segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Guarda-chuva, Guarda-sol...





Bonita e simples instalação, por Patrícia Almeida, em Águeda.
Coisas bonitas e simples em Portugal. Bem feitas!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O "melhor" dos Dead Can Dance...

Dead Can Dance - Wake (2003)

Mesmo não sendo um fã de discos de compilações, este trabalho dos australianos Brendan Perry e Lisa Gerrard (Dead Can Dance) abrange cerca de 20 anos do seu trabalho, e está muito bem elaborado, num duplo CD com perto de 30 canções/músicas.
Este "acordar" ou "despertar" deixa no ar um misterioso, de duplo sentido, numa mística e imagem que se encontram presentes em todo o trabalho desta formação, num som altamente denso e complexo.
Maravilha.


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Pelo Tempo: "Serreta – Peregrinação e Partilha" (2011-10-07)


Serreta, pequena freguesia no extremo ocidental da ilha Terceira, com aproximadamente 400 habitantes, com um clima fresco, ambiente saudável e uma grande carga mística.
Não sou natural da Serreta, embora desde criança tenha uma relação pessoal e familiar, que se cimentou nos últimos anos. Até o começar a pensar que lá vou passar uns dias, entre família e amigos, em festa ou em reflexão, me entusiasma, demonstrando já aqui o seu significado e importância.
Sentado a meio da tarde de sexta-feira, olhando para a rua, ainda antes da grande movimentação de gentes em torno do santuário ou da mata, escrevo algumas notas num pequeno caderno que me trouxeram de Nova Iorque. Penso logo na distância geográfica e cultural entre estes dois pontos, passando por conceitos como localismo e globalização. Era já sinal da referida reflexão…
Seria extremamente imprudente num simples artigo de opinião “falar” sobre a Serreta, a peregrinação, o santuário, as festas e a sua gente. Mas, como muitos, pelo facto de me impressionar imenso, desejo partilhá-la.
E como passar a mensagem do peso ou da importância que estes dias têm? Como explicar a magnitude de sentimentos e o orgulho que sentimos? É de facto algo muito poderoso.
Segundo reza a história, no fim do século XVII, um padre chamado Isidro Fagundes Machado, em choque com a vida em sociedade, procurou refúgio na Serreta, associando o seu desejo de isolamento com os saudáveis ares de montanha que o local oferecia. Terá construído uma pequena ermida onde colocou uma imagem de Nossa Senhora, numa localização diferente de onde hoje se situa o Santuário.
Já em 1842, o local é elevado a curato, sendo transferida para a nova igreja uma imagem de Nossa Senhora dos Milagres, e dando-se início às peregrinações, tendo vindo a tornar-se ao longo dos anos um dos mais populares cultos religiosos nos Açores, reunindo milhares de peregrinos, que a pé percorrem os caminhos da ilha.
Se para muitos é um ato de fé, numa espécie de oração em formato de promessa e demonstração de devoção, para outros será um processo de introspeção, não necessariamente de cariz religioso, mas pessoal. Para outros é o passeio e o convívio, não menos importante para a nossa robustez mental.
Alguns peregrinos optam por fazer o trajeto descalços ou carregando um número ou peso simbólico de velas, por pagamento de promessas específicas, com um forte sentimento de dádiva e gratidão, chegando por vezes a alcançarem os 40 ou 50 quilómetros de distância.
Se olharmos para cada rosto vermelho e cansado que chega ao Santuário, é difícil não pensar no peso das histórias que carregam, na importância de cumprir determinada promessa, por amor e por devoção.
Li algures que serão cerca de 20 mil pessoas a passarem pela Serreta nestes dias de festa, desde os peregrinos, às touradas e ao famoso piquenique.
Aliás, a dimensão profana das festas tem vindo a aumentar, como é disso exemplo a proliferação de tasquinhas ao longo do percurso, onde as “donetes” e as socas de milho se tornaram parte da festa, assim como a imagem de algumas famílias sentadas à frente de casa observando os peregrinos.
Na segunda-feira realiza-se a famosa toirada da praça do Pico da Serreta, tão concorrida que o dia é considerado feriado não oficial em toda a ilha, com tolerância de ponto concedida nas escolas e ao funcionalismo público.
Na quarta-feira, também a toirada de corda reúne muitas pessoas na freguesia, seja visitando antigos amigos, reconhecendo rostos com mais de 40 anos de intervalo, ou apenas para ver os toiros. Este ano ligeiramente prejudicada por jogar o Benfica…
Mas o elemento emocional e espiritual continua a ser o mais importante e significativo para as pessoas, como se presenciou após o fim da procissão de Domingo, onde centenas cantaram a Glória, ao som das sete magníficas filarmónicas presentes.
A incrível sensação de partilha, de pertença a uma comunidade, sendo ou não serretense, a um conjunto de pessoas que têm problemas, alegrias e emoções como nós, foi de facto o clímax espiritual destes dias.

Nota: um ano passado, mantém-se e intensifica-se o sentimento.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

OuVisto: Uma Viagem Selvagem..

Into the Wild (2007)

Talvez o filme mais poderoso e conseguido de Sean Penn enquanto realizador, baseado numa história verídica, passada a livro pelo jornalista Jon Krakauer, e relata a história de Christopher McCandless, que após concluir os estudos universitários, aos 22 anos, decide partir numa viagem libertadora.
Abandona todas as suas posses materiais, incluindo doar os 24,000 dólares que tinha a instituições de solidariedade, e vai de boleia até ao inóspito estado do Alaska, com vista a viver na natureza...
Durante a viagem cruza-se com algumas personagens interessantes, que continuam a moldar o seu espírito, acabando por encontrar no meio do nada um autocarro abandonado onde fica a residir.
Quatro meses depois, quando chega à fundamental conclusão de que a felicidade apenas pode existir quando partilhada com outros, tenta o regresso...
Pesado.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

David Fonseca: o artista português

David Fonseca - Seasons: Rising (2012)

Tento sempre que posso ouvir música portuguesa, e sou um defensor dos nossos artistas, principalmente quando cantam em português. Não é esse o caso, infelizmente, de David Fonseca. Neste quinto álbum David Fonseca partilha algo mais que música, conferindo uma história pessoal, associada ao calendário do ano, connosco.
Sempre bem acompanhado musicalmente, o resultado foi um excelente disco, com um som que nos preenche de facto a alma, e onde se notam influências de muitos e bons músicos.
Percebo que o David Fonseca, como outros, se sinta um cidadão do mundo, e que o inglês é de facto a língua no planeta que mais facilmente transmite uma mensagem "universal", mas se o encontrasse, dir-lhe-ia certamente: "David, por favor, grava um disco em português!"

PS. Ficaria para a história da música portuguesa, não tenho dúvidas...


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Leituras: o poder de Orhan Pamuk


Orhan Pamuk - A Cidadela Branca (2000)

Só em 2006, depois do Nobel, é que conheci este enigmático autor, através precisamente de "A Cidadela Brnaca". Quando acabei de ler este livro, devido a uma sobreposição de tarefas, nem me apercebi do que ele me ofereceu... 
Abordei-o com esperança de ser uma experiência envolvente. Assim foi, ao acompanhar o percurso de uma vida de dois indivíduos, o mestre e um escravo, cuja relação é tão próxima que os seus cérebros e corações se unem e desunem diariamente.
Viagem em busca da identidade, ou do próprio conceito de identidade e individualidade, em Istambul do século XVII. Um escrito tipo diário recuperado, é também um chamamento à introspecção por parte do leitor, principalmente depois de acabar o livro. Excelente!

Sinopse:
Em pleno século XVII, num mundo misto de fantástica sabedoria e de assustadora barbárie, um jovem estudante italiano viajava tranquilamente de Veneza para Nápoles quando foi capturado por piratas turcos. Após algumas voltas e reviravoltas do destino, torna-se escravo de um estranho cientista turco , conhecido como o Mestre. 
Este sábio, ávido pelo conhecimento científico e progressos intelectuais do Oeste, procura, recorrendo ao diferente saber do prisioneiro, conseguir o seu aperfeiçoamento intelectual e científico, e nos anos que se seguiram o escravo ensina ao Mestre o que ele aprendera no velho continente, da medicina à pirotecnia. Mas Hojas, o Mestre quer mais: quer saber o porquê de serem quem são e até que ponto, uma vez desvendados e trocados os seus mais íntimos segredos, as suas identidades não serão confundidas ou trocadas.