiveram presentes, e aos do costume.





sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Pelo Tempo: "Júlio Resende Afinal Não Morreu" (Setembro de 2011)

Tal pena ter sido este o motivo para escrever sobre tão brilhante e completo artista, um dos que ficará para a história da arte em Portugal – a morte de Júlio Resende. Como é óbvio, e reforçado pelo título, o seu trabalho perdurará, quer em acervos de muitos institutos e coleções, quer pelos vários exemplos de arte pública de grande qualidade e inovação que criou.
Nasceu no início do século XX, em 1917, no Porto, tendo-se diplomado em pintura em 1945, pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto, e partindo depois em 1948 para Paris e Madrid, onde continuou a sua formação enquanto bolseiro do Instituto para a Alta Cultura.
Trabalhou ainda como ilustrador em jornais, e realizou a sua primeira exposição em 1946, em Lisboa. Em 1951, ainda radicado no Porto, ganha o prémio especial na Bienal de São Paulo (Brasil).
Começa depois a expor por vários países, sendo o tema dominante dos seus trabalhos a gente do mar, influência da sua região de origem. Está presente em Espanha, Bélgica, Noruega e Brasil, representando Portugal em várias ocasiões, nas Bienais de Veneza, Londres ou Paris.
Foi professor do ensino secundário, e na década de 1960 enveredou por projetos de arquitetura e de decoração, levando-o a trabalhar em painéis, que o viriam agora a imortalizar.
Podem se destacar os dois painéis do Hospital de São João e um conjunto de painéis no Instituto Português de Oncologia do Porto. Em Lisboa, o destaque vai seguramente para os painéis da estação de metro de Sete Rios.
Mas foi o gigantesco painel de azulejos intitulado “Ribeira Negra”, junto à saída do tabuleiro inferior da Ponte D. Luís I, no seu Porto natal, que se tornou o trabalho mais reconhecido, sendo considerado por muitos como o melhor painel cerâmico contemporâneo português.
Tem sido muitas as manifestações de pesar, e serão certamente várias as homenagens que justamente se preparam, desde os mais altos representantes do estado, como o prudente Secretário de Estado da Cultura, a vários artistas e amigos de todas as áreas.
Em 1993 criou-se a Fundação Júlio Resende – Lugar do Desenho, claro está, na cidade do Porto. Contém um espólio de cerca de dois mil desenhos do artista, onde, para além de exposições, se realizam concertos, conferências, seminários e workshops em vários domínios. A sua lógica é multidisciplinar, promovendo o diálogo entre várias áreas das artes.
Esperemos que seja uma continuação da vontade de ensinar e partilhar de Júlio Resende, dando lugar permanente à experimentação e estimulação dos jovens artistas portugueses.
Miguel Rosa Costa

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Thievery Corporation - Música "Mundial"

Thievery Corporation - The Mirror Conspiracy (2000)

The Mirror Conspiracy foi o segundo álbum dos Thievery Corporation, duo composto por Rob Garza e Eric Hilton, originários de Washington D.C. (EUA). É um álbum fantástico e que os catapultou para o reconhecimento internacional, sobretudo pela utilização das músicas "Lebanese Blonde" e "Indra" nos filmes Garden State e Vanilla Sky, respetivamente.

Até hoje continua a ser o seu disco mais vendido nos EUA, embora sejam reconhecidos por todo o mundo, com destaque para a cena downtempo e chillout europeia, devido principalmente ao seu estilo musical muito variado, com elementos desde a bossa nova ao jazz, passando pelo dub, reggae e hip hop.

Além do seu som culturalmente transversal, é de realçar o seu papel no ativismo político na última década, onde se destaca o seu trabalho na luta contra a fome mundial, ou ainda a participação em grupos de oposição à Guerra do Iraque.