Passagem Transparente (2012)
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Vintage Eletro-Pop
Destroyer - Kaputt (2011)
Este já é o nono álbum dos Destroyer, pouco divulgados em Portugal, mas uma banda com uma maturidade e experiência incríveis, tendo este trabalhado sendo considerado um dos melhores discos de 2011 por algumas revistas da especialidade.
Com origem no génio criativo de Daniel Bejar (que já colaborou com os The New Pornographers), surge-nos mais um disco onde a base musical pode situar-se algures entre os anos 70 e 80, mas com uma complexidade por vezes difícil de perceber, essa sim, bastante contemporânea.
É um vintage eletro-pop, calminho, com um "saxofonezinho" de fundo, numa batida romântica, com letras sentidas.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
quinta-feira, 11 de julho de 2013
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Pelo Tempo: "Ai Ai Wei Wei!" (2012-02-08)
Por mais do que uma vez
utilizei esta espaço com textos sobre a ligação entre direitos humanos e arte,
mais especificamente sobre o realizador iraniano Jafar Panahi. Existe uma certa
lógica nesta relação, pois não é a essência da arte um grito de revolta? Seja
percecionada como bela ou não, mas existe uma mensagem, algo a constatar ou
alertar.
O mais recente caso que tem
alertado a comunidade artística internacional, e não só, refere-se ao fabuloso
artista plástico chinês Ai Weiwei. Nascido em 1957, é o mais prolífico artista
e activista chinês da actualidade, percorrendo desde a arquitectura ao cinema,
sempre com um pendor de crítica social, atacando o governo chinês sobre
questões óbvias de democracia e direitos humanos.
Estudou cinema da Academia
de Cinema de Pequim, e depois viveu uns anos nos Estados Unidos, até 1993,
passando pela Parsons School of Design, sempre criando arte bastante
conceptual, alterando objectos banais, como vasos ou jarros.
Regressa à China devido a
doença do pai, e logo começa a estabelecer uma nova vaga de modernismo
artístico, criando primeiro uma espécie de East Village em Pequim e depois
publicando três livros sobre a nova geração de artistas chineses. Desde então
tem sido muita a sua produção, desde a criação de empresas de design e
arquitectura, até a um arquivo de arte contemporânea chinesa.
Já expôs por todo o mundo,
em todas as instituições de referência, assim como em todas as bienais de
renome, como Veneza e São Paulo e na Documenta. Aliás, a sua participação nesta
última, o principal evento mundial de arte contemporânea, em 2007, é
significativo da sua criatividade: espalhou por todo o espaço da exposição 1001
cadeiras antigas chinesas, e construiu uma estrutura no exterior com 1001
portas recuperadas de casa das dinastias Ming e Qing. Depois trouxe 1001
pessoas consigo da China para uma pequena cidade alemã, recrutadas pela
internet. Criou as roupas e malas para usarem, e a lógica era circularem pela
cidade durante três meses, enquanto habitavam numa antiga fábrica têxtil,
também recuperada e redesenhada por Ai Weiwei.
As suas imagens mais
mediáticas, são os vasos, tipo dinastia Ming, pintados com o logótipo da
Coca-Cola, assim como a sua instalação “Sunflowers Seeds” (Sementes de
Girassóis), na renomeada Tate Gallery em Londres, em Outubro de 2010. Esta
última consistia em cem mil sementes de girassol feitas em porcelana, pintadas
à mão por 1600 artesãos chineses, espalhados por uma vasta área da galeria,
solicitando mesmo aos visitantes que andassem e rolassem por cima das sementes,
com vista a experimentarem e contemplarem a essência dos seus comentários sobre
o consumo de massas, indústria chinesa, fome e trabalho colectivo. Em Fevereiro
de 2011 venderam-se 100 quilos de sementes por cerca de 600 mil euros, na Sotheby’s
de Londres, muito acima do esperado!
Depois de várias detenções e
ataques, foi preso novamente em Abril deste ano, supostamente por não ter pago
os impostos relativos a uma empresa de arquitectura que possui. Durante uma
semana nem a sua família soube onde se encontrava.
É óbvio que o seu trabalho é
provocatório, e num país como a China acabaria por ser preso mais cedo ou mais
tarde. Mas a resposta internacional foi imensa, a começar pela organização da
campanha “Libertem Ai Weiwei” através de arte de rua, dando origem a centenas
de grafitis por todo o mundo exigindo a sua libertação, até à colocação de uma
grande faixa pela própria Galeria Tate, à condenação do acto pela União
Europeia e Governo dos Estados Unidos.
A comunidade internacional
mobilizou várias petições e movimentos, tendo sido a mais simbólica a “1001
Cadeiras para Ai Weiwei”, onde a 17 de Abril artistas de todos o mundo foram
convidados a levarem cadeiras para a frente de embaixadas e consulados chineses
por todo o planeta.
Assim, a 22 de Junho, as
autoridades chinesas libertaram finalmente Ai Weiwei, sobre caução, e
encontrando-se proibido de sair de Pequim por um ano. Ficou também inibido de
utilizar a internet e em particular as redes sociais, algo que… mal teve
oportunidade, não cumpriu. Recentemente, via Twitter, garantiu ter sido detido
ilegalmente, e apenas pelas suas opiniões. Foram apenas três mensagens, pois
esta rede encontra-se proibida na China, e é necessário furar o sistema para
ter acesso. Nelas, descreve o estado de alguns colegas na prisão, denunciando
os danos e torturas a que são sujeitos.
É sem dúvida curiosa a
utilização de materiais com referências tanto antigas por parte deste artista,
como os vasos da dinastia Ming, pois em pleno século XXI continuam a haver
atropelos desta dimensão no que diz respeito aos direitos humanos e liberdade.
Sabemos que a China é um caso bicudo (sem segundas intenções), mas cada um à
sua maneira tem de tentar agir com vista ao fim destas situações.
terça-feira, 9 de julho de 2013
A dor, sempre presente nos Dardenne
O Filho (Le Fils) (2002)
Neste magnífico filme dos irmãos Dardenne, voltamos a ser confrontados com a sua exploração das emoções humanas, que podem surgir na mais mundana das situações, assim como no mais intenso dos momentos.
Vão-nos contar, lenta e pormenorizadamente a história de Olivier (Olivier Gourmet, prémio de melhor ator em Cannes), um carpinteiro que perdeu o seu filho há cinco anos, e que ensina jovens num centro de formação, onde se concentra num jovem, Francis, que toma como seu aprendiz, e por quem desenvolve uma estranha fixação, explicada apenas no fim do filme...
O perdão, a dureza da realidade, a dor - são elementos presentes, onde viajamos pelas emoções, esperanças e ansiedades dos membros da história, de uma maneira que se torna impossível não nos sentirmos ligados, sentido pena, paixão, compreensão e tristeza. Um saboroso desconforto...
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Hotel Costes, by Stéphane Pompougnac
Stéphane Pompougnac - Hôtel Costes, Vol. 2: La Suite (1999)
Este produtor francês, em meu entender, revolucionou e estandardizou um conceito de música easy listening / club dance... que poderíamos desmaterializar em música electrónica suave, com uma forte base jazística e um ritmo lento, ideal para átrios de hotéis e bares onde se pode conversar...
Se comercialmente esse é o alvo, a nível musical tem um sentido bastante ecléctico e de muita qualidade, com um funk/jazz muito bem escolhido e misturado, principalmente nestas colectâneas editadas pelo Hotel Costes (em Paris), onde podemos, por exemplo, encontrar uma delicada e divertida mistura de "Carnaval de São Vicente" de Cesária Évora, que em nada ofende nem deturpa a música original, e lança aliás o sentido do disco, um pouco retro, mas fashion q.b., com toques de anos 60 e 70 e ainda daqueles maravilhosos filmes de classe B...
Se não me engano, esta colectânea já vai em 15 ou 16 discos lançados, mas dos vários a que já tive acesso, este é para mim, sem dúvidas nenhumas, o melhor - um grande disco!
Chill...
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