sexta-feira, 10 de outubro de 2014

"AMOSTRAM'ISSE" - MOSTRA DE CINEMA DOS AÇORES


AMOSTRAM’ISSE COMUNIDADES
Canadá e EUA 2014 (15 a 21 de Outubro)

A Associação Cultural Burra de Milho volta a apresentar o “AMOSTRAM’ISSE” – Mostra de Cinema dos Açores, um evento que consiste na exibição de filmes realizados nos Açores, promovendo os seus criadores, assim como a região, com o apoio do Governo dos Açores e da SATA.

Este é o segundo ano da sua edição, tendo na primeira edição percorrido Angra do Heroísmo, Horta, Ponta Delgada, Lisboa e Porto, atingindo cerca de 700 espetadores. Após a “nacionalização”, segue-se a internacionalização do cinema realizado nos Açores e dos seus criadores, e onde melhor começar do que junto das comunidades emigradas de açorianos e instituições circundantes.

Assim, entre 15 e 21 de Outubro próximo, realizar-se-ão seis sessões junto das referidas comunidades, no Canadá (Ontário) e EUA (Massachusetts), abrangendo várias universidades e coletividades, com vários tipos de públicos, nacionalidades e origens.

Os filmes encontram-se legendados em inglês, facilitando o visionamento e apreciação dos mesmos, mas esta é de facto uma importante diligência em prol da divulgação da língua portuguesa, sendo o feedback dos vários professores envolvidos muito entusiasmante.

A Associação Cultural Burra de Milho fortalece desta forma a aposta que tem vindo a fazer no cinema e na promoção dos jovens criadores dos Açores, indo de encontro aos objetivos da associação, uma vez que a formação de novos públicos e a oferta variada de cinema é uma necessidade premente para o desenvolvimento cultural dos jovens açorianos.

PROGRAMA

UNIVERSIDADE DE YORK (Toronto) - 2014-10-15
- 50 Pesos Argentinos (Bernardo Cabral, 2012, FIC, 12’)
- Deportado (Nathalie Mansoux, 2012, DOC, 67')

UNIVERSIDADE DE TORONTO (Toronto) - 2014-10-16
- Alabote (João Botelho e João Garcia, 2013, FIC, 11')
- 50 Pesos Argentinos (Bernardo Cabral, 2012, FIC, 12’)
- Banana do Pico (Luís Bicudo, 2012, DOC, 27’)

GRUPO AMIGOS DA TERCEIRA (Pawtucket, Rhode Island) - 2014-10-19
- “Montar a Tenda” – Carnaval da Terceira (Montserrat Ciges, Portugal, 2012, DOC, 60')

UNIVERSIDADE DE MASSACHUSETS (North Dartmouth, Massachusetts) - 2014-10-20
- Alabote (João Botelho e João Garcia, 2013, FIC, 11')
- 50 Pesos Argentinos (Bernardo Cabral, 2012, FIC, 12’)
- Banana do Pico (Luís Bicudo, 2012, DOC, 27’)

CASA DOS AÇORES DA NOVA INGLATERRA (Fall River, Massachusetts) - 2014-10-20
- Alabote (João Botelho e João Garcia, 2013, FIC, 11')
- 50 Pesos Argentinos (Bernardo Cabral, 2012, FIC, 12’)
- PDL-LIS (Diogo Lima, Portugal, 2012, DOC, 28').

BRISTOL COMMUNITY COLLEGE (Fall River, Massachusetts) - 2014-10-21
- Alabote (João Botelho e João Garcia, 2013, FIC, 11')
- 50 Pesos Argentinos (Bernardo Cabral, 2012, FIC, 12’)
- Banana do Pico (Luís Bicudo, 2012, DOC, 27’)

Para mais informações: 
Associação Cultural Burra de Milho


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Pelo Tempo: "A Força do Cinema Português nos Açores" (2012-12-15)

Nos passados dias 3 e 4 de Dezembro chegou ao fim o ciclo de cinema contemporâneo português “Amostra-me Cinema Português”, organizado pela Associação Cultural Burra de Milho, onde ao longo de todo o ano de 2012, se procedeu à exibição de um filme por mês, sempre a uma quarta-feira, no Pequeno Auditório do CCCAH.
A ideia do projeto nasceu da falta de visibilidade que estes filmes sofrem na região, e em particular na ilha Terceira, pois não conseguem estrear em salas de grandes distribuidoras, sendo um tipo de filme que podemos considerar de “autor”, logo menos comercial e dirigido para os sucessos de bilheteira e rentabilidade.
O principal reflexo deste ciclo foi o feedback positivo por parte do público, sendo que a maioria ficou a conhecer os novos grandes filmes portugueses (de 2010 a 2012), e algumas pessoas descobriram o cinema de grande qualidade, criatividade e poética visual que se faz no nosso país, tão em voga atualmente por todo o mundo.
Importante também foi o esforço de trazer à Terceira o maior número de realizadores dos filmes exibidos, como Graça Castanheira, Sérgio Tréfaut e Gonçalo Tocha, entre Fevereiro e Dezembro de 2012, que estiveram em conversa com o público presente, antes e depois da exibição dos filmes.
Num cinema mais preocupado com o “espetador” do que com o “público”, é de realçar o número de bilhetes vendidos, estando a maioria das sessões com uma audiência muito considerável para o tipo de cinematografia, o que demonstra o conhecimento e interesse cinéfilo que ainda existe na ilha.
Existiram momentos altos durante o evento, podendo-se destacar a estreia do filme de Gonçalo Tocha, em parceria com o Instituto Açoriano de Cultura, esgotando o CCCAH e o Auditório do Ramo Grande, em noites consecutivas, com o filme sobre o Corvo, “É na Terra, não é na Lua”, ou a exibição do filme sobre José Saramago, de Miguel Gonçalves Mendes, perto da data da sua morte, e finalmente, a estreia regional de “Deste Lado da Ressureição”, de Joaquim Sapinho.
Na sessão dupla de encerramento referida (3 e 4 de Dezembro), foi também exibido “Um Filme Português”, documentário sobre o cinema atual nacional, em jeito de súmula do que foi exibido ao longo do ano, com a presença de um dos realizadores, Jorge Jácome, encerrando-se a noite com uma “conversa” sobre essa atualidade, a que se juntou Vítor Marques, do Cine Clube 9500 (Ponta Delgada).
Este projeto teve de facto um valor significativo no enriquecimento das pessoas que por lá passaram, contribuindo para o desenvolvimento social da ilha, felizmente agraciado por uma interessante quantidade de apoios recebidos, desde a Direção Regional da Juventude, à própria Culturangra/CMAH, RTP-Açores, NewCopy e ViaOceânica.
Terminando então em grande esta mostra, a estreia do mais recente filme de Joaquim Sapinho foi uma sessão deslumbrante. Este reconhecido realizador português (nascido no Sabugal, em 1965), oferece-nos uma verdadeira pérola cinematográfica, onde “sofremos de prazer” com as interrogações e angústias da vida, na eterna busca pela capacidade de amar por parte da nossa humanidade.
Depois de filmes como “Corte de Cabelo” (1995), “A Mulher Polícia” (2003) e “Diários da Bósnia” (2006), o seu grande projeto de trabalho foi este filme, em produção há cerca de 10 anos, atingindo desde 2011 um reconhecimento internacional merecido.
Como refere Laura Quinteiro Brasil, na folha de sala que acompanhou a sessão, trata-se de “um filme sobre a procura do próprio eu, é um filme sobre a necessidade de renascer (…) este filme é este e o outro lado da ressurreição”.
Para 2013 ficou a promessa por parte da organização de desenvolver um projeto semelhante, mas centrado no cinema realizado e produzidos nos Açores, ainda em fase de recolha de apoios financeiros e logísticos, condição essencial à sua realização.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Realmente Ver e Rever Kubrik

​Full Metal Jacket (1987)

Não acho que possa dizer muito sobre este filme - talvez um dos que mais vezes vi, obviamente um favorito (entre muitos, mas favorito...), na maravilhosa versão portuguesa Nascido Para Matar.

É o penúltimo filme de Stanley Kubrik, lançado em 1987, e conta-nos a história de um soldado norte-americano e a sua constatação da desumanização que a guerra do Vietname teve nos seus colegas durante a recruta, e posteriormente no terreno em combate.

Além de ser considerado um dos grandes filmes de guerra, em particular do Vietname (ladeando com Platoon e Apocalypse Now), é também um dos grandes filmes dos anos 80 e da história do cinema mundial.

É só ver e rever.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

"Brilhantes" Interpol

Interpol - Turn on the Bright Lights​ (2002)​

E com este brilho dramático, os Interpol deram-se a conhecer em 2002, estreando-se com Turn on the Bright Lights, tendo instantaneamente entrado nas boas graças de jornalistas e críticos musicais, facilitando-lhes assim o caminho para uma crescente legião de fãs - sendo considerado inclusive o álbum do ano pela prestigiada revista/site Pitchfork, assim como pelo crítico Michael Azerrad.

Além disso tudo, é de facto uma obra prima! Grande som, com uma visão contemporânea do rock de inspiração pós-punk, com sensibilidade, guitarradas e muita poesia. Mesmo pertencendo ao chamado novo indie-rock norte-americano, alcançou igual sucesso na Europa, com grandes vendas atingidas em ambos os continentes, discos de ouro e tudo...

Formados já em 1997, e associados à cena contemporânea de Nova Iorque, são de facto das principais figuras do rock pós-punk atual nos EUA, com associações claras aos Joy Division.

Clássico Contemporâneo.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A Dor por Nanni Moretti

La Stanza del Figlio (O Quarto do Filho, 2001)

Nanni Moretti interpreta um psicanalista, com uma tranquila vida, plena de felicidade familiar e profissional. Mas num triste incidente o filho adolescente morre afogado na praia - a dor é profunda, com muito remorso, e levará a um conjunto de emoções bastante fortes ao longo do filme.

Este filme de 2001 trabalha esses efeitos psicológicos e emocionais da perda de um filho - do mais doloroso que o homem pode experimentar - de uma maneira que só Moretti o podia fazer, com aquela leveza que parece ser real, com a intensidade dos momentos mais tristes que todos conhecemos, e com um sentido ético extremamente apurado.

Cru e realista, foi vencedor da Palma de Ouro em Cannes (2001), sendo também considerado um dos melhores 500 filmes de todos os tempos da credenciada Revista Empire.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

História da Música - Séc XX

Jefferson Airplane - Surrealistic Pillow (1967)

Este mítico álbum de 1967 é uma das grandes referências na história da música popular contemporânea no que diz respeito à fusão entre o folk, o rock e o psicadélico, em pleno espírito dos anos 60, lançando também assim esta banda de culto, por vezes pouco referenciada na Europa, mas de estatuto nos EUA.

Foi Disco de Ouro nos EUA, ladeando com os Beatles e os Rolling Stones ou ainda os Velvet Underground. Já mais recentemente, foi considerado pela revista Rolling Stone como um dos melhores 500 discos de sempre (146º), tendo sido várias vezes reeditado ao longo dos anos.

Os Jefferson Airplane surgem no movimento musical de São Francisco, dois anos antes, sendo pioneiros da contra-cultura psicadélica da época, e mesmo a primeira banda do género a obter notoriedade nacional e internacional, passando por Monterey e Woodstock (entre muitos outros), assim como no famoso Festival da Ilha de Wight.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Pelo Tempo: "Jorge Barros - Aproximações" (2012-12-04)

Como noticiado por este jornal, durante o mês de Novembro esteve patente a exposição de fotografia “Aproximações”, de Jorge Barros, no átrio do Cento Cultural de Angra, numa iniciativa do Instituto Açoriano de Cultura, e com o apoio do Governo Regional dos Açores, neste caso integrada nas IV Jornadas de Reflexão de Animação Turística.
É composta por cerca de 40 imagens, aos pares, demonstrando particularidades do nosso património cultural (móvel e imaterial), sendo uma imagem oriunda do continente português e a outra dos Açores, ambas do arquivo pessoal de Jorge Barros.
Através da sua objetiva, solidificou-se o conceito de identidade nacional existente entre o território insular e continental, por vezes tão esparsa no dia-a-dia… Com estas imagens, encurtam-se então as impostas distâncias geográficas, dando lugar a uma complexa proximidade cultural.
Como diz o autor, no catálogo que acompanha o evento, são registos de “gestos e olhares do quotidiano em atos culturais de lugar em lugar, raiz e seiva espiritual que nos torna grandes como povo”.
Segundo o fotógrafo, este trabalho pretende ser “uma troca de olhares entre o continente e as ilhas açorianas”, sobre as quais pediu “a amigos escritores que escrevessem sobre elas”, o que veio a acontecer, como o caso de Alice Vieira ou Vasco Graça. Contextualizando, afirmou ainda ser este o seu “manifesto pessoal contra o desinvestimento na cultura”.
A exposição foi pela primeira vez apresentada durante as Sanjoaninas 2009, na galeria do IAC, tendo entretanto estado patente em Lisboa, Alcobaça, Varzim, Faial, Pico, Corvo e Flores, onde foi visitada pelo Presidente da República quando da sua passagem por esta ilha. Ainda bem que tem sido mostrada.
Jorge Barros nasceu em Alcobaça, no ano de 1944, e é um reconhecido fotógrafo, editado em variadas publicações, e muitas vezes fornecendo imagens para textos de autores conceituados. Quase sempre focado numa temática humana, já viajou por todo o país, sempre com uma sensibilidade que realça características culturais e etnográficas dos habitantes locais, nutrindo uma feliz “inclinação” pelos Açores.
É de louvar a sua afetividade, que acaba por realçar ainda mais o humanismo nas imagens que apresenta, sendo uma sua conhecida frase bem exemplificativa disso: "o mais importante foi, é, tornar gente Feliz!"