Longo Caminho (2010)
quarta-feira, 13 de junho de 2012
terça-feira, 12 de junho de 2012
OuVisto: "De Jueves a Domingo". Pura sensibilidade chilena...
De Jueves a Domingo (2012)
Esta primeira longa-metragem da realizadora chilena Dominga Sotomayor foi a grande vencedora do IndieLisboa 2012, que tive a oportunidade de assistir no passado mês de maio na extensão em Angra do Heroísmo. Trata-se de uma co-produção chilena e holandesa, que aborda um fim-de-semana familiar, numa aparentemente tranquila viagem de carro.
Rapidamente nos apercebemos que algo se passa entre os pais, sentados na frente do carro, e os dois filhos, atrás. Com alguma tensão subtil, vamos percebendo uma dor secreta que todos os intervenientes parecem sentir, ou que irão sentir.
De destacar as paisagens e o grande sentido de contemplação e sensibilidade necessários para captar a verdadeira essência e mensagem do filme. Gostei.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Pelo Tempo: "O regresso à luta" (2011-03-08)
Foi com rasgos de saudosismo que assisti no passado sábado ao Festival RTP da Canção, em ambiente familiar, após uma magnífica refeição. Acho que é mesmo suposto ser assim.
Este que já foi um evento aglutinador de toda a população portuguesa com acesso à televisão, vem desde 1964 a criar músicas populares de sucesso, assim como lançando carreiras artísticas de muito sucesso comercial.
Com o objectivo de escolher o representante da televisão pública portuguesa para participar no Festival Eurovisão da Canção, já passou por vários formatos e por vários momentos de sucesso e desgraça.
Em tempos que a palavra Europa tinha outro significado, tinha outra distância, escolher alguém para representar o pequenino e esquecido Portugal era de facto um momento ilustre. O peso deste festival, como de outros momentos da televisão portuguesa, é hoje em dia difícil de compreender pelas gerações mais novas, tendo atingido o seu auge numa época sem televisão por cabo, internet e outras ferramentas de comunicação e entretenimento contemporâneas.
Vários cantores marcaram diferentes gerações de portugueses, como o exemplo de Simone Oliveira e Carlos Mendes nos anos 60 e 70, Carlos Paião, José Cid e as Doce nos anos 80, e mais recentemente Sara Tavares e Lúcia Moniz, nos anos 90, esta última com a melhor classificação de sempre, o 6º lugar!
Se já seria difícil justificar a continuação do festival nos anos 90, ainda algumas canções de sucesso surgiram, o que não aconteceu nos últimos anos, tendo o próprio formato do concurso lutado pela sua modernização, o que não aconteceu. Até sábado passado!
Com 12 canções a concurso, o modelo este ano seguia a habitual votação dos 18 distritos continentais mais Açores e Madeira, pontuando de 1 a 12, o que correspondia a 50% da classificação. Terminada essa votação, a restante pontuação veio literalmente do “povo”, pois foi recolhida na base do televoto, dando a vitória, com 26%, a quem menos as pessoas esperavam: os Homens da Luta!
Então, lá vão eles representar Portugal a Düsseldorf, na Alemanha, com uma cantiga e uma postura “contra a reacção”, intitulada “Luta é Alegria”. O público presente no Teatro Camões não gostou. Os bloguistas fãs do Festival da Canção não gostaram. Muitas pessoas acham que vão denegrir a imagem de Portugal… Mas não foi o “povo” que votou?
É de realçar que o segundo classificado pela votação telefónica foi Rui Andrade, com apenas 12% dos votos! É uma grande vitória! É também obviamente uma vitória da juventude, da rebeldia e da irreverência.
Por outro lado, alguns votos podem também ter vindo de gerações mais velhas, que já não compreendem a necessidade da existência de um festival deste género ou ainda de um grupo da população que simplesmente gostou do ar “festivaleiro” que os Homens da Luta tiveram em palco.
Mesmo com todos estes contornos de democracia e liberdade, metade da plateia abandonou o teatro, e muitos dos que ficaram assobiaram e apuparam os vencedores. Não foi bonito…
A canção vencedora tem letra de Jel e música de Vasco Duarte, mais conhecidos por Neto e Falâncio, enquanto personagens dos “Homens da Luta”, onde brincam com o conceito de música de intervenção, caricaturando um tempo que se identifica com esse estilo, os anos 70 e o 25 de Abril.
Mas, desde quase sempre, a brincar se diz a verdade, e é este o caso aqui, como se viu na atribuição do prémio de canção vencedora, onde Vasco Duarte afirmou: “A música dos Homens da Luta é dedicada ao povo. E àqueles que estão desempregados e passam mal no nosso país.”
A luta continua, de facto, numa nova linguagem, onde a ironia e a irreverência continuam a ter força.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
OuVido e ReOuVido: A Melhor Voz do Mundo!
Nusrat Fateh Ali Khan - Mustt Mustt (1990)
Esta é uma daquelas referências musicais que merecia muito mais, no mínimo um artigo, no lógico, uma série de artigos transversais a todos os temas que abrange. Assim é o trabalho do magnífico cantor paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan - o nome de início assusta, mas depois de o ouvir, valerá a pena...
Este álbum foi o primeiro de verdadeira fusão entre o cântico original de Ali Khan com o virtuoso guitarrista e produtor Michael Brook, com base numa sugestão de Peter Gabriel, que acabou por editar o disco. A música "Mustt Mustt", que dá o nome ao álbum, foi posteriormente gravada e misturada pelos Massive Attack, sendo o primeiro hit em Inglaterra cantado em Urdu (idioma nacional do Paquistão). Aliás, foi nomeado por várias revistas um dos melhores trabalhos dos anos 90, assim como considerado um ponto de viragem importante na inclusão de música oriental nos trabalhos electrónicos de fusão, e não só.
Nusrat Fateh Ali Khan faleceu prematuramente, em 1997, gozando já de grande reconhecimento internacional, mas não deixava de ser um simples cantor de Qawwali, o canto religioso dos Sufi, uma das vertentes do Islão. É considerado um dos maiores cantores já gravados, possuindo um alcance vocal até seis oitavas, numa performance de grande intensidade e que podia durar horas, imprimindo um registo quase de transe.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Optimus Primavera Sound: O Que É Isto?
É a primeira extensão do famoso festival Primavera Sound, que se realiza em Barcelona desde 2001, tendo escolhido a "congénere" portuguesa, a cidade do Porto, que nos próximos dias receberá talvez o melhor festival de sempre em Portugal. Além de uma postura diferente de outros festivais (e são muitos atualmente), concretiza ideias inovadoras, espaços para descanso, e fazem algo muito importante: escolhem excelentes músicos!
Obviamente com o apoio da organização catalã, reúnem um conjunto de artistas, nacionais e internacionais, que provavelmente cairiam nas típicas categorias de "indie" ou alternativo, mas que basicamente são excelentes músicos, criativos e originais, sendo que alguns deles depois darão o "salto" para o mainstream e ficarão milionários graças à sua criatividade e coerência...
O festival fica certamente mais barato de organizar (ao nível de cachets), o que pode não corresponder a uma compra de bilhetes em massa, por sermos um país com pouca cultura musical - mas tenho esperança!
Agora, o pior/melhor é ver os nomes das bandas que irão estar presentes: por mais orgulhoso que fique de estarem todas reunidas num mesmo espaço, e em Portugal, a pena de não poder estar presente é enorme.
Para mim, seria histórico assistir, e ainda por cima no mesmo evento, aos Flaming Lips e aos Yo La Tengo, referências desde a minha adolescência... Mas entre muitos mais, tenho que obviamente destacar:
- Beach House
(US) - Linda Martini (PT)
- M83 (FR) - Mercury Rev (US)
- Saint Etienne
(UK) - The Flaming Lips (US)
- The Rapture
(US) - The Olivia Tremor Control (US)
- The Weeknd (CA) -
Death Cab For Cutie (US)
- The xx (UK)
-
Kings Of Convenience (NO)
- Wilco (US) - Rufus Wainwright and his Band (US)
- Yann Tiersen
(FR) - Yo La Tengo (US)
terça-feira, 5 de junho de 2012
OuVisto e ReVisto: Milk
Milk (2008)
Tocante filme, esta biografia de Harvey Milk, um ativista dos direitos da população gay dos Estados Unidos da América, nos anos 70, resultando num Óscar para melhor ator a Sean Penn, assim como para melhor argumento original - dois argumentos de peso...
Realizado por Gus Van Sant (Paranoyd Park e Elephant), como sempre, aborda os temas mais íntimos da humanidade, e sempre também da maneira mais crua, direta e por vezes austera.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
OuLido: Suart Blazer "AzorCryBaby"
Stuart Blazer - Aqua Firma (2011)
Este segundo trabalho de Stuart Blazer, lançado em Dezembro passado, numa edição conjunta do Teatrinho - Espaço de Criação, Associação Cultural Burra de Milho e Gavea-Brown Publications, capta a essência açoriana de uma maneira única - do espetador, o do "outro".
E que outro: Stuart é norte-americano, e já residiu em vários países, mas foram os Açores a permitir-lhe a criação deste interessante trabalho, enquanto residiu na região, trabalhando num bar e criando a sua pequena filha, juntamente com a sua mulher.
As saltitantes referências cómico-simbólicas do seu trabalho não tiram peso e qualidade ao texto. Parece brincar com elementos idiossincráticos da região, mas sem caricaturar, pelo contrário, transforma-os em elementos poéticos.
Segue o exemplo:
"Vacadivinhas (for Terceira's sacred cows):"
Vaca da Gama
Vacamões
Vacardi & Coke
Drink of choice.
Vacacadabra!
Vacalmoçar:
Vacamérica?
Vacaçores!
Vacalhau,
Vacananas,
Turf & surf
In Cod we trust.
That's all for now
Vaca com Deus
Thanks for reading this
Vacautobiografia
It's a film we made together,
Memorias de um gueixo.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
OuVido: apenas dois x's
The xx - xx (2009)
O homónimo album de estreia dos The xx demonstra, acima de tudo, uma abertura intelectual e um conhecimento musical extremo, onde captamos pequenas referências a clássicos como Cocteau Twins ou Young Marble Giants, não deixando de dar ainda reminiscências aos jovens Depeche Mode.
É um soul e R&B eletrónico, com melancóluicas canções - simplesmente genial - e feito por miúdos!
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