terça-feira, 15 de maio de 2012

OuVisto: Jafar Panahi não fez um filme...

Jafar Panahi / Mojtaba Mirtahmasb - This Is Not a Film (2011)


Novamente preso pelo sistema iraniano, Jafar Panahi está desde Maio de 2010 em prisão domiciliária, o que só conseguiu após ter pago uma fiança de 145 mil euros! Já foi posteriormente condenado a seis anos de prisão e vinte anos de proibição de filmar e sair do país, do qual espera ainda recurso.
Assim, este "não filme", foi realizado por Mojtaba Mirtahmasb, e retrata a tentativa de Panahi fazer um filme, saído do seu imaginário, no apartamento onde vive em Teerão, onde demonstra imaginariamente o poder do cinema em nome da liberdade de expressão.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

OuVido: Gillespie ao vivo em Newport

Dizzy Gillespie - Dizzy Gillespie at Newport (1957)

Mesmo não sendo um conhecedor de jazz, este disco sempre mexeu comigo, por toda a sua conjuntura. Dizzy Gillespie (junto com Chet Baker e Miles Davis) é um dos meus músicos de jazz preferidos, sendo o trompete o instrumento de eleição.
Neste álbum, gravado ao vivo no Festival de Newport, um evento mítico dos festivais de música, e um ambiente quente na gravação, capta ao vivo um momento alto na carreira de Gillespie.


quarta-feira, 9 de maio de 2012

OuVisto: o início da "Millenium Series"

The Girl with the Dragon Tattoo (2011)

Esta é a versão norte-americana do primeiro livro da trilogia "Millenium Series", um best-seller a título póstumo do sueco Stieg Larsson, que vai certamente de encontro a uma geração que se identifica com esta estética, linguagem e raiva politicamente correta.
Realizado por David Fincher, este filme conta a história de um homem que procura descobrir o que se passou com uma rapariga que desapareceu há 40 anos. Uma simples história, até se poderia dizer, mas adaptado aos nossos tempos de uma maneira magnífica.
Tem recebido vários prémios, mas acima de tudo, uma grande aceitação do público e, felizmente para os estúdios, um grande sucesso de bilheteira.

terça-feira, 8 de maio de 2012

6ª Extensão INDIELISBOA Ilha Terceira


6ª Extensão INDIELISBOA Ilha Terceira
Festival Internacional de Cinema Independente


de 12 a 19 de Maio no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo


12 de Maio - Sábado - 21h00 - Festa "Let's Look at the Trailer" com DJ LINO, trailers dos filmes a apresentar na extensão e beberete


13 de Maio - Domingo - 15h00 - INDIEJÚNIOR - cinema dedicado aos mais pequenitos (+ de 4 anos) com oferta de lanche após a sessão


14 de Maio - Segunda-feira - 21h00 - Las Palmas (curta) e The Color Wheel (longa)


15 de Maio - Terça-feira - 21h00 - At the Formal (curta) e Dragonslayer(longa)


16 de Maio - Quarta-feira - 21h00 - Sessão EspecialAMOSTRA-ME CINEMA PORTUGUÊS - O que há de novo no Amor?(prémio TAP para melhor filme português de ficção noIndielisboa 2011)


17 de Maio - Quinta-feira - 21h00 - Praça Walt Disney(curta) e Vou Rifar o Meu Coração (longa)


18 de Maio - Sexta-feira - 21h00 - Animals for Animals(curta) e Meet the Fokkens (longa)


19 de Maio - Sábado - 21h00 - Ovos de Dinossauro na Sala de Estar(curta) e De Jueves a Domingo(longa)//(vencedores do INDIELISBOA 2012)
 



entrada: 2 euros // desconto 50% para sócios da bDM


mais informações: 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Death Grips: "ganas" de morte

Death Grips - Get Got (2012)

Este "aperto de morte", tradução do nome da banda, é um bom indício para o que vamos ouvir. Não que sejam necessárias legendas, quando se pode ouvir e chegar lá por nós próprios.
Trata-se de um hip hop muito alternativo, onde alguém está verdadeiramente chateado com alguma coisa - porquê não sei, mas parece-me um som que marcará uma fase - pode vir a ser uma referência ou um culto...
Experimentem.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

OuVido: Tinariwen, os "blues" do Sahara

Tinariwen - Aman Iman (2007)

Ouvi falar dos Tinariwen há muito pouco tempo, durante o Festival de Música do Mundo em Sines, na edição de 2010. Paixão à primeira audição! E como é possível não ficar hipnotizado por este "blues" do Magreb, executado por tuaregues, verdadeiros homens do deserto, em grandes guitarradas ao estilo de Jimi  Hendrix!
São originários do sul do Sahara, uma terra de errantes, que originou inclusive o nome da banda, que significa "espaços vazios". Com este álbum, atingem a "verdade" da sua música, o que queriam de facto obter desde o início, já com dois ou três bons discos produzidos.
É um som exótico e familiar, onde a estranheza predomina, desde os arranjos musicais à língua, mas com algo por trás que une tudo harmonicamente, originando um grande som, fazendo-nos pensar quer em rebelião, quer em velha sabedoria tribal...

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Democratização cultural (2011-02-04)


Ao longo dos anos temos vindo a olhar para o domínio da cultura com outros olhos, acompanhando a evolução económica e social do mundo, e percebendo a importância das políticas culturais no desenvolvimento de uma comunidade.
Primeiro, e talvez o mais importante, tem-se vindo a perceber que é um campo conceptual específico, ou seja, que existem especialistas em cultura. Como tema muito caro a todos, desde o património às artes de espetáculo, gera sempre alguma discussão e controvérsia, pondo facilmente em causa opções por parte dos programadores dos vários equipamentos culturais.
Mas existe um número cada vez maior de profissionais da cultura, que se formam, trabalham e aprendem diariamente com atividades que consideramos culturais. Desde os programadores culturais, aos responsáveis pela logística, passando pelos técnicos de som e luz, e aos artistas, evidentemente, representando um extenso grupo profissional, e que muito tem batalhado pelo seu reconhecimento legal.
Estabelecido o campo teórico independente, e realçada a importância das políticas culturais, não há estado ou governo, democrático ou ditatorial, que não entenda o investimento nesta área como fundamental. O seu objetivo é sempre o fortalecimento da cidadania e a inclusão social, onde todos participam, artistas, profissionais e públicos.
O que tem faltado recentemente é a participação popular – a intervenção da sociedade civil. Se as decisões sobre as políticas culturais são, e bem, centralizadas nos governos centrais e regionais, assumindo uma responsabilidade sobre a esfera pública, a iniciativa ao nível da criatividade e promoção de eventos transdisciplinares que envolvam mesmo a própria comunidade tem de partir da sociedade civil: grupos, associações ou indivíduos. À exceção de algumas galerias (privadas ou cooperativas), grupos de teatro ou associações, quase toda a intervenção cultural é feita ao nível das administrações: central, regional e sobretudo municipal.
Uma das dimensões mais importantes e mais abordadas por recentes projetos de investigação é a democratização cultural. No que diz respeito à criação e fruição, pode significar a formação e democratização da estrutura social dos públicos e dos agentes culturais, assim como a promoção de valores culturais humanistas e críticos. É um assunto de grande importância, e merece ser investigado, trabalhado e divulgado, sendo um dos principais indicadores de evolução numa sociedade, assumindo-se que quanto melhor acesso, mais democracia. Existe ainda uma definição mais perto do pensamento francófono, que se centraliza na democratização da chamada “cultura cultivada”, portanto, atividades culturais com forte cariz artístico, como a ópera, dança ou arte contemporânea.
Pela avaliação desta dimensão, podemos perceber se os investimentos e apostas que são concretizadas pelas políticas culturais postas em prática, contribuem de facto para que os equipamentos culturais estejam melhores, mais acessíveis, se o número de espectadores aumentou, se foram criadas mais associações ou grupos de artistas, e outros aspetos relacionados com a promoção dos valores democráticos.
É sempre altura de reflexão, entre ciclos políticos e sociais, e deve pretender-se o desenvolvimento constante de questões sobre democratização cultural, que provoquem reflexões várias na sociedade, dando origem a uma maior intervenção da população neste assunto, seja ela de cariz académico, associativo ou político.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

OuVido: Arcade Fire

Arcade Fire - The Suburbs (2010)

Detesto, mas detesto mesmo generalizar. Mesmo assim, acho que esta será mesmo uma daquelas bandas de referência no futuro, mesmo que durem pouco ou se matem uns aos outros, mas tem um som e uma presença incrível.
Só o facto de ser tão bom quanto o primeiro álbum, Funeral (2004), já é razão suficiente para ficar feliz por ter a oportunidade de ouvir este som. Mas com a energia e a mensagem "isto não está muito bom, mas estamos todos juntos nisto...", torna-se uma peça de referência. Aliás, de alternativo e "indie" têm cada vez menos, pois foi considerado o álbum do ano nos Grammy de 2011.