sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Dá-lhe Manel!

Foge Foge Bandido - O Amor Dá-me Tesão / Não Fui Eu que Estraguei (2008)

Em 2008, e depois de 10 anos de ausência, Manuel Cruz (ex-Ornatos Violeta), editou um magnífico disco duplo com livro.

O Amor Dá-me Tesão/Não Fui Eu que Estraguei tem cerca de 80 faixas e um livro ilustrado a acompanhar, e contou com a colaboração de vários amigos do artista, como antigos companheiros dos Ornatos, Bezegol, Pacman ou mesmo os pais, irmãos e animais domésticos de Manuel Cruz.

Musicalmente podemos considerá-lo um disco lo-fi disparatado, com grandes e irónicas canções, sempre com vontade de provocar e mexer com as mentalidades. Com tantas canções, acabamos por encontrar um pouco de tudo, com mais e menos qualidade, com mais ou menos intenção e espontaneidade.

Muito Bom.

Continua amigo...

domingo, 10 de janeiro de 2016

O Cohen Brothers, where did you came from?



O Brother, Where Art Thou? (2000)


Três prisioneiros escapam da prisão em pleno Mississipi, na Grande Depressão Americana, lançados numa aventura "cohenesca", em busca da liberdade, da felicidade e dos seus lares. 

George Clooney, John Turturo e Tim Blake Nelson protagonizam os nossos foragidos, numa nítida comparação à Odisseia de Homero, mas no Mississipi rural...

Além de uma grande história, como o humanismo desta dupla de realizadores já nos habituou (Ethan e Joel Cohen), o filme tem um delicioso tom sépia, tendo sido totalmente corrigida a sua cor em toda a duração do filme - e depois, a música, como sempre nestes filmes - grande recolha de música folk americana da época, valendo vários prémios, distinções e excelente críticas (Grammys incluídos).

Sempre a rever...

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Arte, Natureza e Criatividade

A Criatividade Humana, paralelamente com uma grande capacidade de trabalho e dedicação, ainde de surpreendem, felizmente, todos os dias!

Wolfgang Laib é um dos porta-vozes dessa mortal magnificência, trabalhando sobretudo com produtos da natureza, e que por sistema, demoram ANOS a acumular... como "quilos" de pólen, mas também leite ou mel.

Pesquisem, por favor, para bem da nossa sanidade enquanto sociedade...


"Pedra de Leite"


"Torre de Favos de Mel"


"Pólen"


"Arroz e Latão"


terça-feira, 17 de novembro de 2015

Pelo Tempo: "Os Sons de 2012 – Nacional" (2013-11-01)

[Para matar saudade dos sons que descobri...]

Na sequência do último artigo, dedico-me agora aos discos mais referidos nas revistas da especialidade portuguesas, assim como às listas de melhores álbuns do ano. Não é tão fácil como a nível internacional, não existindo massa suficiente de crítica e análise musical.

Mesmo assim, cada vez mais se escreve sobre música, com uma “crítica de autor” de jovens jornalistas, sobre um vasto número de criativos projetos musicais em Portugal, assistindo-se ainda à consolidação de uma nova geração de valores.

Esta lista pretende apresentar os melhores álbuns nacionais do ano, com base na crítica especializada, que procura destacar os melhores trabalhos: os mais sensíveis, mais criativos, ou seja, a melhor música em detrimento dos mais vendidos (embora não sejam aspetos incompatíveis…).

As revistas consultadas foram a P3 (Público), Bodyspace e Blitz, sendo as únicas que apresentam uma lista com classificação. Vários sítios online foram também tidos em consideração, pelo número de menções que os álbuns tiveram, destacando-se sempre um fator comum: a edição de muitos trabalhos em 2012, por jovens artistas, muitos deles em estreia. A lista é então a seguinte:

10. Supernada: “Nada é impossível”. Aproveitando a boleia do revivalismo dos Ornatos Violeta, o atual projeto de Manuel Cruz apresenta um poderoso trabalho, com a irreverência roqueira do costume.

9. Carminho: “Alma”. Uma das melhores representantes da nova música portuguesa de cariz internacional, atingindo um sucesso merecido, com base na intensidade, verdade e emoção que coloca nas suas canções.

8. B Fachada: “Criôlo”. Bernardo Fachada não para, nem de gravar, nem de nos surpreender. A qualidade e a consistência juntam-se à originalidade, agora com ritmos africanos e cheio de estilo.

7. Pega Monstro: “Pega Monstro”. Portugal também tinha direito a uma banda de duas irmãs, low-fi e slow-core – aí temos as Pega Monstro, em álbum homónimo, com a atitude punk o suficiente. Inovador e refrescante.

6. António Zambujo: “Quinto”. Outro genuíno representante de Portugal, também com bases no fado, mas já muito mais do que isso. A sua qualidade consolida-se neste quinto disco.

5. Diabo na Cruz: “Roque Popular”. Segundo projeto de Jorge Cruz, onde nos apresenta uma excelente fusão entre rock e folk, com base nas tradições portuguesas, respingadíssima de toques contemporâneos. Uma nacionalista mistura de rural e urbano.

4. Capicua: “Capicua”. Com o apoio de Sam The Kid, temos também agora uma boa MC feminina, representando o que de melhor se faz no hip-hop contemporâneo em Portugal. Uma voz do Porto, do Povo e com Coração.

3. Norberto Lobo: “Mel Azul”. Neste seu terceiro álbum, Norberto Lobo demonstra novamente que o experimentalismo é uma das mais poderosas ferramentas poéticas que a música pode utilizar, livre e descomprometida, mas com uma suavidade improvisada, embora muito trabalhada. Os seus solos de guitarra são uma delícia inspiradora e de introspeção, nunca monótonos, com um dedilhar que se imagina intenso. Não conhecia. Agora adoro.

2. Orelha Negra: "Orelha Negra". Original e necessário coletivo português, com destaque para Sam The Kid e DJ Cruzfader, trouxe-nos um groove bem desejado. Em bonitas homenagens ao hip-hop e à cultura urbana em geral, tornam a vida mais sofrível e certamente mais musical. Ficou em segundo lugar, mas certamente no primeiro de muitos amantes da música.

1. Black Bombaim: "Titans". Para destronar o álbum do Orelha Negra, só mesmo o fantástico trabalho dos Black Bombaim. Este trio de Barcelos produz um som universal, com um rock psicadélico, numa atmosfera intensa, mas com tempo para introspeção. Faz lembrar e pensar no que de melhor se faz nesta área, estando inclusive convidados para atuarem no Roadburn, o principal festival do género no mundo (Holanda). Belíssima surpresa.


terça-feira, 13 de outubro de 2015

Au Revoir Simone - Move in Spectrums (2013)

Depois de algum tempo sem editar, as Au Revoir Simone regressaram aos estúdios em 2013 para gravarem "Move in Spectrums", pela Moshi Moshi. É sem dúvida o seu trabalho mais sofisticado e completo, com um som que nos preenche todos os segundos do disco.

Este trio de vocalistas / pianistas, que usam quer teclados vintage ou mais contemporâneos, entrelaçam-se brilhantemente, sempre com destaque para as vozes, e sem esquecer a batida tipo 80's...

Das suas vozes vem uma melancolia, que nos amolece a alma, dando origem a estados pensativos e ternos, tornando-se no fim uma experiência enriquecedora.

No entanto, esse peso, nas vozes de Erika Forster, Annie Hart e Heather D'Angelo (formadas em 2003), pode por vezes ser fantasmagórico, embora arejado, leve, e com a plena sensação de que nos estão a transmitir algo muito pessoal.

É um dream pop de coração eletrónico.