segunda-feira, 20 de julho de 2015

New Foxygen For Music


Foxygen - We Are The 21st Century Ambassadors of Peace and Magic (2013)


Para todos os efeitos este é o primeiro disco de longa duração editado pelos Foxygen (dois jovens amigos de Los Angeles), no que pode ser considerado um duo de rock experimental. Aclamado pela crítica, acabou por criar um certo movimento de culto, mas com base na criatividade e coerência das suas músicas, e nada mais.

O som é nitidamente neo-psicadélico, ou seja, baseado na música psicadélica dos anos 60 e 70, talvez na sua vertente mais rock, como os Beatles ou mesmo os Beach Boys... parece foleiro não é? Não, é a releitura atual mais interessante - quando bem feita, como é este o caso.

Pessoalmente fazem-me lembrar a cena mais calma dos Rolling Stones, com um cheirinho a Tame Impala... Muito Bom!

segunda-feira, 6 de julho de 2015

A Antropologia e as Questões de Género...

Margaret Mead - Sexo e Temperamento (1935)


Obra seminal de Margaret Mead, de 1935, onde se apresentam os estudos sobre três tribos da Nova Guiné, desde a sua infância à idade adulta, no que diz respeito à sua intimidade. 

As três tribos, bem diferentes entre si (Arapesh, Mundugumor e Tchambuli) ajudam a autora a expor a sua teoria, onde argumenta que as diferenças entre géneros (homem e mulher) não se baseiam em questões sexuais fundamentais, mas sim em condicionantes culturais de diferentes sociedades, ditando posteriormente a base dos estudos que surgiriam sobre a questão de género.

Faleceu em 1978, e durante os anos 60 e 70 tornou-se uma figura conhecida dos Estados Unidos por surgir recorrentemente na televisão, muitas vezes em questões relacionadas com o género.

Um facto curioso, mas de alguma relevância histórica, é que este trabalho de Mead, católica anglicana, ajudou a moldar a revolução sexual dos anos 60, e mesmo em alguns contextos de maior conservadorismo, típico do estilo de vida religioso das sociedade ditas ocidentais da época.

Antropologia em ação, ao serviço da humanidade e da civilização...

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Pelo Tempo: "Jeff Wall – Uma Rajada Intelectual" (2011-08-07)

 

Tento aproveitar esta oportunidade para abordar temas obviamente do meu interesse, como arte, cultura e comunicação em geral, com alguns laivos à sociedade e à política…
Acho importante a presença destes temas no dia a dia das pessoas, sendo mesmo minha convicção que a arte é um dos principais impulsionadores de um verdadeiro desenvolvimento social sustentável, equilibrado e civilizado.
Assim, e numa perspetiva local, tento quando possível, que o teor deste espaço seja regional ou nacional… que não é o caso de hoje.
Há muito que tenho desejo de escrever sobre Jeff Wall, mesmo sendo difícil definir, mas deve ser o meu fotógrafo preferido. Tenho outros, nacionais e internacionais, mas este marcou-me particularmente, talvez por tenha sido através das suas imagens que comecei a aprender sobre fotografia contemporânea.
Nascido em 1946 no Canadá, desde os anos 60 e 70 que se tornou uma das principais figuras da cena artística de Vancouver, cuja escola ajudou a definir através de vários trabalhos escritos de relativa importância. Está sempre muito presente esta cidade no seu trabalho, misturando a sua beleza natural, e decadência urbana e mesmo moral.
Estudou na Universidade de British Columbia e no Courtauld Institute, e depois deu aulas em várias universidades e institutos, assim como publicou outros importantes ensaios sobre fotografia e arte sobre com vários artistas de renome internacional. Entre os vários prémios que já recebeu, destaque para o Hasselblad Award, reconhecido prémio de uma academia sueca em fotografia.
Enquanto estudante, o seu trabalho foi bastante experimental e conceptual, como se deseja num jovem, mas só em 1977 produziu o que se pode definir como as suas primeiras “foto transparências retro iluminadas”, pelo que ficou conhecido mundialmente, geralmente encenadas e referindo-se a problemas da história da arte e filosofia.
Embora seja praticamente impossível referir apenas alguns trabalhos de Jeff Wall, gostaria de destacar “Mimic” (1982), que desmonta o seu estilo cinematográfico: um casal branco e um indivíduo asiático, ambos de frente para a câmara, num ambiente norte-americano suburbano, onde o homem branco, num gesto de troça e racista, levanta com o dedo o canto superior do seu olho, simulando os olhos orientais. No que parece uma fotografia casual, muito trabalho e técnicos foram utilizados, para conseguir naquele momento representar o que Wall desejava, ou seja, aquela tensão social implícita, que afinal se baseava num gesto que o artista tinha mesmo presenciado.
Uma das suas imagens mais conhecidas deve-se ao facto de a banda norte-americana Sonic Youth a ter escolhido para o álbum “The Destroyed Room: B-sides and rarities”, de 2006, uma importante coletânea para os seus fãs. A fotografia, de 1978, deu mesmo origem ao nome do álbum, de extrema importância para o futuro trabalho de Jeff Wall, como que um manifesto contextualizado de revolta e agressão à vida doméstica, ao bom estilo punk académico dos Sonic Youth.
Jeff Wall pretende aperfeiçoar a “arte de não fotografar”, ou seja, procurar as imagens que se escondem numa cidade, e depois a partir delas construir momentos ficcionados para capturar novamente em câmara. E isto é literalmente uma mistura de performance e realidade, em que a fotografia de Jeff Wall se move.
As suas fotografias são cuidadosamente pensadas e ensaiadas, partilhando técnicas e pensamentos do cinema e da pintura, criando um conjunto de imagens que derivam dessas duas técnicas.
Outro exemplo, a finalizar, e uma das minhas peças de referência, é o trabalho “A Sudden Gust of Wind (after Hokusai)”, de 1993, atualmente parte integrante da Tate Gallery. Trata-se de uma transparência das já referidas, com 2,2 x 3,3 metros. Grande e luminosa. É baseada numa xilogravura do artista japonês Katsushika Hokusai, de 1831, que representa a época dos tufões e retrata um grupo de viajantes lutando contra os fortes ventos, agarrando-se aos seus chapéus e haveres.
Jeff Wall transplantou essa imagem para a sua Vancouver, e demonstra um grupo de personagens apanhados desprevenidos por uma súbita rajada, levando um chapéu e muitos papéis pelo ar. O trabalho foi construído a partir de 50 imagens, tiradas ao longo do ano, que depois foram digitalizadas e processadas, quase como na produção de um filme, mas trata-se “apenas” de uma fotografia… isto é Jeff Wall.


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Ganhou o Birdman!

Birdman (2014)

Eu nem queria dizer muito sobre o filme, mas é difícil. Esta história de um atormentado anti-herói apresentado por Michael Keaton (brilhante!), antigo ator de cinema e ícone cultural, que faz uma derradeira viagem na busca de relançar a sua carreira.

O filme foi timidamente surgindo em festivais, lançado a medo nos EUA, e gradualmente ocupando o seu espaço, conquistando os principais prémios​ dos Globos de Ouro, dos Screen Actors Guild Awards e presenças em outros festivais de renome na Europa.

Acabou por culminar na arrecadação dos Óscares de Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Original e Melhor Fotografia.

Se emocionalmente nos arrasta numa maravilhosa história, tecnicamente é um assombro, pois possui loucos e continuados planos, sem edição, que o realizador (Iñarritu) chamou de "realidade incontornável".

E depois o som. Que som - uma banda sonora composta inteiramente de solos de bateria e algumas peças clássicas (como Rachmaninoff ou Tchaikovsky), transmitindo uma cadência e ritmo ideais para o acompanhamento do percurso das personagens e da história.

Obrigado.


quarta-feira, 20 de maio de 2015

Rock do Bom!

​Eagles of Death Metal - Death By Sexy (2006)

Este é o segundo disco dos Eagles of Death Metal - cujo nome assusta mais do que o seu som depois explora..., e foi editado em 2006. Demorou a tornar-se conhecido como um todo, e ajudou o facto de uma das canções ser usada num anúncio para a Nike em 2008 (com Cristiano Ronaldo e companhia), assim como está presente no jogo de computador "Need for Spreed: Carbon" - portanto, intensidade pura!

Rock despretensioso e sentido, de cariz atual e contemporâneo, teve uma excelente reação do público e da crítica, valendo também muito pelo seu espírito satírico e irónico, típico dos seus membros, e fazendo por vezes lembrar os míticos Electric Six.

A parte fixa da banda (os outros vão rodando...) é composta por Jesse Hughes e Josh Homme (líder dos Queens of the Stone Age e antigo membro dos Kyuss) - diversão total!

Puro, bom e divertido rock!

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Pelo Tempo: "A Importância das Políticas Culturais" (2011-08-05)

Este conceito de políticas culturais, muito em voga hoje em dia, e felizmente a merecer o devido respeito, carece de uma definição consensual, como habitual no mundo das artes e cultura, devido não só devido ao elevado teor subjetivo destas questões, mas também por algumas divergências académicas.
Também de país para país varia essa definição, onde por exemplo, na Alemanha a cultura está ligada à educação e ao desporto, enquanto em Itália gere o património e o teatro lírico. Mesmo em Portugal a cultura tem estado sob a tutela de vários ministérios.
Historicamente o próprio conceito também já passou por muito, desde que no início do século XX cumpria um papel reivindicativo, via revolução francesa (Cultura contra o Estado), depois muito ligado à educação e à alfabetização, e mais recentemente, nos anos 60, com o início da democratização das práticas culturais, impulsionado pela França, e em particular pelo seu ministro da cultura de referência, Andre Malraux.
Numa perspetiva simplista poderíamos definir políticas culturais como a realização do poder público de operações, princípios, procedimentos e orçamentos, com vista a melhorar a qualidade de vida dos cidadãos através de atividades culturais.
Mas são também desenvolvidas atualmente por organizações não-governamentais e empresas privadas, saindo da exclusividade da administração pública, ou inclusive atuando em conjunto, resultado de um novo discurso resultante das várias transformações culturais recentes.
Tem duas perspetivas basilares: uma de intenção ampla e genérica, voltada para os valores e património locais; outra de democratização cultural, proporcionando á população o acesso a bens culturais considerados de “elite” ou de “alta cultura”, termos algo perigosos.
O ideal é que se desenhe uma estratégia onde o público seja um participante ativo, dinamizando a cultural local, sem desconsiderar a erudita, centrando-se o foco destas ações na participação e criação dos processos culturais.
Na perspetiva mais académica deste campo das políticas culturais, e na maioria dos estudos em Portugal sobre cultura, seja de abordagem sociológica, histórica ou antropológica, é inevitável a referência à obra “Políticas Culturais em Portugal”, editado em 1998 pelo Observatório das Atividades Culturais, com a coordenação de Maria de Lourdes Lima dos Santos e com a participação de muitos dos especialistas em estudos de cultura no nosso país.
É um trabalho baseado numa iniciativa do Conselho da Europa sobre a avaliação das políticas culturais nacionais, compilou e organizou muita informação sobre legislação e estatística da área cultural, tornando-se o ponto de partida para muitos outros estudos.
Com base nas indicações dadas pelo Conselho da Europa, utilizaram vários instrumentos e indicadores com vista a compilar todos os dados necessários, nomeadamente as linhas diretrizes para a avaliação que tinha sido feita em França e a determinação dos conselhos metodológicos: identificação dos objetivos das políticas culturais, análise dos meios para os atingir e o estudo dos resultados obtidos.
São necessários dois pressupostos para que possa existir uma política cultural: primeiro tem que existir uma convergência e coerência entre o papel que o estado reserva à cultura; e segundo, tem de haver uma visão programada para o futuro, mesmo sendo uma área de difícil definição.
Se durante o Estado Novo o objetivo das políticas culturais era a hegemonia ideológica e cultural do regime, com uma grande tónica de nacionalismo e historicismo, após o 25 de Abril a cultura renasce e começam a surgir novas prioridades.
De uma maneira geral, os vários governos democráticos, com algumas alterações, mantêm as mesas orientações, nomeadamente a democratização, descentralização e apoio à criação.
Nos anos 90 organizaram-se alguns eventos com a intenção de promover a cultura, mas pouco estruturantes, com o objetivo de transmitir uma imagem de Portugal moderno, mas sem um fio condutor.
Foi com a vitória do Partido Socialista em 1995, e com “A Cultura no Coração da Política” de Manuel Maria Carrilho, que a cultura passou a ter verdadeiro estatuto de estado em Portugal, sendo-lhe atribuída importância ministerial (anteriormente secretaria de estado) e fazendo parte da visão para o futuro do país.
Esta coerência e consistência, mantida pelos ministros seguintes (Sasportes e Santos Silva), criou uma estrutura governamental que não mais abdicaria do seu poder, baseada em cinco grandes princípios: democratização, descentralização, internacionalização, profissionalização e reestruturação.
Agora, com o novo governo de Passos Coelho, vemos o papel da cultura reduzido a uma Secretaria de Estado, “devido às circunstâncias”, poderão dizer os mais pragmáticos, mas terá certamente influência no papel da cultura na vida portuguesa.
Atualmente reclama-se a importância das políticas culturais, nacionais, regionais e locais, por todos os agentes culturais intervenientes, públicos e privados, sendo ponto aceite que constituem uma importante parte do desenvolvimento social de um povo.