quinta-feira, 10 de outubro de 2013

The Album Leaf - mais introspecção...


​The Album Leaf​ - ​In a Safe Place (2004​)

Aqui está um daqueles projetos que admiro muito, mas que infelizmente tem pouca ou nenhuma divulgação. Também é um género introspetivo, pouco comercial e nada dançável, talvez alguns dos motivos do desconhecimento... mas é muita bom!

Projeto já com 15 anos, trata-se do produto da criatividade de Jimmy LaValle, da banda norte-americana Tristeza, com inspirações na música clássica, jazz e no riquíssimo pós-rock, numa postura ecléctica, misturando esses sons com ruídos, transmissões de rádio, etc...

Cedo deu nas vistas no mundo particularmente artístico do pós-rock, abrindo concertos para bandas como os Sigur Rós (que foi aliás como o conheci...). Em 2004 produz então In A Safe Place, no mesmo estúdio da banda islandesa referida e editado pela Sub Pop. Já gravou mais três álbuns entretanto, mas a minha preferência vai para este trabalho.

É um disco meditativo, profundo, que mesmo podendo parecer repetitivo em certas ocasiões, leva-nos certamente à introspeção, num onda de emoções que termina num grande vazio - relaxante (?).

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Pelo Tempo: "A angústia humana através do cinema" (2012-03-03)

Começou bem o ciclo de filmes organizado pela Associação Cultural Burra de Milho, intitulado “Amostra-me Cinema Português”, na passada quarta-feira, no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo. Com este ciclo pretende-se ao longo do ano exibir um filme português por mês, sempre a uma quarta-feira, dando a conhecer o excelente trabalho que se tem feito em Portugal nesta área.
Numa época em que temos de promover o que é nosso e desenvolver o máximo possível de áreas de crescimento, o cinema encontra-se de facto numa onda positiva, com vários prémios internacionais para realizadores portugueses, como o caso do filme desta quarta-feira, “Angst”, de Graça Castanheira. Depois de ter sido premiado no CineEco 2011 e no Cineport 2011, este documentário foi premiado no Festival Cinemed 2011, Festival Internacional de Montpellier (França).
É um filme muito intimista, onde nos é transmitida a opinião sentida da realizadora, sobre o papel do Homem no planeta, com base em clássicos grandes planos de poderosas imagens, aliadas a uma narrativa consistente, de cariz filosófico sobre a actual e futura situação da humanidade.
As grandes preocupações partilhadas pela realizadora são a sobrepopulação do planeta e o risco do esgotamento das energias fósseis, assim como do próprio espaço para vivermos em sociedade como a entendemos. No entanto, afirmou que gostaria de viver no século XXII, talvez por acreditar que nos vamos “safar” desta e ter curiosidade de ver como isso acontecerá.
O título do filme baseia-se numa curiosa palavra alemã, “Angst”, que significa medo ou ansiedade, nomeadamente um conflito intenso e interno. A filosofia, mais especificamente na sua corrente do existencialismo, utiliza o termo para descrever uma profunda condição de insegurança e medo por parte do ser humano livre, tendo como principal referência o filósofo Kierkegaard. Ou seja, o medo de falhar perante Deus, seja em sentido religioso, ou figurado.
Foi talvez para combater esse medo que Graça Castanheira realizou este filme. Nascida em 1962, em Angola, é uma das referências actuais do cinema documental em Portugal. Formou-se em Cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema, onde é actualmente professora, assim como na Restart – Instituto de Criatividade, Artes e Novas Tecnologias.
Já recebeu vários prémios ao longo da sua carreira, que conta com 10 filmes, e fez parte do grupo fundador da Associação pelo Documentário, que promove o festival DocLisboa. Desde 2008 que tema sua própria produtora, a Pop Filmes.
De realçar que após a exibição do filme, a realizadora esteve presente no Centro Cultural de Angra, disponível para uma breve conversa e troca de impressões com o público presente (cerca de 50 pessoas), onde se mostrou simpática, agradecida e convicta da mensagem do seu filme.
Ficou bem patente a intenção e mensagem por parte da Associação Cultural Burra de Milho, ou seja, fazer as pessoas verem cinema português, e "verem" que é de facto um bom cinema.

PS. Nos primórdios do Amostram'isse...

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O Outro Lado da Lua

​M​oon (2009)

Filme de estreia de Duncan Jones (auspiciosa...), este exercício de ficção científica aborda questões profundas da humanidade, muito mais que naves e extraterrestres (não é que não goste...).

O filme vive da representação de Sam Rockwell, um astronauta que se encontra a viver sozinho numa missão mineira na Lua, à cerca de três anos, assim como da voz de Kevin Spacey, que dá vida ao computador que acompanha as actividades diárias do astronauta/mineiro.

Ao longo do filme explora-se a paranóia e perturbação que Sam Rockwell vai sentido ao chegar ao término do seu contrato, sem qualquer contacto recente com a terra e a sua família, e abalado por um acidente que vai quebrar com todo o seu isolamento...

Bom e intenso.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Os requintados De-Phazz

​De-Phazz - Big (2009)

De vez em quando também gosto de relaxar. E com música. E assim surgiram os De-Pahzz na minha vida, numa época dominada pelo trip-hop e chill out, com destaque para Kruder & Dorfmeister, Stefan Pompougnac, Air e Massive Attack, deparei-me com os vários trabalhos de extrema qualidade deste agrupamento germano-austríaco, com o destaque para este Big (2009), Death by Chocolate (2001) e também Daily Lama (2002).
Como sempre, exploram aqui uma vastidão de música, do soul ao jazz, passado pelo easy linstenig e música de origem latina, com inspiração nos grandes clássicos, posicionando-se claramente numa postura de música ambiente e lounge, mas com uma qualidade e criatividade muito requintada - não há de facto outra palavra... requintada.


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

AMOSTRAM'ISSE - PONTA DELGADA - 14 a 18 OUTUBRO



Continua o "AMOSTRAM'ISSE" - Mostra de Cinema dos Açores, desta vez em Ponta Delgada, de 14 a 18 de Outubro no Teatro Micaelense. Depois de Angra e Horta, segue-se agora a exibição em São Miguel de 13 filmes realizados por açorianos, ou realizados nos Açores, onde se desmistifica o facto de não haver qualidade nem criatividade na área do cinema na região.

É também uma altura para aproveitar o momento e falar sobre o cinema, o que se fez, o que se faz, e obviamente, o que se pode fazer, tentado reunir profissionais, apaixonados e responsáveis da arte.