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quinta-feira, 25 de março de 2021

A propósito de Basquiat e os "seus" milhões...

Ainda dizem que a cultura não gera dinheiro... E então se relacionarmos estes valores com o percurso de vida de Basquiat, mais impressionante fica esta história:

Jean-Michel Basquiat - Warrior (1982)
- Comprado por 8 milhões de dólares
- Vendido por 42 milhões de dólares


Jean-Michel Basquiat - Dustheads (1982)
- Comprado por 26 milhões de dólares
- Vendido por 48 milhões de dólares


Jean-Michel Basquiat - Untitled (Devil) (1982)
- Comprado por 4 milhões de dólares
- Vendido por 57 milhões de dólares


Jean-Michel Basquiat - Untitled (1982)
- Comprado por 20 mil dólares
- Vendido por 110 milhões de dólares

terça-feira, 19 de junho de 2018

Pelo Tempo: "Loucura – a mais elevada forma de inteligência" (Novembro de 2011)

É de facto ténue a fronteira entre a loucura e a genialidade, mas tenho que admitir que sinto uma certa admiração por personalidades que vivem entre essas realidades. Atualmente as duas maiores figuras das artes em Portugal padecem dessa definição, orgulhosamente desprovidos de qualquer filtro de bom senso ou discrição, estejam num café a conversar com amigos, ou na televisão em direto num telejornal: Paula Rego e José Saramago. 
Ambos falam do coração, com uma emoção entusiasmante, e talvez por isso tenham atingido o estatuto e prestígio que tem. Com uma franqueza assertiva, basicamente dizem o que pensam, o que querem.
Paula Rego nasceu em Lisboa em 1935, no seio de uma família republicana e liberal, com fortes ligações às culturas inglesa e francesa, tendo efetuado os seus estudos em instituições como a St. Julian’s School em Carcavelos. Nos anos 50 sai de Portugal com vista a continuar estudos em pintura, mais especificamente para Londres, onde conhece o pintor Victor Willing, com quem se casa.
Volta a Portugal nos anos 60, nunca perdendo o laço com a Inglaterra, onde expõe ocasionalmente, assim como em Portugal, onde começa a ser respeitada. Nos anos 70 radica-se em Londres, dando início à sua famosa pesquisa sobre contos infantis.
Com a série da menina e do cão realiza uma viragem significante na sua carreira, ganhando volume e solidez no seu trabalho, assinando com a galeria Marlborough Fine Art, e catapultando o seu nome para a cena internacional, em 1987.
A partir de 1994, apresentou o seu trabalho mais conhecido, intitulado “Mulher Cão”, marcando uma nova fase da sua carreira, com alguma intervenção cívica e pública, aproximando-se de causas como o referendo sobre o aborto, assim como das mulheres socialistas.
Em setembro de 2009, com a inauguração da Casa das Histórias, um museu dedicado à sua obra e espólio, em Cascais, atinge-se a verdadeira validação de Paula Rego como o um dos mais importantes nomes das artes plásticas em Portugal.
Foram muitos os prémios recebidos ao longo da sua carreira, e a sua obra encontra-se espalhada pelos principais centros de arte mundiais. Recentemente quebrou o seu recorde de venda de um quadro, ao atingir cerca de 860 mil euros, pelo trabalho “Looking Back” (1987), tendo já vendido outros na casa dos 500 e 700 mil euros. 
Por vezes denominam o seu trabalho de “Arte Bruta”, defendendo a autora, no seu próprio estilo que a crueldade dos seus trabalhos contém uma vitalidade extraordinária, podendo mesmo ajudar a ultrapassar o nosso medo do quotidiano, como se pode perceber pelo famoso quadro de “Salazar a Vomitar a Pátria” (1960).
O outro “maluco”, José Saramago, é o nome que todos conhecem. A obra, serão infelizmente poucos, mas suficientes para se perceber a sua importância a nível mundial, e obviamente, enquanto personalidade de referência portuguesa.
Nasceu em 1922, numa família de agricultores, mudando-se logo de seguida para Lisboa, onde sem possibilidades para ingressar no ensino superior, frequenta a escola técnica e o seu primeiro emprego é de serralheiro mecânico.
A paixão pela escrita manifestou-se cedo, e aos 25 anos publica o seu primeiro romance, Terra do Pecado (1947). A sua segunda publicação abordou a poesia, com Os Poemas Possíveis (1966), tendo de seguida apresentado Claraboia aos editores, que depois de rejeitado, permaneceu inédito até 2011, sendo agora publicado postumamente.
Em 1977 publica Manual de Pintura e Caligrafia, livro importante da sua obra, mas cujo estilo só seria definitivamente definido com a publicação de Levantado do Chão, em 1980, onde retrata a vida de privações da população pobre do Alentejo.
A sua consagração em Portugal chega em 1982, com Memorial do Convento, convencendo os leitores e críticos, numa histórica crítica severa à Igreja, dando início a uma longa e péssima relação.
Muitas outras obras foram cimentando o seu lugar na história da literatura mundial, como O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984), A Jangada de Pedra (1986), O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), Ensaio Sobre a Cegueira (1995) e Todos os Nomes (1997).
Viveu os últimos anos da sua vida nas ilhas Canárias, tendo saído de Portugal por várias questões de tratamento. Faleceu aos 87 anos, tendo o seu funeral honras de estado, merecidas.
Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a receber o Prémio Nobel da Literatura (1998), tendo também ganho o Prémio Camões (1995). Mas as suas polémicas são ainda mais deliciosas, como as suas públicas opiniões sobre o marxismo e a igreja, o seu aguerrido partidarismo no PCP, ou pelas ofensas ao povo judeu (2003), a ideia de integração de Portugal numa Federação Ibérica, afirmando que nada teríamos a perder, mas sim a ganhar (2007) ou as críticas ao atual papa Ratzinger em 2009.
Venham mais “malucos” destes.

Miguel Rosa Costa

http://aviventar.blogspot.com 

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Pelo Tempo: "Júlio Resende Afinal Não Morreu" (Setembro de 2011)

Tal pena ter sido este o motivo para escrever sobre tão brilhante e completo artista, um dos que ficará para a história da arte em Portugal – a morte de Júlio Resende. Como é óbvio, e reforçado pelo título, o seu trabalho perdurará, quer em acervos de muitos institutos e coleções, quer pelos vários exemplos de arte pública de grande qualidade e inovação que criou.
Nasceu no início do século XX, em 1917, no Porto, tendo-se diplomado em pintura em 1945, pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto, e partindo depois em 1948 para Paris e Madrid, onde continuou a sua formação enquanto bolseiro do Instituto para a Alta Cultura.
Trabalhou ainda como ilustrador em jornais, e realizou a sua primeira exposição em 1946, em Lisboa. Em 1951, ainda radicado no Porto, ganha o prémio especial na Bienal de São Paulo (Brasil).
Começa depois a expor por vários países, sendo o tema dominante dos seus trabalhos a gente do mar, influência da sua região de origem. Está presente em Espanha, Bélgica, Noruega e Brasil, representando Portugal em várias ocasiões, nas Bienais de Veneza, Londres ou Paris.
Foi professor do ensino secundário, e na década de 1960 enveredou por projetos de arquitetura e de decoração, levando-o a trabalhar em painéis, que o viriam agora a imortalizar.
Podem se destacar os dois painéis do Hospital de São João e um conjunto de painéis no Instituto Português de Oncologia do Porto. Em Lisboa, o destaque vai seguramente para os painéis da estação de metro de Sete Rios.
Mas foi o gigantesco painel de azulejos intitulado “Ribeira Negra”, junto à saída do tabuleiro inferior da Ponte D. Luís I, no seu Porto natal, que se tornou o trabalho mais reconhecido, sendo considerado por muitos como o melhor painel cerâmico contemporâneo português.
Tem sido muitas as manifestações de pesar, e serão certamente várias as homenagens que justamente se preparam, desde os mais altos representantes do estado, como o prudente Secretário de Estado da Cultura, a vários artistas e amigos de todas as áreas.
Em 1993 criou-se a Fundação Júlio Resende – Lugar do Desenho, claro está, na cidade do Porto. Contém um espólio de cerca de dois mil desenhos do artista, onde, para além de exposições, se realizam concertos, conferências, seminários e workshops em vários domínios. A sua lógica é multidisciplinar, promovendo o diálogo entre várias áreas das artes.
Esperemos que seja uma continuação da vontade de ensinar e partilhar de Júlio Resende, dando lugar permanente à experimentação e estimulação dos jovens artistas portugueses.
Miguel Rosa Costa

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Pelo Tempo: "MOSTRA LABJOVEM 2012" (2012-11-28)

No passado dia 17 de Novembro decorreu a inauguração da Mostra LABJOVEM 2012, na Academia da Juventude e das Artes, na Praia da Vitória. As portas abriram por volta das 21h00, permitindo ao público em geral observar os trabalhos selecionados nas áreas de Arquitetura, Artes Plásticas, Design de Moda, Design Gráfico, Fotografia, Ilustração+BD e Vídeo, e pode ser visitada até ao dia 2 de Dezembro.
De seguida foram apresentados dois dos projetos selecionados na área da Música, nomeadamente Verónica Silva e os October Flight, no que viria a ser uma noite de muito sucesso para ambos, quer para a jovem terceirense, com a sua incrível voz e profundidade que não reflete a sua idade (16 anos!), quer para o projeto terceirense, que se solidifica atualmente a nível nacional (e internacional).
Esta mostra resulta do concurso com o mesmo nome, destinado a promover jovens criadores açorianos, das mais variadas áreas, sendo que além dos vários selecionados (que recebem bolsas de estudo), existe lugar à publicação de trabalhos literários e da divulgação através da referida Mostra.
Numa perspetiva transversal às várias áreas presentes a concurso, existem ainda duas nomeações muito interessantes: a LABCOMUNIDADES, destinada a criadores descendentes de açorianos (até à 3ª geração) e a LABREVELAÇÃO, para criadores com idade inferior a 20 anos, este ano atribuída à jovem Verónica Silva.
De realçar é ainda o facto de a Mostra ter percorrido todas as nove ilhas da região, entre 1 de Junho (Graciosa) e 2 de Dezembro (fim da Mostra na Terceira), contando com o apoio de diversas entidades públicas em todas as ilhas.
É uma iniciativa da Direção Regional da Juventude, e organizada pela Associação Cultural Burra de Milho, que sempre acreditaram num projeto cuja principal orientação é a apresentação de novos criadores açorianos.
O LABJOVEM é provavelmente apenas uma pequena amostra do verdadeiro potencial das nossas ilhas e dos nossos jovens, por vezes sem apoio, e mais importante, sem o incentivo de quem os rodeia.
Numa futura edição, haverá espaço certamente ao aparecimento de novos criadores, assim como a nível organizacional, novos trunfos relacionados com a divulgação e apoio a estes jovens artistas.
Esperemos que a iniciativa se mantenha, com uma mensagem de agradecimento, acima de tudo pela coragem que os jovens demonstraram ao abrirem o seu coração, rompendo por vezes barreiras familiares, e entregue o seu trabalho ao escrutínio e julgamento dos outros.

PS. Isto numa altura em que se prepara a edição da MOSTRA LABJOVEM 2014, que passará pela primeira vez em Lisboa (Novembro, na LX Factory - Santa Apolónia), assim como São Miguel, Faial e Terceira. Esperemos daqui a uns bons anos olhar para trás e ver a importância do trabalho realizado... aliás, já vemos!

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Realismo A Pastel - Zaria Forman






Incríveis trabalhos da artista Zaria Forman, sobre os icebergues da Islândia, cheio de paixão, pois são dedicados à sua falecida mãe. Com Amor tudo fica ainda mais emocionante.

De um realismo incrível, e a pastel!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

LABMEETING 2013


O LABJOVEM – Concurso de Jovens Criadores dos Açores 2013 entra na sua fase de LABMEETING, de 6 a 8 de Dezembro, com as reuniões dos júris que seleccionarão as obras a integrar a MOSTRA LABJOVEM para 2014. 

Os 30 membros do júri, das 10 áreas a concurso, estarão reunidos na Academia de Juventude e das Artes da Ilha Terceira e na Filarmónica União Praiense, para análise e selecção dos trabalhos entregues durante a fase de concurso, que decorreu de 1 de Maio a 25 de Novembro.

No dia 6 de Dezembro, pelas 19h00, decorrerá a Conferência de Imprensa dos trabalhos apresentados nesta 4ª edição do Concurso LABJOVEM – Jovens Criadores dos Açores, com a presença da Directora Regional da Juventude, Dra Pilar Damião, no Angra Marina Hotel.

No dia 7 de Dezembro, pelas 22h00, no Cais d’Angra decorrerá o lançamento do livro “Bandas Sonoras”, da fotógrafa Rita Carmo, membro do júri da área de Fotografia. De seguida, atuarão os Juke n’ Jam.

Os membros do júri LABJOVEM para a 4ª Edição são:

- Arquitetura: Carlos Joaquim Marques da Silva | João Costa Ribeiro | Márcio José de Sousa Mendes;
Artes Plásticas: José Dominguez | Lourenço Egreja | Sandra Vieira Jurgens
Artes Cénicas: Cláudia Galhós | João Didelet | Martim Pedroso
Design de Moda: Ana Marigarida Serpa da Silva | António Grácias | Miguel Vieira
Design Gráfico: Filipa Bensaúde | João Tovar | Pedro Falcão
Fotografia: Magali Tarouca | Rita Carmo | Pepe Brix
Ilustração e Banda Desenhada: Bruno Rafael | Pedro Vieira | Susana Antão
Literatura: Joel Neto | Rui Zink | Nuno Costa Santos
Música: Frankie Chavez | Luís Varatojo | Gabriel Gomes
Vídeo: José Pinheiro | Miguel Tomar Nogueira | Miguel Valverde

O CONCURSO LABJOVEM – Jovens Criadores dos Açores é um projeto do Governo Regional dos Açores, através da Direção Regional da Juventude, e organizado pela Associação Cultural Burra de Milho, que visa incentivar e promover jovens criadores das diferentes áreas artísticas, servindo de plataforma a uma nova geração de artistas açorianos.

As áreas contempladas na presente edição são: Arquitetura, Artes Plásticas, Artes Cénicas, Design de Moda, Design Gráfico, Fotografia, Ilustração e Banda Desenhada, Literatura, Música, e Vídeo.

Do concurso resultará uma seleção de projectos que serão apresentados sob o formato de Mostra Regional. A Mostra LABJOVEM é um programa itinerante que pretende de forma continuada difundir o trabalho dos jovens criadores, englobando:

- Exposição de Arquitetura, Artes Plásticas, Design de Moda, Design Gráfico, Fotografia, Ilustração e Banda Desenhada.
- Apresentação de espectáculos nas áreas de Artes Cénicas e Música;
- Apresentação de uma Mostra de Vídeo;
- Publicação de obras literárias;
- Elaboração de um catálogo geral dos projectos selecionados.

De entre os projectos seleccionados em cada área para integrar a Mostra LABJOVEM, será também selecionado pelo júri do concurso um projecto ao qual será atribuído uma bolsa de formação a título de prémio.

Serão ainda atribuídas as seguintes menções:
a) LABCOMUNIDADES – aos projectos que, de entre os seleccionados, tenham sido concebidos por descendentes de açorianos, até à 3ª geração.
b) LABREVELAÇÃO – aos projectos que, de entre os seleccionados, tenham sido concebidos por jovens com idade inferior a 20 anos até 31 de Dezembro de 2013.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Na Rua ou Em Casa - Daniel Buren





 
Há já várias décadas que Daniel Buren nos vem agraciando com o seu experimentalismo, sobretudo em arte de rua, com base num certo minimalismo abstracto (...).

Excêntrico, colorido, simples.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Pelo Tempo: "Júlio Resende Afinal Não Morreu" (2011-09-23)


Tal pena ter sido este o motivo para escrever sobre tão brilhante e completo artista, um dos que ficará para a história da arte em Portugal – a morte de Júlio Resende. Como é óbvio, e reforçado pelo título, o seu trabalho perdurará, quer em acervos de muitos institutos e coleções, quer pelos vários exemplos de arte pública de grande qualidade e inovação que criou.
Nasceu no início do século XX, em 1917, no Porto, tendo-se diplomado em pintura em 1945, pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto, e partindo depois em 1948 para Paris e Madrid, onde continuou a sua formação enquanto bolseiro do Instituto para a Alta Cultura.
Trabalhou ainda como ilustrador em jornais, e realizou a sua primeira exposição em 1946, em Lisboa. Em 1951, ainda radicado no Porto, ganha o prémio especial na Bienal de São Paulo (Brasil).
Começa depois a expor por vários países, sendo o tema dominante dos seus trabalhos a gente do mar, influência da sua região de origem. Está presente em Espanha, Bélgica, Noruega e Brasil, representando Portugal em várias ocasiões, nas Bienais de Veneza, Londres ou Paris.
Foi professor do ensino secundário, e na década de 1960 enveredou por projetos de arquitetura e de decoração, levando-o a trabalhar em painéis, que o viriam agora a imortalizar.
Podem se destacar os dois painéis do Hospital de São João e um conjunto de painéis no Instituto Português de Oncologia do Porto. Em Lisboa, o destaque vai seguramente para os painéis da estação de metro de Sete Rios.
Mas foi o gigantesco painel de azulejos intitulado “Ribeira Negra”, junto à saída do tabuleiro inferior da Ponte D. Luís I, no seu Porto natal, que se tornou o trabalho mais reconhecido, sendo considerado por muitos como o melhor painel cerâmico contemporâneo português.
Tem sido muitas as manifestações de pesar, e serão certamente várias as homenagens que justamente se preparam, desde os mais altos representantes do estado, como o prudente Secretário de Estado da Cultura, a vários artistas e amigos de todas as áreas.
Em 1993 criou-se a Fundação Júlio Resende – Lugar do Desenho, claro está, na cidade do Porto. Contém um espólio de cerca de dois mil desenhos do artista, onde, para além de exposições, se realizam concertos, conferências, seminários e workshops em vários domínios. A sua lógica é multidisciplinar, promovendo o diálogo entre várias áreas das artes. 
Esperemos que seja uma continuação da vontade de ensinar e partilhar de Júlio Resende, dando lugar permanente à experimentação e estimulação dos jovens artistas portugueses.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Antero, o Grande

Antero de Quental, por Columbano Bordalo Pinheiro



Hoje relembra-se Antero de Quental, o Grande. Até o Google aderiu à homenagem, deste pensador muito à frente do seu tempo, mas que cumpriu o seu papel, contribuindo para um dos mais criativos e críticos movimentos portugueses.

Fica abaixo um dos meus poemas preferidos de Antero, um carismático homem, que no meio do seu génio e da sua loucura, disse, pouco tempo antes da sua morte, a uns amigos em Lisboa: "Descansa-se!... se no tédio doloroso de nós mesmos encontramos a força para nos sumirmos."


Evolução

Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo 
tronco ou ramo na incógnita floresta... 
Onda, espumei, quebrando-me na aresta 
Do granito, antiquíssimo inimigo... 

Rugi, fera talvez, buscando abrigo 
Na caverna que ensombra urze e giesta; 
O, monstro primitivo, ergui a testa 
No limoso paúl, glauco pascigo... 

Hoje sou homem, e na sombra enorme 
Vejo, a meus pés, a escada multiforme, 
Que desce, em espirais, da imensidade... 

Interrogo o infinito e às vezes choro... 
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro 
E aspiro unicamente à liberdade. 

Antero de Quental, in "Sonetos"

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Uma questão de ótica - Felice Varini



Felice Varini - Cinq ellipses ouvertes (2009)
 

Felice Varini - Rettongoli gialli concentrici senza angoli al suolo (1997)

Felice Varini é um daqueles casos que tão delicadamente junta a matemática à arte, sendo conhecido quase exclusivamente pelo seu trabalho de ilusão ótica, onde cada uma das suas pinturas pode ser apreciada apenas de um determinado ponto de vista - de outra qualquer perspetiva, o seu trabalho parece um caótico amontoado de pinturas aleatórias.

terça-feira, 20 de março de 2012

A dor em Francis Bacon

Francis Bacon - Self Portrait (1975)
 
Francis Bacon - Self Portrait (1971)
 
Francis Bacon - Study for a Self Portrait (1985-86)

Francis Bacon - Study for the Head of George Dyer (1973)

Só para recordar: Francis Bacon (1909-1992) foi um potente pintor irlandês, mais conhecido pelo seu trabalho figurativo, de cariz austero, grotesco e audaz. É descendente do "outro" Francis Bacon, um dos pais da ciência moderna (filósofo do séc. XVI). 

Para Bacon, o tabu era o pequeno-almoço: trabalhou quase tudo o que nos choca, como as fantasias masoquistas ou pedófilas, transgressões sexuais, religião e fluídos humanos... Mas a sua visão "modernista" criou uma bela e tensa imagem da dor humana, como se vê nestes exemplos acima, nestes corpos de dor, alguns auto-retratos.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A dor em Guernica

Pablo Picasso - Guernica (1937)

Existem alguns quadros e peças de arte que marcam de facto a humanidade, que habitam a nossa memória por tanto tempo, mantendo um desejo de um dia as vermos ao vivo, quase como uma confirmação de que é real, mas também de satisfação pessoal. Assim, após ter tido a sorte de visitar o Museu Nacional Rainha Sofia, em Madrid, não podia deixar de contemplar o famoso painel "Guernica", de Pablo Picasso.

Este trabalho representa um bombardeamento à cidade espanhola de Guernica, por aviões alemães e italianos, durante a guerra civil espanhola, em 1937, e tem sido desde então uma das mais reconhecidas representações da dor humana e da guerra, pelo sofrimento causado a tantos civis inocentes.

Apenas foi usado o preto e o branco neste trabalho, no estilo cubista, tão próprio de Picasso, sendo claro que a mensagem é de tristeza, abandono e sofrimento, e embora tenha uma abrangência universal, também reflete emoções muito pessoais do próprio autor.

Mas por mais estudos que tenham sido publicados, por mais versões e opiniões sobre o que queria realmente Picasso dizer nesta sua dinâmica obra, é o próprio a desmistificar o assunto, afirmando que pintou os objectos que lá estão por serem eles mesmos: "um toiro é um toiro e um cavalo é um cavalo; o significado que cada um dá a eles, também eu conclui pessoalmente".