Viste o Sol e Fugiste (2005)
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
magnolia
Magnolia (1999)
Aqui está um dos grandes filmes da minha geração, pelo menos de uma abrangência razoável, e com sucesso comercial inclusive, mas acima de tudo, um grande filme de Paul Thomas Anderson (Boogie Nights, Punch-Drunk Love e There Will Be Blood).
Este drama, com elenco de luxo (Tom Cruise no seu melhor, Phillip Seymour Hoffman a começar a brilhar e o sempre surpreendente William H. Macy), é um conjunto de pequenas e aparentemente isoladas histórias, que se cruzarão num mosaico sobre felicidade, perdão e significado da vida.
Uma das frases do filme exemplifica o alcance que teve em inúmeras discussões:
- "We might be through with the past, but the past ain't through with us"...
Para acabar com chave de ouro, a banda sonora é fantástica, no melhor trabalho de Aimee Mann, a quem foi atribuído o trabalho, embora conte com músicas de Gabrielle, Supertramp e Jon Brion.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
A parte ecléctica dos Beatles
The Beatles - The Beatles (1968)
É até estranho comentar o trabalho e legado dos Beatles, mas vou tentar não me deixar impressionar pela sua dimensão. Este disco, mais comummente conhecido como o "álbum branco", é o nono dos Beatles, de 1968.
Conhecido também por ter sido o resultado de um período menos bom para o ambiente na banda, após a também famosa visita ao Maharishi Mahesh Yogi, um guru indiano, numa viagem de grupo espiritual.
Mesmo com tantas divisões e brigas na banda (Ringo Starr chegou a abandonar as gravações, ficando McCartney na bateria...), e com uma reacção fraca por parte dos ouvintes, o disco é considerado um marco da música do século XX, devido principalmente ao seu ecletismo. Vendeu 30 milhões de cópias, e chegou ao top de álbuns do século da revista Rolling Stone (n.º 19).
Obrigado Beatles.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Clint Eastwood: "cabóiada" com emoções...
Unforgiven (1992)
Um western à moda antiga, com toques de brilhantismo ao nível da realização, do homem que agora deu para falar com cadeiras vazias - mas os grandes génios são assim mesmo...
Além da qualidade do filme, do elenco incrível (Clint Eastwood, Gene Hackman e Morgan Freeman, entre outros), e da referida brilhante realização, existe ainda uma diferente áurea, onde se abordam questões básicas da humanidade e da sociedade, explanando o porquê de tanta violência naquele período da história norte-americana, como a insegurança masculina e a influência do álcool (aliás, temas perfeitamente atuais...).
Este memorável filme de 1992 acabou por arrecadar os Óscares de melhor filme, melhor realizador e ainda melhor ator secundário (Hackman), assim como outras nomeações e prémios.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Pelo Tempo: "Festivais Para Todo o Gosto" (2011-07-15)
Novo governo, novas regras, o mesmo medo. É Portugal, na sua sintomática realidade, da qual não se desprende por um conjunto infinito de maus hábitos há muito instalados… mas isso é mesmo assim, e o que gostamos é de festa!
Nem quero abordar o cliché cultural dos açorianos (e terceirenses em particular) serem especialistas em festa, mas sim o que se passa ao nível nacional: só quatro festivais de música de verão vão receber cerca de 500 mil pessoas!
Combatendo a crise com nomes ainda maiores e estrategicamente mais aliciantes para o público, a austeridade não se demonstra nos festivais de grande dimensão a realizar este ano. Tivemos o Optimus Alive, com um orçamento de 6,5 milhões de euros, e talvez uma das melhores razões para sucumbir ao calor de Lisboa no verão: os Coldplay, banda inglesa que atualmente arrasta multidões aos palcos europeus, roubando a primazia aos eternos U2.
Depois, ainda em julho e agosto, também se esperam grandes enchentes nos festivais do Sudoeste TMN e Super Bock Super Rock, ultrapassando as vendas do ano passado, e com uns interessantes 15% de público estrangeiro.
Numa outra dimensão, mas ainda com alguma importância, temos o Festival Paredes de Coura, também em agosto, e com orçamento reforçado, superior a 2 milhões de euros, empregando cerca de 500 pessoas numa zona do interior do país.
Além dos mediáticos artistas que passam por estes grandes eventos, de tendência megalómana e massificada, muitos outros decorrem em Portugal durante o verão, com outra dimensão, e necessariamente, outra atenção ao pormenor.
Gostaria de destacar o Festival Med, que se realiza em Loulé, por onde passaram 22 mil pessoas em quatro dias, contando este ano com George Clinton (o pai do funk!) como cabeça de cartaz. Trata-se da oitava edição de um festival dedicado apenas à música do mundo, no centro histórico de uma pequena e turística cidade algarvia. São seis palcos no centro histórico, restaurantes, exposições e teatro a acontecer pela cidade, que ainda contou este ano com os Afrocubism e os Balkan Brass Battle.
Mas o grande momento em Portugal dedicado exclusivamente à música do mundo é o FMM (Festival Músicas do Mundo), que se realiza em Sines desde 1999. No ano passado estiveram cerca de 90 mil pessoas, distribuídos por quatro dias, vários palcos e atividades, sendo o destaque para a edição de 2011 a presença dos galegos Berrogüeto e da brasileira Luísa Maita, assim como do projeto “O Experimentar Na M’Incomoda”, onde a música tradicional açoriana é reinventada através do digital, numa ideia de Pedro Lucas.
No que diz respeito à música de tendência erudita, que muito público tem em Portugal, deve-se realçar o Festival de Sintra, em julho, na sua 46ª edição, e pela mesma altura, o Festival Internacional de Música de Espinho, este na sua 37ª edição, e sempre com um cartaz de exceção.
Mas muitos outros festivais acontecem em Portugal durante o verão, alguns ganhando já notória dimensão, como o Delta Tejo, com músicas originárias de países produtoras de Café, no início de julho, em Oeiras; o Festival Marés Vivas, a meio de julho em Vila Nova de Gaia, e em setembro a eterna Festa do Avante, com um cariz mais específico, mas muito festivaleiro!
Outro festival que vem ganhando nome e respeito é o CoolJazz Fest, realizando-se no fim de julho, este ano com vários nomes, entre os quais Seal, Cuca Roseta e Maria Rita.
Saindo da música, temos o aclamado Festival de Teatro de Almada, na sua 28ª edição, que além de espetáculos, inclui ainda exposições, colóquios e debates, entre 4 e 18 de julho, em Almada, Lisboa e Porto.
A nível regional também não ficamos atrás, pois nos últimos anos tem-se consolidado o conceito de festival, muito devido à redescoberta mobilidade entre ilhas, via Atlanticoline. Começando logo em junho pelas Sanjoaninas, que oferecem sempre um cartaz único, seguido pelas Festas da Praia (início de agosto), a Maré de agosto e o Azurre, durante o mês de agosto, e estes talvez com um conceito mais perto de festival, e em setembro, a concluir, o AngraRock.
Por fim, gostava de falar de dois festivais menos comerciais e se quisermos, ligeiramente “alternativos”: o Festival Para Gente Sentada, em Santa Maria da Feira, dedicado apenas a cantautores, tendo já passado por lá nomes como Sufjan Stevens ou Davendra Banhart; e o Festival ao Largo, com música sinfónica e coral, dança e bailado ao ar livre, tudo isto à porta do Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, e com acesso gratuito.
Bom verão!
PS. Vem a jeito, recordar este artigo, em plena fase de trabalho para um projeto da Associação Cultural Burra de Milho, com o apoio da Direção Regional da Cultura, com vista à realização de um documentário sobre o mítico festival da Riviera, o "Musical Açôres 1976".
terça-feira, 6 de novembro de 2012
O Magnífico Absurdo de Kafka
Franz Kafka - O Processo (1925)
Este romance de Franz Kafka marcou a minha adolescente paixão pela leitura, acima de tudo, pelas possibilidades de criatividade e complexidade que um género de literatura como o romance tem.
Curiosamente do mesmo ano do livro agora em destaque no blogue (Ensaio Sobre a Dádiva, de Marcel Mauss), aqui Kafka conta a história de Josef K., um personagem que um dia acorda, e sem razão aparente, é preso e sujeito a um longo e pesaroso processo em tribunal por um crime não revelado...
Toda a atmosfera carregadíssima em que a narrativa se enquadra é marcante do estilo e universo "kafkiano", onde o absurdo existencial é levado ao limite! No entanto, revela-nos um humanismo muito profundo, levando a colocar questões sobre a nossa inocência no geral da nossa existência.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
A profundidade em Zach Condon (Beirut)
Beirut - The Flying Club Cup (2007)
Zach Condon continua a impressionar. Com os seus 21 anos de idade, realiza outro trabalho de uma profundidade e criatividade incríveis. The Flying Club Cup é um álbum que tresanda a maturidade, muito composto, e com a já habitual inspiração de orquestras de sopro da Europa de Leste (à Kustorica), assim como um tom folk baseado em instrumentos de corda.
Um trabalho muito pensado, divertido e sofisticado, que se resume em mais um álbum de sucesso de Zach Condon (Beirut).
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Uma Coisa em Forma de Assim (2011-07-08)
Mesmo numa quarta-feira, mesmo sem ser no
Teatro Angrense, e em pleno momento de crise, foi louvável a iniciativa da
Culturangra em brindar a cidade com o espetáculo “Uma Coisa em Forma de Assim”,
da Companhia Nacional de Bailado.
Com uma casa quase cheia, o espetáculo acabou
por resultar no grande auditório do Centro Cultural, algo que alguns elementos
do público temiam, ou pelo simples facto de preferirem sempre o já referido
espaço.
Seria louvável que todas as grandes instituições
públicas com responsabilidades na arte promovessem digressões nacionais, uma
das melhores formas de levar a todo o território, principalmente ilhas,
espetáculos de grande qualidade, e acima de tudo, de grande atualidade, pelo
menos no panorama nacional.
Neste caso suplantou-se esse mesmo propósito,
pois trata-se de uma obra criada por alguns dos mais importantes coreógrafos
portugueses, a convite da Companhia Nacional de Bailado, ficando a composição e
interpretação musical a cargo de Bernardo Sassetti.
A ideia teve origem com vista a assinalar o
Dia Mundial da Dança, no passado dia 29 de abril, juntando os coreógrafos
Francisco Camacho, Clara Andermatt, Benvindo Fonseca, Rui Lopes Graça, Rui
Horta, Paulo Ribeiro, Olga Roriz, Madalena Victorino e Vasco Wellenkamp,
artistas com trabalhos muito distintos, para trabalhar com os bailarinos
residentes da companhia, e com a magnífica oportunidade de ter a música
interpretada ao vivo pelo próprio autor.
Durante junho e julho a companhia partiu
então em digressão por todo o país, cabendo-nos na sorte Angra do Heroísmo
(CCCAH, 6 de julho) e Ponta Delgada (9 de julho, Teatro Micaelense), depois da
estreia nacional a 28, 29 e 30 de abril no Teatro Camões.
“Uma Coisa em Forma de Assim” foi o título
escolhido para esta obra, baseado no livro de Alexandre O’Neill, que se trata
de uma compilação de artigos previamente apresentados na imprensa escrita, como
um conjunto de retalhos que os vários coreógrafos nos apresentam.
Cenário montado, luz apagada, começou o espetáculo
a tempo e horas. A primeira coreografia ficou a cargo de Madalena Victorino, e
contou com todos os bailarinos participantes nas restantes peças. Foi talvez o
momento mais arriscado e irreverente, ao estilo da muito aclamada autora.
O segundo momento da noite ficou a cargo de
Vasco Wellenkamp, talvez uma dos mais credenciados e conhecidos nomes do
bailado português, com um estilo mais romântico e clássico, sempre no registo
do contemporâneo, e com a excelente bailarina principal Peggy Konik. Depois seguiu-se
a coreografia de Paulo Ribeiro, um favorito pessoal, e que se tornou no
preferido da noite, com um corpo de quatro bailarinos, com um ambiente muito
orgânico, fazendo-nos lembrar o planeta e a solidariedade que talvez deveria
haver nesta fase da nossa vida.
Rui Lopes Graça, bailarino solista da
companhia, coreografou a peça seguinte, com um bonito, romântico e intenso par,
com destaque para a bailarina Yurina Miura. Depois tivemos uma apresentação de
Francisco Camacho – uma primeira vez para mim – com um divertido e físico duo
masculino. Outro dos momentos altos da noite foi a coreografia de Rui Horta,
outro facciosamente preferido pessoal, com um potente solo de Marta Sobreira,
conjugando várias nuances sobre o corpo, numa performance muito física, ao bom
estilo do coreógrafo.
A peça imediata esteve ao cargo de Benvindo
Fonseca, outro bom regresso à Terceira. Foi claro o seu sensual estilo e traço
nesta romântica coreografia, bem suportada pelo bailarino principal Tomislav
Petranovic. Depois foi Olga Roriz, aplaudida coreógrafa, que apresentou uma
estética muito própria, qual Paula Rego da dança portuguesa. Uma mulher
intensa, perdida e confusa... mas poderosamente interpretada por Isabel
Galriça.
A concluir, nova coreógrafa de eleição
pessoal, Clara Andermatt, e que felizmente não defraudou as expectativas,
criando um final em grande, envolvendo totalmente os bailarinos Irina de
Oliveira e Nuno Fernandes no instrumento central desta noite: o piano de
Bernardo Sassetti.
Mesmo com os referidos preferidos pessoais, a
grande capacidade física e disponibilidade emocional dos bailarinos, e os
destaques para as bailarinas Marta Sobreira e Irina de Oliveira, a noite foi
também muita de Bernardo Sassetti. Sempre bem recebido na ilha, onde tem um
grande número de fãs, esteve sempre de corpo e alma na obra, do início ao fim,
com altos e baixos de intensidade e de participação nas coreografias. Muito
bom.
O público terceirense, que ocupava cerca de
3/4 da sala, soube avaliar a noite, aplaudindo efusivamente vários regressos e
apresentações dos artistas, mas não culminando com uma ovação em pé, que seria
exagerada na minha opinião.
Tratou-se também de um excelente momento
pedagógico, pois deu-nos oportunidade de vermos trabalhos de vários
coreógrafos, com diferentes estilos, tudo numa noite. Do mais romântico e
clássico, ao mais irreverente e transversal, presenciámos de tudo nesta bonita
e importante noite de dança na ilha Terceira.
Ao nível das expectativas do público podemos
identificar aqui alguma ambivalência: para quem conhece alguns dos trabalhos
dos coreógrafos presentes, ficou certamente com a vista e o coração saciados.
Para quem tem menos oportunidade talvez não.
Infelizmente são apresentados um ou dois
momentos de dança na ilha por ano, e nem sempre de qualidade, pelo menos
pedagógica ou inovadora. Isso faz com que exista um público que gosta realmente
de dança, mas que tem poucas oportunidades para assistir ao vivo a esses
momentos. Talvez para esse público, este evento tenha sido um pouco
descontextualizado. Mesmo assim, fica de certeza a beleza e a fisicalidade dos
movimentos dos excelentes bailarinos.
Repito, uma importante noite de dança.
PS. Talvez a última passagem de Sassetti pela ilha...
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