A Associação Cultural Burra de Milho estreia no próximo dia 18 de Janeiro de 2020, pelas 18h00, na Recreio dos Artistas, o documentário "Esse Mundo Fora do Mundo", que conta com o apoio do Governo dos Açores e da Azores Airlines, assim como a parceria do Cineclube da Ilha Terceira.
Este filme teve origem num projeto de divulgação do cinema açoriano pelas comunidades emigradas (“Amostram´isse”) que decorreu entre 2013 e 2018, e mais especificamente pela passagem nessa região dos Estados Unidos, onde pudemos constatar toda a paixão e dedicação de algumas pessoas e entidades em relação a Portugal e aos Açores, às suas memórias, cultura e identidade.
Aborda a perspetiva de alguns elementos da comunidade emigrante portuguesa da Nova Inglaterra, maioritariamente açoriana, através de um discurso direto, onde se pretendeu captar um momento na vida e história deste grupo de pessoas.
terça-feira, 14 de janeiro de 2020
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
Pelo Tempo: "Que Música nos Deu 2011" (Janeiro de 2012)
(…) Assim, a haver um álbum do ano, só poderia ser “Let England Shake”, de PJ Harvey, sendo referenciado em quase todos as listas dos órgãos de comunicação social da área, e em alguns deles como número um. Polly Jean arrasou de novo, mostrando um coração enorme, sempre com uma atitude lutadora.
Estatisticamente, o álbum que apresento em 2º ficou realmente em 3º, mas gosto mais! Trata-se do disco homónimo dos Bon Iver, para mim o seu melhor trabalho até agora: angelical, fácil de entender e com letras para ouvir várias vezes…
E agora, em 3º, o 2º classificado: “21”, de Adele. Poderoso disco, de grande impacto comercial, acabando de vez com as comparações iniciais a Amy Winehouse. Som profundo, num piano pesado e sofredor.
A seguir, destaque para o segundo álbum dos tUnE-yArDs, “w h o ki l l”, banda e disco com nomes estilizados, que antecipam a intensidade e criatividade do projeto, misturando folk, funk, afro-pop e rock, apoiados na poderosa voz de Merrill Garbus. Gostei, mas tenho que ouvir mais.
No trabalho de St. Vincent, “Strange Mercy”, vem ao de cima toda a poética e criatividade de Annie Clark, onde com uma bela voz e uma melodia quase inocente, nos conta pesadas histórias de amor, dor e confusão.
Em sexto lugar, temos uma espécie de estreia, embora seja o segundo álbum, e ambos lançados pelos próprios: “House of Balloons”, dos The Weeknd. A vogal que parece faltar já tinha mexido comigo antes, instigando-me curiosidade. O seu som parece uma mistura antiga, com técnica futurista…Difícil parar de ouvir. Também tenho que explorar mais.
Por oposição a álbuns de estreia, seguem-se dois consagrados nomes: Jay-Z e Kanye West, que poucos meses depois de editarem magníficos trabalhos em nome individual (sendo o 2º, para mim, o disco do ano em 2010), juntaram-se em “Watch the Throne”, numa já habitual atmosfera de crítica social, política e económica. Parece feito “às três pancadas”, mas quando se juntam estes dois o resultado apenas pode ser fenomenal!
Em oitavo, nova presença norte-americana, com o aparentemente desatualizado som folk-rock dos Fleet Foxes, com o álbum “Helplessness”. Poderosa harmonia que consegue identificar esta banda com o som independente americano. A ouvir melhor.
A próxima referência, “Black Up”, do projeto Shabazz Palaces, encontra-se no submundo do hip-hop experimental, com fortes influências de jazz e eletrónica, mas editado por uma editora de bandas independentes… Só mesmo ouvindo e percebendo o que estou a descrever.
A acabar uma pseudo-lista de álbuns para 2011, fica a deliciosa referência ao trabalho “David Comes to Life”, dos revivalistas punk canadianos Fucked Up, apresentando-nos um disco duplo conceptual de 80 minutos, retratando a vida de um operário fabril chamado David numa verdadeira opera rock. Pesado e longo, mas marcante.
Resta-me referir, a título mais pessoal, os álbuns dos Destroyer (“Kaputt”), dos Wild Flag (“Wild Flag”) e de Kurt Ville (“Smoke Ring For My Halo”), e acima de tudo, o novo trabalho de Stephen Malkmus, sem o brilho dos magníficos Pavement que liderou nos anos 90, mas é sempre bom ver alguém que admiramos gravar novo álbum, e com a qualidade desejada, como é o caso deste “Mirror Traffic”.
Em jeito de conclusão, e em comparação com artigo do mesmo género que escrevi o ano passado, pode observar-se uma maior aproximação a um som mais mainstream, mais comercial, por parte da crítica musical. Pode também ser um sinal dos tempos, com anos mais experimentalistas do que outros. (...)
PS. Todos os anos me divertia imenso a fazer estas listas, mas cada vez me encontro mais assoberbado com os inúmeros novos projetos que saem, revisitações a clássicos pouco explorados e descobertas constantes à base de muitos amigos musicais… “No more” listas.
quinta-feira, 22 de agosto de 2019
GusGus - o efeito eletrónico
GusGus - Polydistortion (1997)
Este é o segundo álbum do coletivo islandês GusGus, o primeiro editado pela prestigiada editora 4AD.
Este inovador som eletrónico acabou por atingir os 150 mil exemplares vendidos em todo o mundo, número interessante e exemplificativo do impacto que o disco teve pela sua novidade e frescura, num misto de techno e house, mas sob um registo de base no trip hop, bastante eclético.
Com um verdadeiro espírito de coletivo, inicialmente também com pretensões cinematográficas, acabaram por se dedicarem por exclusivo à música.
Já gravaram 10 álbuns, e contaram com a participação de mais de duas dezenas de elementos, embora desde o início os mentores têm sido Birgir Þórarinsson e Daníel Ágúst Haraldsson.
Já gravaram 10 álbuns, e contaram com a participação de mais de duas dezenas de elementos, embora desde o início os mentores têm sido Birgir Þórarinsson e Daníel Ágúst Haraldsson.
Obrigatório numa discografia eletrónica.
quarta-feira, 29 de maio de 2019
História Com Contexto
Yuval Noah Harari - Sapiens: uma Breve História da Humanidade (2011)
"O Homo Sapiens domina o mundo porque é o único animal que consegue acreditar em coisas que apenas existem na sua imaginação, como deuses, estados, dinheiro e direitos humanos."
Brutal, verdade, já se sabe - mas neste livro do magnífico (e viral) Yuval Noah Harari, essa visão está tão bem contextualizada, numa lógica da macro-história, que de facto parece ser a única possibilidade académica de abordar a história do mundo hoje em dia...
Fundamental.
PS. a ler o segundo da trilogia...
terça-feira, 2 de abril de 2019
Duro, Duro... - "El Club"
El Club (2015)
Filme chileno de Pablo Larraín (realizador de No, Neruda e Jackie), é um intenso drama que se centra-se num grupo de padres transgressores, "escondidos" em constante penitências numa casa numa distante vila chilena à beira-mar, onde se encontram sob a guarda (conivente) de uma mulher religiosa.
Foram todos afastados pela Igreja pelo facto de terem cometido crimes de cariz sexual ou outros bastante censuráveis.
É de facto um filme com uma grande carga de desconforto, onde Pablo Larraín é mestre, abordando uma temática difícil, num filme duro e difícil de ver, mas com uma profundidade e humanismo enorme.
Conta no seu palmarés com o Urso de Prata (Grande Prémio do Júri do Festival Internacional de Cinema de Berlim). Foi também indicado para o Óscar de melhor filme estrangeiro, assim como indicado ao Globo de Ouro na mesma categoria.
sexta-feira, 8 de março de 2019
Pelo Tempo: "Políticas Culturais, Programação Cultural e Cinema" (Abril de 2014)
O conceito de “políticas culturais” é actualmente um termo corrente, assim como a importância da sua definição e estratégias para a sua implementação. Se de facto foi um termo afastado dos primeiros governos nacionais, regionais e locais, nos dias que correm são um dos destacados factores de desenvolvimento socioeconómico de qualquer cidade, região ou país, para não falar na sua extrema importância a nível europeu e intra-regional.
A sua principal ferramenta no terreno é a programação cultural, tema que tem vindo a ser trabalhado com muito afinco em várias universidades de todo o mundo nas últimas décadas, com óbvias e históricas diferenças entre culturas, como é o caso anglo-saxónico e o francês, assim como o norte-americano, três sociedades que se destacam no estudo da gestão e programação cultural.
Entre nós (Portugal), está mais do que aceite, defendido e posto em acção uma estratégia que prima pela mediação e diversidade, abrangendo todas as áreas da sociedade, promovendo e desafiando os criadores locais e desenvolvendo uma forte ligação às pessoas, nomeadamente ao público em idade escolar e aos idosos.
Nos Açores estes conceitos apenas começam a surgir com algum realce e atenção no fim da década de 90, vindo o exemplo do próprio governo regional, seguindo o executivo de Carlos César o caminho trilhado com o revolucionário Ministério da Cultura de Manuel Maria Carrilho.
Podemos utilizar o cinema com exemplo, rematando a teoria com a prática, numa cidade como Angra, historicamente relacionada com a cultura. Essa longa relação com a “sétima arte” é ainda influência da presença norte-americana na ilha, mas também das inquisitivas e sedentas mentes dos cinéfilos, como é exemplo a criação de um cineclube em 1977.
Ao longo dos anos foram várias as salas de cinema na cidade, até à decadência mundial que os cinemas passaram com o desenvolvimento dos leitores de vídeo e os consequentes clubes de vídeo, nas décadas de 1980 e 1990. Tornou-se então necessário que a autarquia angrense assumisse o compromisso de manter a exibição regular de cinema comercial na cidade – e assim o tem feito desde a inauguração do Centro Cultural.
Durante muitos anos essa exibição foi deficitária, devido principalmente aos elevados custos de transporte das bobines, coincidindo com o período de crise já referido, mas acima de tudo, do download ilegal de filmes da internet.
Mantendo sempre o seu compromisso para com o público angrense, a autarquia investiu recentemente na aquisição de um projector de alta definição, com a capacidade de exibição de filmes em 3D, passando os filmes a estarem disponíveis no formato DCP (um pequeno disco externo), em vez das pesadas e onerosas bobines de película.
Desde então o cinema em Angra tem vivido uma época dourada, com salas repletas de público, assistindo aos filmes de grande êxito comercial, e ao mesmo tempo que estreiam no resto do país e da Europa, cumprindo a sua missão de entretenimento.
Ao mesmo tempo, e regressando à parte inicial do texto, Angra tem mantido sempre a sua relação com outros públicos do cinema, nomeadamente na realização de vários Encontros de Cinema (década de 90), que resultaria num Festival Internacional, de grande impacto, e nos últimos anos no apoio e parceria a eventos como a extensão do IndieLisboa (desde 2007), o expoente máximo do cinema criativo a nível nacional, assim como eventuais mostras de cinema de autor, organizados pela autarquia.
Com o reavivar do Cineclube da Ilha Terceira conclui-se o que aparenta ser uma importante época para o cinema em Angra e também na região, como é o caso das mostras de cinema “Amostram’isse” e “Panazorean”, em exibição por várias ilhas e cidades do continente português, e ainda junto das comunidades emigradas.
Termino com um pormenor que simboliza o impacto que uma programação cuidada pode ter: no passado dia 7 de maio, realizou-se uma sessão de cinema dedicada a António Dacosta e ao Surrealismo, no Auditório da Escola Tomás de Borba, em parceria com o Cineclube da Ilha Terceira, com cerca de 150 ávidos e curiosos alunos, assim como os seus responsáveis professores. No fim da sessão uma das alunas dirigiu-se a um elemento da organização e resumiu de facto tudo: “é bem fixe!”
Miguel Rosa Costa (www.aviventar.blogspot.pt)
PS. para reflexão, dos altos, dos baixos, e de alguma teoria...
sábado, 29 de dezembro de 2018
Ludovico Einaudi - Intelectualmente envolvente...
Ludovico Einaudi - Elements (2015)
Como o próprio nome indica, o álbum inspira-se nos elementos da natureza, construídos pela habitual ultra sensibilidade de Ludovico Einaudi, com uma música muito mais que sonora, mas também visual e de emoções.
Para quem não conhece, é de referir que Einaudi é um pianista e compositor, tendo-se tornado mais conhecido de um grande público ao criar algumas bandas sonoras de referência ("Intocáveis" ou "Eu Ainda Estou Aqui"), assim como alguns prémios
É um tipo de música, que embora se enquadre no que habitualmente chamamos "música clássica", de tradição ocidental, vai beber a muitas fontes e géneros musicais, podendo-se encaixar no conceito de música ambiente e minimalista.
Intelectualmente envolvente...
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
O irreverente niilista
Friedrich Nietzsche - O Anticristo (1895)
Outra referência brutal da adolescência, típica da curiosidade irreverente e inquisitiva.
Sem quaisquer pretensões de mensagem sublime por fazer este post em plena época natalícia, esta obra, do fim do século XIX, e num contexto europeu totalmente diferente do atual, é considerada uma das mais acutilantes críticas ao cristianismo.
O livro não é só isso, como Nietzsche nos habituou, disparando para várias análises, tendo obviamente por base o papel das religiões nas sociedades, das suas construções e ainda de um papel desperdiçado por várias igrejas por não agirem diretamente no desenvolvimento social necessário à data, no mínimo, a não deixarem as comunidades decaírem...
Vários intervenientes da história das religiões são mencionados e atacados no livro, como Lutero, Paulo de Tarso ou mesmo Kant. Também o budismo em geral é fortemente criticado, considerando-o mesmo "a religião do nada", mas mesmo assim mais construtivo do que o cristianismo.
No meio de tanta pancada - ressalva intelectualmente curiosa - considera o Código de Manú uma obra que "pode ser considerada uma filosofia".
Enfim, desaforos de Nietzsche, para fazer o neocortex trabalhar...
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