terça-feira, 21 de agosto de 2012

OuVisto: Apocalyse Now...

Apocalypse Now (1979)

Esta incrível viagem pelo interior da selva em plena Guerra do Vietname, onde um grupo de soldados é enviado para assassinar um enlouquecido Coronel americano, é uma das jóias de Francis Ford Coppola.
Trata-se de um alucinante épico sobre guerra, recriando uma atmosfera realista mas surreal ao mesmo tempo... negro e pesado, mas um dos meus filmes favoritos!
A verdade da guerra junto com a loucura humana - é um cenário muito perto do que realmente deve acontecer...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Pelo Tempo: "PTP, PAN ou PLD? – Parte I" (2011-05-07)

Ainda falta muito para o próximo 5 de junho, dia de eleições legislativas, ou por outro lado, se calhar até falta é pouco. Num período em que as preocupações dos portugueses se centram no pavor das medidas a implementar pela “troika”, com as distrações típicas como a morte de Bin Laden ou o passado familiar nos novos concorrentes do “Peso Pesado”, existirá pouco tempo certamente para a análise, discussão e introspeção que o país precisa neste momento da sua história.
Seria interessante se todos, classe política e sociedade civil, demonstrassem um sinal de evolução no modelo de pensamento social e, num momento de exceção, existir de facto uma união em torno de um bem comum, e não de ideologias, desejo de poder ou medo da mudança.
Infelizmente, neste cenário, e com os atores atuais, parece pouco provável. No entanto, temos os partidos políticos, com um mapa bastante mais colorido do que verdadeiramente nos apercebemos. Quem verdadeiramente controla a opinião pública atualmente são os órgãos de comunicação social, com o óbvio destaque para a televisão, onde em busca das audiências se proporciona ao telespectador o que este deseja. E assim se passa ao lado de toda a representatividade política portuguesa.
Assim, teremos provavelmente 18 partidos e coligações a concorrer às eleições legislativas próximas, e não querendo ocupar o que deveria ser o papel da Comissão Nacional de Eleições, acho pertinente fazer uma rápida viagem pelos que pretendem ser nossos representantes na Assembleia da República.
Como na maioria dos países europeus, temos um parlamento representado por várias forças partidárias, embora historicamente os governos têm sido repartidos entre o PSD e o PS, ficando o PCP e o CDS-PP com a grande maioria dos restantes votos.
O Partido Social Democrata (PSD) e o Partido Socialista (PS), formados oficialmente por volta do 25 de Abril de 1974, representam as grandes ideologias sociais-democratas e socialistas, tendo sido os grandes obreiros da evolução de Portugal desde a revolução. Geraram a maioria das grandes figuras de estado do país, como Sá Carneiro, Cavaco Silva ou Mário Soares, e tem estado presentes em todos os governos até ao momento.
O Partido Comunista Português (PCP) é um partido comunista marxista-leninista e a sua organização é baseada no centralismo democrático. Fundado em 1921, é um dos partidos políticos mais antigos e com mais história e ainda ativo. Tem estado sempre presente no parlamento, assim como em algumas autarquias de referência.
O Centro Democrático Social - Partido Popular (CDS-PP) é inspirado pela democracia cristã e é aberto também a conservadores e liberais clássicos. Já integrou governos, sempre em coligação, à direita e à esquerda. Tem no forte e carismático líder Paulo Portas um importante chamariz de votos, assim como se torna recetáculo dos desiludidos à direita e centro-esquerda.
A mais recente força representativa dos portugueses é o Bloco de Esquerda (BE), nascido em 1998, da fusão de três forças políticas: a União Democrática Popular (UDP), o Partido Socialista Revolucionário (PSR) e a Política XXI, de origens socialistas, trotskistas e marxistas. Ganhou o seu lugar, dando uma nova frescura à esquerda ideológica em Portugal, e seguindo um instinto verdadeiramente humano: a união faz a força! Ao não querer participar nas negociações da “troika” e com um discurso mais extremado, pode perder alguns eleitores de esquerda moderada.
Tendo aparecido sempre em coligação, o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV), foi fundado em 1982, e faz parte de uma história recente intermédia da política portuguesa. Tem estado quase sempre desde o seu início representado na Assembleia, via APU e CDU, e são os representantes mais visíveis do movimento ecológico em Portugal. Poderiam talvez conquistar mais respeito e votantes se concorressem sozinhos, embora talvez não conseguissem ser ouvidos…
Um dos grandes clássicos e verdadeiro símbolo de resiliência é o Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP), de inspiração maoísta e fundado em 1976. Com grande atividade e espírito reivindicativo, tornou conhecidos os nomes de Arnaldo Matos e Garcia Pereira, mas por lá passaram muitas personalidades ainda hoje ligadas à vida política nacional, como Durão Barroso, Fernando Rosas ou Ana Gomes.
Outro clássico, embora com menos visibilidade, é o Partido Operário de Unidade Socialista (POUS), de ideologia trotskista, que defende a rutura com a União Europeia e a proibição dos despedimentos. Fundado em 1976, por elementos divergentes do PS, ainda hoje em dia são liderados por um dos fundadores, Carmelinda Pereira. Entre 1994 e 1999 mudou o seu nome para Movimento para a Unidade dos Trabalhadores (MUT), tendo depois retomado o nome original, assim como o seu símbolo: o punho!
Um dos partidos do que se pode intitular a “nova vaga” é o Partido Humanista (PH), fundado em 1999, de ideologia “Novo Humanismo”. Nunca teve assento parlamentar, mas em 2009 concorreu às legislativas em coligação com o MPT, e participarão nas próximas eleições em oito círculos. A forma de atuar dos humanistas pode resumir-se na seguinte frase: "Eu melhoro a minha situação enquanto trabalho para melhorar a situação de outros". A sua ação baseia-se na não-violência, na reciprocidade, e na ação voluntária e solidária. Paz e amor.
(Continua…)


PS: nem de propósito, aproximam-se novamente eleições... e importantes.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

OuVido: Dylan no seu melhor

Bob Dylan - Blonde on Blonde (1966)

Este é um daqueles discos que até podem passar por despercebidos... 
Trata-se do sétimo disco de Dylan, numa época em que já gozava de algum estatuto, e pode mesmo ter sido visto como uma brincadeira, pois as gravações decorreram por vários meses, com vários artistas e em vários estúdios...
Blonde on Blonde apenas atingiu o nº 9 do top americano, tendo no entanto atingido a platina e o 3ª lugar no Reino Unido.
Artisticamente, é considerado o último disco de uma trilogia dedicada ao rock, entre 1965 e 1966 (juntamente com Bringing It All Back Home e Highway 61 Revisited), e para muitos críticos considerado um dos melhores discos de sempre da história da indústria!
Acima de tudo, essa análise baseia-se na sensibilidade presente no disco, com um som baseado no country, mas com letras mais modernas e uma atitude rock - além de ter sido um dos primeiros discos duplos na história do rock.
Destaque claro para as canções "Rainy Day Women #12 & 35", "I Want You", "Just Like a Woman" e "Visions of Johanna", que ainda hoje são consideradas das mais importantes de Dylan.

terça-feira, 24 de julho de 2012

OuVisto: por um breve memento...

Memento (2000)

Este inquietante thriller e magnífico exemplo de um filme negro (film noir), é um excelente filme de Chistopher Nolan (Batman e Inception), que decorre em duas sequências paralelas: uma série a preto e branco, e que segue um tempo cronologicamente correto, e um conjunto de imagens a cor, mostrados por ordem reversível, do fim para o início...
Só isto já seria suficientemente enervante, mas ainda falta o conteúdo do argumento, que aborda a história da busca de vingança por um agente de seguros pela morte da sua mulher!
Mesmo não ganhando muitos prémios de destaque, entrou decididamente para a história do cinema recente, com uma magnífica construção não linear de uma narrativa. Grande filme.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Pelo Tempo: "O Poder da Música" (2011-04-17)


Existem certos filmes que demoramos a ver, por várias razões: falta de oportunidade nos cinemas; falta de companhia; ou mesmo porque temos ideia que não nos apetece naquele dia ver algo triste…
Aconteceu-me com “O Visitante” (“The Visitor”), do jovem realizador Thomas McCarthy, com a sua segunda longa-metragem, após “A Estação” (“The Station Agent”, outro que demorei a ver…).
Conta a história de Walter Vale, um professor universitário que reside numa pacata cidade, numa vida descontente, sobre quem pesa muito a morte da mulher, a sua grande razão de viver. Passa as noites a com um copo de vinho e ouvir música clássica, alguma dela gravada pela falecida mulher, pianista profissional. Por motivos académicos, vê-se obrigado a deslocar-se a Nova Iorque a uma conferência.
Ao chegar ao seu apartamento de cidade, depara-se com dois inquilinos ilegais a residirem no local: Tarek e Zainab, ele sírio-palestino e ela senegalesa, que julgavam estar a alugar legalmente o apartamento, tendo sido enganados por um amigo duvidoso. Nervosos e envergonhados com a situação, saem do apartamento para passar a noite na rua, ao que o professor lhes oferece estadia provisória enquanto não arranharem outro local para pernoitar. Começa a estória.
Walter, o professor, é um personagem distante, triste e que depende de rotinas para passar o dia. Cria uma improvável amizade com Tarek, pois é um virtuoso tocador de djembé (tambor africano), e começa a dar aulas a Walter, um apaixonado por música.
Num ridículo incidente ao entrar numa estação de metro, Tarek é preso e dá-se início a um injusto processo de deportação, que sem entrar em políticas, aborda a arbitrária atuação da imigração americana, ainda fortemente influenciada pelos acontecimentos de 11 de setembro de 2001. Walter contrata então um advogado para ajudar Tarek, ao mesmo tempo que vai criando amizade com a mãe deste, abruptamente interrompida com a deportação do sírio para África.
Este magnífico puzzle de emoções levou à nomeação de Richard Jenkins (o professor) para o Óscar de melhor ator em 2008, assim como a nomeação para vários prémios do realizador e argumentista já referido. Filmado em Nova Iorque, símbolo de globalização e mistura de culturas, é um filme que demonstra claramente o poder de inclusão e integração que a música e a arte em geral possuem.
A música enquanto linguagem universal, parece romper todas as barreiras, abrir os corações, enquanto um conjunto de homens tocam djembé num improvisado semicirculo em pleno Central Park, com americanos, africanos, hispânicos e outros, todos juntos, a partilharem um ritmo que quase faz lembrar o bater do coração humano…
E pela música chegamos à banda sonora do filme, fortemente influenciada pelo som de Fela Kuti, o grande pioneiro da música afrobeat, ativista político e grande humanista. Falecido já em 1997, Fela Kuti deixou de facto uma grande herança em várias áreas, da música à política, do estilo à atitude. Nascido na Nigéria, muda-se para Londres em 1958 para estudar medicina, mas acabou por seguir música, onde formou os Koola Lobitos, desenvolvendo o início do que veria a ficar conhecido como afrobeat, mistura de jazz, rock psicadélico e cantos tradicionais africanos.
Em 1963 regressa à Nigéria, onde trabalhou na rádio, mas a música era a sua paixão. Em 1969 viajou com a sua banda para os Estados Unidos, onde influenciado pelo movimento dos Black Panthers, muda o nome da banda para “Nigeria 70”, tendo sido posteriormente “convidados” a regressar a África por não terem licença de trabalho…
Durante várias décadas teve um percurso de luta e combate ao poder instalado na Nigéria, tendo sido preso, espancado, a sua casa e estúdio queimados e tentado inclusive candidatar-se à presidência, o que nunca foi permitido. O seu verdadeiro poder era a sua extremamente popular música, o que assustava os políticos.
Já com várias dezenas de álbuns gravados, nos anos 90 diminui a sua intensidade, e em agosto de 1997 morre vítima de Sarcoma de Kaposi, causado por AIDS. Ao seu funeral assiste mais de um milhão de pessoas.
É quase impossível quantificar o impacto que o trabalho de Fela Kuti teve no conceito global de música, assim como ao nível político, comparado por vezes a Bob Marley pela sua popularidade. Embora nunca tenha atingido grande sucesso de vendas na Europa e América durante a sua vida, nos últimos anos tem sido reeditados vários álbuns, disponibilizando assim muito do seu importante trabalho, que também continua vivo no seu filho, Femi Kuti, fazendo juz ao legado do pai, com um explosivo talento.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

OuVido: A Estranha Aranha de Robyn Hitchcock

Robyn Hitchock - Olé! Tarantula (2006)

Neste criativo projeto, Robyn Hitchcock contou com a participação de alguns membros dos Minus 5 e de metade dos elementos dos R.E.M., assim como muitos outros de bandas com as quais já tinha trabalhado, originando um pequeno exército.
Criaram um som que se assemelha aos primeiros cantautores do início dos anos 80, num ambiente surrealista, próprio e digno de Hitchcock, sempre tecendo fortes críticas sociais, inserindo a sua sensibilidade humana na estranheza da sua música.