terça-feira, 24 de maio de 2016

"Interstellar" - Amor Interdimensional

Interstellar (2014)

Intenso filme de Christopher Nolan, com um elenco de luxo (Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Jessica Chastain, Michael Caine e outros), sobre a história de uma equipa de astronautas numa viagem em busca de um novo lar para a humanidade, perante a certa destruição do planeta Terra, inspirado no trabalho do físico norte-americano Kip Thorne ("o" especialista mundial em buracos negros).

Assim, para esta busca pelo futuro do Homem, através de buracos negros, Nolan contratou Hoyte van Hoytema, que filmou este projeto em formato de 35 milímetros anamórfico (ou seja, filmar em widescreen mas em película de 35 mm), e também em formato IMAX 70 (película de 70 mm, a maior de todas, e apenas utilizada para projeção em salas específicas) - tudo em prole do impacto visual da obra.

Tem uma abordagem interessante, pois os buracos negros ainda são atualmente como a viagem à Lua na década de 60, onde as dúvidas sobre a sua veracidade eram comuns... Mas seja em que dimensão for, os sentimentos humanos são sempre os mesmos...

Tornou-se num grande sucesso de bilheteira, recebendo paralelamente boas críticas, tendo ainda ganho um Óscar na categoria de Melhores Efeitos Visuais, além de outras 4 nomeações.

Épico.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Pelo Tempo: "Uma Exposição – Várias Sinergias" (2013-04-17)

No passado dia 15 de Abril ocorreu a inauguração da exposição “Bandas Sonoras”, da fotógrafa Rita Carmo, no Clube de Oficiais da Base Aérea das Lajes, encontrando-se patente até ao próximo dia 15 de Maio.
Este é o primeiro evento resultante de um protocolo assinado entre o Clube de Oficiais e a Associação Cultural Burra de Milho, assinado no momento da abertura da exposição, e que visa a partilha de esforços, competências e recursos, que por seu lado permitam uma maior divulgação de eventos, coprodução de atividades e desenvolvimento de ações formativas nas áreas culturais e criativas.
No mesmo momento foi também assinado um protocolo com o Instituto Açoriano de Cultura (IAC), semelhante no conteúdo e na forma, sendo que ambas as parcerias visam contribuir para o aumento de interação entre a população da ilha e os militares da Base Aérea nº4.
É hábito referir-se, a nível de comentário ou análise política, a fraca relação e aproveitamento de sinergias entre agentes culturais, não só na Terceira, mas em toda a região. Com este caso observa-se exatamente o oposto, numa excelente iniciativa, com origem no Clube de Oficiais, a que prontamente se associaram duas entidades com relevante ação cultural ao nível regional.
Como foi referido na inauguração, trata-se também de uma excelente reação ao momento de crise que atravessamos, ocultando-se possivelmente na arte e na cultura algumas respostas e soluções, com base em dinâmicas como a demonstrada neste caso.
E esta exposição é de facto um claro exemplo disso, onde o primeiro destaque vai para a própria artista, Rita Carmo, que disponibilizou o seu trabalho para vários eventos. É uma fotógrafa de renome dedicada à cena musical há cerca de 20 anos, colaborando desde o semanário Blitz, a autora de várias publicações e exposições em Portugal e no estrangeiro, assim como responsável por algumas capas de álbuns e imagens de divulgação de artistas portugueses (Carminho, Diabo na Cruz, Deolinda, etc.).
A sua mais recente relação com os Açores surge enquanto júri do LABJOVEM – Concurso de Jovens Criadores dos Açores, organizado pela Burra de Milho, e que deu origem à vinda desta exposição para a região, tendo já sido apresentada na Galeria Arco 8 (Ponta Delgada), na Academia da Juventude e das Artes da Ilha Terceira (Praia da Vitória), Teatro Angrense (Angra do Heroísmo) e Núcleo Museológico dos Altares.
Esperemos que esta dinâmica alavanque outros projetos e parcerias ao nível de ilha e da região, com um aproveitamento sustentável e racional dos meios existentes, e num espírito de cooperação e não de competição…

terça-feira, 26 de abril de 2016

História da Música - guiados pela voz de Pollard

Guided by Voices - Bee Thousand (1994)

Este é o sétimo álbum do coletivo Guided by Voices, gravado, como habitualmente, em gravadores caseiros, tipo quatro pistas, ou outras soluções menos convencionais, evitando sempre os estúdios profissionais...

Esse aspeto ajudou a reforçar o seu estatuto como uma das bandas definidoras do estilo musical "lo-fi" (fraca qualidade de gravação sonora), com inspiração nas bandas punk inglesas da década de 60 e 70, o que fez com que a banda começasse a dar nas vistas e inclusive a assinar com uma grande editora (Matador Records).

O grande líder e mentor deste projeto, o multi-facetado Robert Pollard, tem sido a marca constante da banda, sendo que os restantes elementos tem variado de disco para disco e de tour para tour... podendo mesmo considerar este como um projeto individual, mas tem existido sempre como banda.

Este foi também o primeiro dos últimos álbuns, pois devido a dificuldades financeiras, motivos familiares e devido à sua carreira de professor, decidiu acabar com o projeto. Mas durou pouco tempo, e a banda tem-se reunido várias vezes, com novas pessoas, novas editoras, novos álbuns, e mais recentemente, entre 2010 e 2014, vários concertos "reunião".

Aparentemente tocarão este ano ao vivo, assim como corre um boato de que editarão um álbum novo, provavelmente originado por Pollard...

Banda fundamental da história musical do século XX/XXI.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Kafka no Castelo do Absurdo

Franz Kafka - O Castelo (1926)

Outro magnífico livro de Franz Kafka escrito em apenas seis meses, em 1922, com a curiosidade de apenas ter sido editado após a sua morte.

Novamente o personagem principal chama-se K., assim como em "O Processo", e é um agrimensor (topógrafo da área da agricultura...) que se desloca a um castelo num local não especificado para prestar os seus serviços, mas por mais que tente, não consegue entrar.

Novamente as interpretações são várias, mas podemos centrar-nos numa crítica à burocracia e ao absurdo, assim como uma viagem pelo seu próprio inconsciente, também ele confuso.

Ficamos também com uma clara evocação a uma crise existencial (autobiográfica ou não), onde estamos perante alguém que não encontra as respostas que precisa para as muitas perguntas sobre o sentido da vida - sendo o personagem absorvido pela rotina e aceitando a realidade como ela é.