quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Vintage Eletro-Pop

Destroyer - Kaputt (2011)

Este já é o nono álbum dos Destroyer, pouco divulgados em Portugal, mas uma banda com uma maturidade e experiência incríveis, tendo este trabalhado sendo considerado um dos melhores discos de 2011 por algumas revistas da especialidade.
Com origem no génio criativo de Daniel Bejar (que já colaborou com os The New Pornographers), surge-nos mais um disco onde a base musical pode situar-se algures entre os anos 70 e 80, mas com uma complexidade por vezes difícil de perceber, essa sim, bastante contemporânea.
É um vintage eletro-pop, calminho, com um "saxofonezinho" de fundo, numa batida romântica, com letras sentidas.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Pelo Tempo: "Ai Ai Wei Wei!" (2012-02-08)

Por mais do que uma vez utilizei esta espaço com textos sobre a ligação entre direitos humanos e arte, mais especificamente sobre o realizador iraniano Jafar Panahi. Existe uma certa lógica nesta relação, pois não é a essência da arte um grito de revolta? Seja percecionada como bela ou não, mas existe uma mensagem, algo a constatar ou alertar.
O mais recente caso que tem alertado a comunidade artística internacional, e não só, refere-se ao fabuloso artista plástico chinês Ai Weiwei. Nascido em 1957, é o mais prolífico artista e activista chinês da actualidade, percorrendo desde a arquitectura ao cinema, sempre com um pendor de crítica social, atacando o governo chinês sobre questões óbvias de democracia e direitos humanos.
Estudou cinema da Academia de Cinema de Pequim, e depois viveu uns anos nos Estados Unidos, até 1993, passando pela Parsons School of Design, sempre criando arte bastante conceptual, alterando objectos banais, como vasos ou jarros.
Regressa à China devido a doença do pai, e logo começa a estabelecer uma nova vaga de modernismo artístico, criando primeiro uma espécie de East Village em Pequim e depois publicando três livros sobre a nova geração de artistas chineses. Desde então tem sido muita a sua produção, desde a criação de empresas de design e arquitectura, até a um arquivo de arte contemporânea chinesa.
Já expôs por todo o mundo, em todas as instituições de referência, assim como em todas as bienais de renome, como Veneza e São Paulo e na Documenta. Aliás, a sua participação nesta última, o principal evento mundial de arte contemporânea, em 2007, é significativo da sua criatividade: espalhou por todo o espaço da exposição 1001 cadeiras antigas chinesas, e construiu uma estrutura no exterior com 1001 portas recuperadas de casa das dinastias Ming e Qing. Depois trouxe 1001 pessoas consigo da China para uma pequena cidade alemã, recrutadas pela internet. Criou as roupas e malas para usarem, e a lógica era circularem pela cidade durante três meses, enquanto habitavam numa antiga fábrica têxtil, também recuperada e redesenhada por Ai Weiwei.
As suas imagens mais mediáticas, são os vasos, tipo dinastia Ming, pintados com o logótipo da Coca-Cola, assim como a sua instalação “Sunflowers Seeds” (Sementes de Girassóis), na renomeada Tate Gallery em Londres, em Outubro de 2010. Esta última consistia em cem mil sementes de girassol feitas em porcelana, pintadas à mão por 1600 artesãos chineses, espalhados por uma vasta área da galeria, solicitando mesmo aos visitantes que andassem e rolassem por cima das sementes, com vista a experimentarem e contemplarem a essência dos seus comentários sobre o consumo de massas, indústria chinesa, fome e trabalho colectivo. Em Fevereiro de 2011 venderam-se 100 quilos de sementes por cerca de 600 mil euros, na Sotheby’s de Londres, muito acima do esperado!
Depois de várias detenções e ataques, foi preso novamente em Abril deste ano, supostamente por não ter pago os impostos relativos a uma empresa de arquitectura que possui. Durante uma semana nem a sua família soube onde se encontrava.
É óbvio que o seu trabalho é provocatório, e num país como a China acabaria por ser preso mais cedo ou mais tarde. Mas a resposta internacional foi imensa, a começar pela organização da campanha “Libertem Ai Weiwei” através de arte de rua, dando origem a centenas de grafitis por todo o mundo exigindo a sua libertação, até à colocação de uma grande faixa pela própria Galeria Tate, à condenação do acto pela União Europeia e Governo dos Estados Unidos.
A comunidade internacional mobilizou várias petições e movimentos, tendo sido a mais simbólica a “1001 Cadeiras para Ai Weiwei”, onde a 17 de Abril artistas de todos o mundo foram convidados a levarem cadeiras para a frente de embaixadas e consulados chineses por todo o planeta.
Assim, a 22 de Junho, as autoridades chinesas libertaram finalmente Ai Weiwei, sobre caução, e encontrando-se proibido de sair de Pequim por um ano. Ficou também inibido de utilizar a internet e em particular as redes sociais, algo que… mal teve oportunidade, não cumpriu. Recentemente, via Twitter, garantiu ter sido detido ilegalmente, e apenas pelas suas opiniões. Foram apenas três mensagens, pois esta rede encontra-se proibida na China, e é necessário furar o sistema para ter acesso. Nelas, descreve o estado de alguns colegas na prisão, denunciando os danos e torturas a que são sujeitos.
É sem dúvida curiosa a utilização de materiais com referências tanto antigas por parte deste artista, como os vasos da dinastia Ming, pois em pleno século XXI continuam a haver atropelos desta dimensão no que diz respeito aos direitos humanos e liberdade. Sabemos que a China é um caso bicudo (sem segundas intenções), mas cada um à sua maneira tem de tentar agir com vista ao fim destas situações.

terça-feira, 9 de julho de 2013

A dor, sempre presente nos Dardenne

O Filho (Le Fils) (2002)

Neste magnífico filme dos irmãos Dardenne, voltamos a ser confrontados com a sua exploração das emoções humanas, que podem surgir na mais mundana das situações, assim como no mais intenso dos momentos.

Vão-nos contar, lenta e pormenorizadamente a história de Olivier (Olivier Gourmet, prémio de melhor ator em Cannes), um carpinteiro que perdeu o seu filho há cinco anos, e que ensina jovens num centro de formação, onde se concentra num jovem, Francis, que toma como seu aprendiz, e por quem desenvolve uma estranha fixação, explicada apenas no fim do filme...

O perdão, a dureza da realidade, a dor - são elementos presentes, onde viajamos pelas emoções, esperanças e ansiedades dos membros da história, de uma maneira que se torna impossível não nos sentirmos ligados, sentido pena, paixão, compreensão e tristeza. Um saboroso desconforto...

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Hotel Costes, by Stéphane Pompougnac

Stéphane Pompougnac - Hôtel Costes, Vol. 2: La Suite (1999)

Este produtor francês, em meu entender, revolucionou e estandardizou um conceito de música easy listening / club dance... que poderíamos desmaterializar em música electrónica suave, com uma forte base jazística e um ritmo lento, ideal para átrios de hotéis e bares onde se pode conversar...
Se comercialmente esse é o alvo, a nível musical tem um sentido bastante ecléctico e de muita qualidade, com um funk/jazz muito bem escolhido e misturado, principalmente nestas colectâneas editadas pelo Hotel Costes (em Paris), onde podemos, por exemplo, encontrar uma delicada e divertida mistura de "Carnaval de São Vicente" de Cesária Évora, que em nada ofende nem deturpa a música original, e lança aliás o sentido do disco, um pouco retro, mas fashion q.b., com toques de anos 60 e 70 e ainda daqueles maravilhosos filmes de classe B...
Se não me engano, esta colectânea já vai em 15 ou 16 discos lançados, mas dos vários a que já tive acesso, este é para mim, sem dúvidas nenhumas, o melhor - um grande disco!
Chill...