terça-feira, 8 de maio de 2012

6ª Extensão INDIELISBOA Ilha Terceira


6ª Extensão INDIELISBOA Ilha Terceira
Festival Internacional de Cinema Independente


de 12 a 19 de Maio no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo


12 de Maio - Sábado - 21h00 - Festa "Let's Look at the Trailer" com DJ LINO, trailers dos filmes a apresentar na extensão e beberete


13 de Maio - Domingo - 15h00 - INDIEJÚNIOR - cinema dedicado aos mais pequenitos (+ de 4 anos) com oferta de lanche após a sessão


14 de Maio - Segunda-feira - 21h00 - Las Palmas (curta) e The Color Wheel (longa)


15 de Maio - Terça-feira - 21h00 - At the Formal (curta) e Dragonslayer(longa)


16 de Maio - Quarta-feira - 21h00 - Sessão EspecialAMOSTRA-ME CINEMA PORTUGUÊS - O que há de novo no Amor?(prémio TAP para melhor filme português de ficção noIndielisboa 2011)


17 de Maio - Quinta-feira - 21h00 - Praça Walt Disney(curta) e Vou Rifar o Meu Coração (longa)


18 de Maio - Sexta-feira - 21h00 - Animals for Animals(curta) e Meet the Fokkens (longa)


19 de Maio - Sábado - 21h00 - Ovos de Dinossauro na Sala de Estar(curta) e De Jueves a Domingo(longa)//(vencedores do INDIELISBOA 2012)
 



entrada: 2 euros // desconto 50% para sócios da bDM


mais informações: 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Death Grips: "ganas" de morte

Death Grips - Get Got (2012)

Este "aperto de morte", tradução do nome da banda, é um bom indício para o que vamos ouvir. Não que sejam necessárias legendas, quando se pode ouvir e chegar lá por nós próprios.
Trata-se de um hip hop muito alternativo, onde alguém está verdadeiramente chateado com alguma coisa - porquê não sei, mas parece-me um som que marcará uma fase - pode vir a ser uma referência ou um culto...
Experimentem.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

OuVido: Tinariwen, os "blues" do Sahara

Tinariwen - Aman Iman (2007)

Ouvi falar dos Tinariwen há muito pouco tempo, durante o Festival de Música do Mundo em Sines, na edição de 2010. Paixão à primeira audição! E como é possível não ficar hipnotizado por este "blues" do Magreb, executado por tuaregues, verdadeiros homens do deserto, em grandes guitarradas ao estilo de Jimi  Hendrix!
São originários do sul do Sahara, uma terra de errantes, que originou inclusive o nome da banda, que significa "espaços vazios". Com este álbum, atingem a "verdade" da sua música, o que queriam de facto obter desde o início, já com dois ou três bons discos produzidos.
É um som exótico e familiar, onde a estranheza predomina, desde os arranjos musicais à língua, mas com algo por trás que une tudo harmonicamente, originando um grande som, fazendo-nos pensar quer em rebelião, quer em velha sabedoria tribal...

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Democratização cultural (2011-02-04)


Ao longo dos anos temos vindo a olhar para o domínio da cultura com outros olhos, acompanhando a evolução económica e social do mundo, e percebendo a importância das políticas culturais no desenvolvimento de uma comunidade.
Primeiro, e talvez o mais importante, tem-se vindo a perceber que é um campo conceptual específico, ou seja, que existem especialistas em cultura. Como tema muito caro a todos, desde o património às artes de espetáculo, gera sempre alguma discussão e controvérsia, pondo facilmente em causa opções por parte dos programadores dos vários equipamentos culturais.
Mas existe um número cada vez maior de profissionais da cultura, que se formam, trabalham e aprendem diariamente com atividades que consideramos culturais. Desde os programadores culturais, aos responsáveis pela logística, passando pelos técnicos de som e luz, e aos artistas, evidentemente, representando um extenso grupo profissional, e que muito tem batalhado pelo seu reconhecimento legal.
Estabelecido o campo teórico independente, e realçada a importância das políticas culturais, não há estado ou governo, democrático ou ditatorial, que não entenda o investimento nesta área como fundamental. O seu objetivo é sempre o fortalecimento da cidadania e a inclusão social, onde todos participam, artistas, profissionais e públicos.
O que tem faltado recentemente é a participação popular – a intervenção da sociedade civil. Se as decisões sobre as políticas culturais são, e bem, centralizadas nos governos centrais e regionais, assumindo uma responsabilidade sobre a esfera pública, a iniciativa ao nível da criatividade e promoção de eventos transdisciplinares que envolvam mesmo a própria comunidade tem de partir da sociedade civil: grupos, associações ou indivíduos. À exceção de algumas galerias (privadas ou cooperativas), grupos de teatro ou associações, quase toda a intervenção cultural é feita ao nível das administrações: central, regional e sobretudo municipal.
Uma das dimensões mais importantes e mais abordadas por recentes projetos de investigação é a democratização cultural. No que diz respeito à criação e fruição, pode significar a formação e democratização da estrutura social dos públicos e dos agentes culturais, assim como a promoção de valores culturais humanistas e críticos. É um assunto de grande importância, e merece ser investigado, trabalhado e divulgado, sendo um dos principais indicadores de evolução numa sociedade, assumindo-se que quanto melhor acesso, mais democracia. Existe ainda uma definição mais perto do pensamento francófono, que se centraliza na democratização da chamada “cultura cultivada”, portanto, atividades culturais com forte cariz artístico, como a ópera, dança ou arte contemporânea.
Pela avaliação desta dimensão, podemos perceber se os investimentos e apostas que são concretizadas pelas políticas culturais postas em prática, contribuem de facto para que os equipamentos culturais estejam melhores, mais acessíveis, se o número de espectadores aumentou, se foram criadas mais associações ou grupos de artistas, e outros aspetos relacionados com a promoção dos valores democráticos.
É sempre altura de reflexão, entre ciclos políticos e sociais, e deve pretender-se o desenvolvimento constante de questões sobre democratização cultural, que provoquem reflexões várias na sociedade, dando origem a uma maior intervenção da população neste assunto, seja ela de cariz académico, associativo ou político.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

OuVido: Arcade Fire

Arcade Fire - The Suburbs (2010)

Detesto, mas detesto mesmo generalizar. Mesmo assim, acho que esta será mesmo uma daquelas bandas de referência no futuro, mesmo que durem pouco ou se matem uns aos outros, mas tem um som e uma presença incrível.
Só o facto de ser tão bom quanto o primeiro álbum, Funeral (2004), já é razão suficiente para ficar feliz por ter a oportunidade de ouvir este som. Mas com a energia e a mensagem "isto não está muito bom, mas estamos todos juntos nisto...", torna-se uma peça de referência. Aliás, de alternativo e "indie" têm cada vez menos, pois foi considerado o álbum do ano nos Grammy de 2011.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

OuVisto: o exótico Santiago

Santiago (2007)

Santiago é um filme documental do realizador brasileiro João Moreira Salles, sobre um homem peculiar, que durante 30 anos foi mordomo da família do realizador.
Santiago é um excêntrico personagem, vivendo numa "realidade" entre Hollywood e Paris, conhecedor de todas as famílias reais da Europa e dos mais importantes mestres italianos do Renascimento. É impossível não gostar deste "exótico" argentino.
Mas este tocante filme tem outro aspecto muito importante, pois o material em bruto foi filmado em 1992, e abandonado logo de seguida, pois o realizador não se sentiu em condições de continuar com o trabalho de edição, devido principalmente à morte de Santiago.
Só em 2005 volta a pegar no projecto. Trata-se então de um documentário sobre as próprias imagens que tinha captado, e de uma certa forma, influenciado Santiago a "representar". O realizador chegou a admitir que fez o filme "para se curar", pois passava por uma crise pessoal, onde inclusive tinha decidido abandonar o cinema. Ainda bem que não o fez.


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Antero, o Grande

Antero de Quental, por Columbano Bordalo Pinheiro



Hoje relembra-se Antero de Quental, o Grande. Até o Google aderiu à homenagem, deste pensador muito à frente do seu tempo, mas que cumpriu o seu papel, contribuindo para um dos mais criativos e críticos movimentos portugueses.

Fica abaixo um dos meus poemas preferidos de Antero, um carismático homem, que no meio do seu génio e da sua loucura, disse, pouco tempo antes da sua morte, a uns amigos em Lisboa: "Descansa-se!... se no tédio doloroso de nós mesmos encontramos a força para nos sumirmos."


Evolução

Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo 
tronco ou ramo na incógnita floresta... 
Onda, espumei, quebrando-me na aresta 
Do granito, antiquíssimo inimigo... 

Rugi, fera talvez, buscando abrigo 
Na caverna que ensombra urze e giesta; 
O, monstro primitivo, ergui a testa 
No limoso paúl, glauco pascigo... 

Hoje sou homem, e na sombra enorme 
Vejo, a meus pés, a escada multiforme, 
Que desce, em espirais, da imensidade... 

Interrogo o infinito e às vezes choro... 
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro 
E aspiro unicamente à liberdade. 

Antero de Quental, in "Sonetos"