sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Arte, Natureza e Criatividade

A Criatividade Humana, paralelamente com uma grande capacidade de trabalho e dedicação, ainde de surpreendem, felizmente, todos os dias!

Wolfgang Laib é um dos porta-vozes dessa mortal magnificência, trabalhando sobretudo com produtos da natureza, e que por sistema, demoram ANOS a acumular... como "quilos" de pólen, mas também leite ou mel.

Pesquisem, por favor, para bem da nossa sanidade enquanto sociedade...


"Pedra de Leite"


"Torre de Favos de Mel"


"Pólen"


"Arroz e Latão"


terça-feira, 17 de novembro de 2015

Pelo Tempo: "Os Sons de 2012 – Nacional" (2013-11-01)

[Para matar saudade dos sons que descobri...]

Na sequência do último artigo, dedico-me agora aos discos mais referidos nas revistas da especialidade portuguesas, assim como às listas de melhores álbuns do ano. Não é tão fácil como a nível internacional, não existindo massa suficiente de crítica e análise musical.

Mesmo assim, cada vez mais se escreve sobre música, com uma “crítica de autor” de jovens jornalistas, sobre um vasto número de criativos projetos musicais em Portugal, assistindo-se ainda à consolidação de uma nova geração de valores.

Esta lista pretende apresentar os melhores álbuns nacionais do ano, com base na crítica especializada, que procura destacar os melhores trabalhos: os mais sensíveis, mais criativos, ou seja, a melhor música em detrimento dos mais vendidos (embora não sejam aspetos incompatíveis…).

As revistas consultadas foram a P3 (Público), Bodyspace e Blitz, sendo as únicas que apresentam uma lista com classificação. Vários sítios online foram também tidos em consideração, pelo número de menções que os álbuns tiveram, destacando-se sempre um fator comum: a edição de muitos trabalhos em 2012, por jovens artistas, muitos deles em estreia. A lista é então a seguinte:

10. Supernada: “Nada é impossível”. Aproveitando a boleia do revivalismo dos Ornatos Violeta, o atual projeto de Manuel Cruz apresenta um poderoso trabalho, com a irreverência roqueira do costume.

9. Carminho: “Alma”. Uma das melhores representantes da nova música portuguesa de cariz internacional, atingindo um sucesso merecido, com base na intensidade, verdade e emoção que coloca nas suas canções.

8. B Fachada: “Criôlo”. Bernardo Fachada não para, nem de gravar, nem de nos surpreender. A qualidade e a consistência juntam-se à originalidade, agora com ritmos africanos e cheio de estilo.

7. Pega Monstro: “Pega Monstro”. Portugal também tinha direito a uma banda de duas irmãs, low-fi e slow-core – aí temos as Pega Monstro, em álbum homónimo, com a atitude punk o suficiente. Inovador e refrescante.

6. António Zambujo: “Quinto”. Outro genuíno representante de Portugal, também com bases no fado, mas já muito mais do que isso. A sua qualidade consolida-se neste quinto disco.

5. Diabo na Cruz: “Roque Popular”. Segundo projeto de Jorge Cruz, onde nos apresenta uma excelente fusão entre rock e folk, com base nas tradições portuguesas, respingadíssima de toques contemporâneos. Uma nacionalista mistura de rural e urbano.

4. Capicua: “Capicua”. Com o apoio de Sam The Kid, temos também agora uma boa MC feminina, representando o que de melhor se faz no hip-hop contemporâneo em Portugal. Uma voz do Porto, do Povo e com Coração.

3. Norberto Lobo: “Mel Azul”. Neste seu terceiro álbum, Norberto Lobo demonstra novamente que o experimentalismo é uma das mais poderosas ferramentas poéticas que a música pode utilizar, livre e descomprometida, mas com uma suavidade improvisada, embora muito trabalhada. Os seus solos de guitarra são uma delícia inspiradora e de introspeção, nunca monótonos, com um dedilhar que se imagina intenso. Não conhecia. Agora adoro.

2. Orelha Negra: "Orelha Negra". Original e necessário coletivo português, com destaque para Sam The Kid e DJ Cruzfader, trouxe-nos um groove bem desejado. Em bonitas homenagens ao hip-hop e à cultura urbana em geral, tornam a vida mais sofrível e certamente mais musical. Ficou em segundo lugar, mas certamente no primeiro de muitos amantes da música.

1. Black Bombaim: "Titans". Para destronar o álbum do Orelha Negra, só mesmo o fantástico trabalho dos Black Bombaim. Este trio de Barcelos produz um som universal, com um rock psicadélico, numa atmosfera intensa, mas com tempo para introspeção. Faz lembrar e pensar no que de melhor se faz nesta área, estando inclusive convidados para atuarem no Roadburn, o principal festival do género no mundo (Holanda). Belíssima surpresa.


terça-feira, 13 de outubro de 2015

Au Revoir Simone - Move in Spectrums (2013)

Depois de algum tempo sem editar, as Au Revoir Simone regressaram aos estúdios em 2013 para gravarem "Move in Spectrums", pela Moshi Moshi. É sem dúvida o seu trabalho mais sofisticado e completo, com um som que nos preenche todos os segundos do disco.

Este trio de vocalistas / pianistas, que usam quer teclados vintage ou mais contemporâneos, entrelaçam-se brilhantemente, sempre com destaque para as vozes, e sem esquecer a batida tipo 80's...

Das suas vozes vem uma melancolia, que nos amolece a alma, dando origem a estados pensativos e ternos, tornando-se no fim uma experiência enriquecedora.

No entanto, esse peso, nas vozes de Erika Forster, Annie Hart e Heather D'Angelo (formadas em 2003), pode por vezes ser fantasmagórico, embora arejado, leve, e com a plena sensação de que nos estão a transmitir algo muito pessoal.

É um dream pop de coração eletrónico.



quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Na Toca da Catarina...

A Toca do Lobo (2015)


Neste último filme da realizadora portuguesa Catarina Mourão, a própria faz uma visita à sua família, aos segredos que todas as famílias contêm... Com base nuns antigos filmes de 9.5 mm, a realizadora reencontra a mãe e um distante e um praticamente desconhecido avô, o escritor Tomás de Figueiredo.

"Entre o passado e o presente", como diz Catarina, vai tentar dar sentido ao que vai descobrindo, com a ajuda da mãe, praticamente co-protagonista do filme, resolvendo ligações e memórias familiares.

Na sua antiga casa existe um quarto fechado à chave, que vai ser explorado pela câmara da realizadora, dando ainda mais ênfase à verdadeira temática por detrás deste filme: a nossa intimidade.

Teve estreia mundial no Festival Internacional de Roterdão (de grande prestígio internacional), assim como ganhou o Prémio do Público para Melhor Longa no IndieLisboa 2015, e foi selecionada para o Doc's Kingdom 2015.

Foi um dos filmes mais "sensíveis e pessoais" que vi este ano, de uma realizadora que se tem afirmado como uma das mais delicadas do cinema português, sendo de destacar os filmes "Pelas Sombras" (2010), "À Flor da Pele" (2006) ou "A Dama de Chandor" (1998).

Estudou Música, Direito e Cinema (Bristol University), e em 1998 foi uma das fundadoras da APORDOC (Associação pelo Documentário), e começou a dar aulas de Cinema e Documentário em 2000. No mesmo ano, com a realizadora Catarina Alves Costa, funda a Laranja Azul, uma produtora independente de Documentário e Artes Visuais.


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Tristes Trópicos...

Claude Lévi-Strauss - Tristes Trópicos (1955)

É o mais reconhecido ensaio de Claude Lévi-Strauss, um dos mais importantes filósofos e antropólogos franceses, escrito sob a forma de uma narrativa etnográfica romanceada, e com excertos sobre várias sociedades indígenas.

É acima de tudo uma memória das suas viagens e trabalhos de cariz antropológico, com destaque para o tempo passado no Brasil, embora se cruzem várias áreas do pensamento e comportamento humano, como a sociologia, a geografia ou mesmo a música e a literatura.

Tornou-se um clássico da etnologia mundial, mas também uma obra universal, abordando a crise do processo civilizacional da modernidade (1955), sendo mesmo considerado um dos 100 livros do século pelo jornal "Le Monde".

Lévi-Strauss é considerado o pai da antropologia estrutural (que tanto me assustou no início da minha licenciatura...), e um dos grandes intelectuais do século XX. Professor universitário e catedrático em várias instituições, realizou também vários trabalhos de campo, que deram origem a uma extensa obra, reconhecida internacionalmente.

Aproveito para deixar duas citações suas conhecidas:

1.- "O antropólogo é o astrónomo das ciências sociais: ele está encarregado de descobrir um sentido para as configurações muito diferentes, por sua ordem de grandeza e seu afastamento, das que estão imediatamente próximas do observador."

2.- "Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter presente".

Muito Bom.