terça-feira, 3 de abril de 2012

Charta murum*

* papel de parede
Agnes Denes - Wheatfield - A Confrontation (Before Planting) (1982) 

Agnes Denes - Wheatfield - A Confrontation (Green Wheat) (1982)

Agnes Denes - Wheatfield - A Confrontation (Harvest) (1982) 

Agnes Denes - Wheatfield - A Confrontation (1982) 
A magnífica Agnes Denes, uma das "divas" da land art atual, marcou o seu percurso com um trabalho em 1982, denominado Wheatfield - A Confrontation, onde plantou um campo de trigo num terreno abandonado na baixa de Manhattan, Nova Iorque, um dos terrenos mais caros da cidade.
As questões que levantou são intermináveis, ao gosto de cada um, tendo sido colhidas mais de 1000 libras de trigo, posteriormente doados. E as fotografias ficaram.
Uma realidade bastante alterada...

quinta-feira, 29 de março de 2012

O Guerreiro Persa (2011-01-26)


No passado dia 20 de dezembro a comunidade artística ficou chocada, embora não surpreendida, com a notícia da prisão do realizador de cinema iraniano Jafar Panahi. Foi condenado a seis anos de prisão, assim como proibido de realizar algum filme durante vinte anos! Além disso, é-lhe também negado o direito de escrever argumentos, viajar para o estrangeiro e de dar entrevistas, nacionais ou estrangeiras.
Este proeminente realizador iraniano já tinha sido preso em julho de 2009, por apoiar o candidato oposicionista Moussavi, nas violentas manifestações que se seguiram à reeleição de Ahmadinejad. Depois de uma greve de fome de cerca de 90 dias, acabou por ser libertado, para posteriormente ser preso novamente por propaganda contra o regime.
Durante todo este processo já várias figuras proeminentes do cinema manifestaram o repúdio por esta situação, apoiando o realizador e chamando a atenção do mundo diplomático, com destaque para Steven Spielberg, Juliette Binoche e Martin Scorsese.
Também os governos da França, Alemanha, Finlândia e Canadá apresentaram a sua indignação sobre o processo, que segundo algumas fontes tem a ver com o facto de o realizador ter a intenção de fazer um filme sobre o movimento oposicionista no Irão.
Jafar Panahi é um dos realizadores iranianos mais influentes da atualidade, inserido no chamado movimento “New Wave” do cinema persa. Reconhecido pela crítica e teóricos da sétima arte por todo o mundo, já ganhou importantes prémios nos principais festivais de cinema do planeta, como o Leão de Outro no Festival de Veneza ou o Urso de Prata no Festival de Berlim.
Aos dez anos de idade escreveu o seu primeiro livro, acabando por conquistar o seu primeiro prémio com essa obra, começando a fazer pequenos filmes com uma câmara de 8 mm. Posteriormente estudou cinema na Universidade de Cinema e Televisão de Teerão, e realizou alguns filmes para televisão. Trabalhou ainda como assistente de Abbas Kiarostami, a principal referência cinematográfica no Irão e uma sumidade a nível mundial. Desde então tem realizado vários filmes de sucesso e ganho vários prémios.
O seu primeiro filme a chamar atenção internacionalmente foi “Badkonake Sefid” (“O Balão Branco”), que chegou a receber uma menção no Festival de Cannes, em 1995, mas foi com “Dayehreh” (“O Círculo”), em 2000, que maravilhou a crítica e os amantes de cinema, num ataque ao terrível tratamento das mulheres no regime islâmico do Irão, ganhando o Leão de Ouro no Festival de Veneza, entre outros prémios noutros festivais.
Em 2006 foi a vez de arrecadar o Urso de Prata no Festival de Berlim, com o filme “Offside” (“Fora do Jogo”), com uma ternurenta história sobre um grupo de raparigas que se disfarçam de rapazes com vista a poderem assistir a jogos de futebol, vedados às mulheres no Irão.
Atualmente com 50 anos de idade, Panahi já fez parte também do júri de grandes festivais por todo o mundo. A nível do seu estilo cinematográfico, pode ser descrito como neorrealista, com uma ficção a roçar o documentário, e com uma crítica social mordaz, mais explícita do que Kiarostami, para comparação. Aborda temas humanitários contemporâneos do seu Irão, especificamente problemas relacionados com a situação da mulher neste regime, mas também com uma mensagem de esperança.
Para os menos atentos, pode parecer ridículo estar a dar tanta atenção a um cineasta de um país tão distante e com provavelmente filmes pavorosos de homens com túnicas e bigodes e espancar mulheres de burka! O cinema no Irão é uma grande indústria, em pleno período de crescimento, e com uma longa história de produção interna e de prémios internacionais. Por todo o planeta a cinematografia iraniana é louvada, sendo, juntamente com a China, a nação emergente do cinema na década de 90, com ciclos e mostras de por todo o mundo.
Embora atualmente o discurso mediático sobre esta região do planeta esteja fortemente conotada com os regimes totalitaristas e influências de grupos terroristas, é a base de uma das mais antigas e grandes civilizações do planeta, a Persa. Donos de um passado histórico e patrimonial riquíssimo, possuem uma história das mais antigas e complexas a nível artístico. No que diz respeito ao cinema, e passando alguns séculos para a frente, existem vestígios desde o fim do século XIX, tendo a primeira sala de cinema sido inaugurada em 1904, e cerca de 20 anos depois, criada a primeira escola dedicada ao cinema.
Durante os anos 30 produziram muitos filmes mudos, de cariz interno obviamente, desenvolvendo a indústria ao longo dos anos seguinte, tendo na década de 60 a produção de cerca de 25 filmes por ano! Foram realizadores como Siamak Yasami e Masud Kimiaie que catapultaram a economia do cinema iraniano nesta década, alterando o panorama deste definitivamente. Vários festivais foram realizados desde os anos 40 e 50, mas uniram-se todos em 1973 no grande festival de cinema de Teerão, atualmente reconhecido internacionalmente.
Mas foi o realizador Abbas Kiarostami que colocou o cinema iraniano no mapa mundial, ao ganhar a Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1997, com “Taste of Cherry”, considerado juntamente com Panahi, os grandes representantes do cinema iraniano desde o fim da década de 70. Em 2006, seis filmes iranianos chegaram à fase final do Festival de Berlim, um dos maiores do mundo, tendo esse facto sido noticiado por toda a comunicação social especializada. Kiarostami é mesmo considerado um dos últimos grandes realizadores do mundo vivos.
É curioso como num estado com um regime tão duro o cinema consegue ser uma das indústrias em crescendo, visto que a censura é real, intensa e abrangente. Muitos dos grandes filmes dos vários realizadores iranianos agora conhecidos foram banidos do país e apenas apresentados fora dele. Todos os filmes de Panahi foram banidos do Irão.
Jafar Panahi é um homem de coragem, um artista e um patriota para todos os efeitos, tentando através do seu trabalho, promover um desenvolvimento social justo e democrático no seu país. O regime iraniano, por conhecer o verdadeiro poder do cinema prendeu-o, como inimigo do estado.
Que da injustiça sobre o trabalho artístico e humanidade de Jafar Panahi se faça luz, e um pequeno passo seja dado em direção à liberdade no Irão.

PS. Panahi continua sobre vigilância e prisão domiciliária no Irão. Continuará a ser um génio aprisionado.

terça-feira, 27 de março de 2012

OuVido

Beach House - Teen Dream (2010)

Ora aí está mais uma bela surpresa, recheada de criatividade e frescura, intelectualidade e bom gosto! Exatamente: adoro os Beach House. Dupla franco-americana, formados em 2004, e compostos por Alex Scally e Victoria Legrande. Possuem um atmosférico som, ao estilo dream pop ou shoegaze (fixados nos sapatos...), de ritmo lento, fazendo lembrar demoradas tardes nos anos 80, com um toque de Mazzy Star.
Este é o 3º álbum da banda, que já começa a romper aquela ténue fronteira entre o independente e o comercial, num surpreendente pop, na minha opinião, sempre em qualidade crescente desde o primeiro trabalho.
Se os primeiros trabalhos já foram referenciados pela crítica musical, principalmente a norte-americana, este disco atribuiu-lhes um estatuto confirmado, sendo considerado o 5º melhor disco de 2010 pela revista Pitchfork, e obtido outras posições de destaque pela Exclaim!, Rolling Stone e The Guardian.



quinta-feira, 22 de março de 2012

OuVisto

Win Win (2011)

Esta comédia dramática, realizada por Thomas McCarthy (Michael ClaytonGood Night, and Good Luck), retrata um desanimado advogado de meia idade (o sempre magnífico Paul Giamatti), na sua luta do dia-a-dia com a esposa e duas filhas. 
A sua paixão é no entanto a luta livre, sendo treinador da equipa do liceu local, onde, através de um negócio questionável, recebe um jovem e promissor atleta, neto de um cliente seu - o perturbado adolescente Kyle, que é acolhido pela família do advogado.
Mas depois surge a sua mãe biológica, após reabilitação de toxicodependência, e ameaça estragar esta recente paz na vida de todos...
Curiosa banda sonora, com um single feito propositadamente pelos The National, "Think You Can Wait".


quarta-feira, 21 de março de 2012

Amostra-me Cinema Português


Amostra-me Cinema Português | 21 de Março | "Viagem a Portugal" de Sérgio Tréfaut

Extra, Extra!




Amostra-me Cinema Português continua na próxima quarta-feira, dia 21 de Março, às 21h00, com a projecção do filme Viagem a Portugal, deSérgio Tréfaut, no pequeno auditório do Centro Cultural e de Congressos de Angra do HeroísmoA apresentação contará com a presença do realizador, que estará disponível para uma conversa com os espectadores, após o visionamento do filme.










Amostra-me Cinema Português é antes de tudo uma intenção de manifesto da vida através do cinema. É um manifesto.

Será apresentado um filme por mês, a uma dada quarta-feira.

Filme de Abril e respectivo dia serão anunciados no dia 21 de Março, na sessão de cinema e posteriormente publicados online.

Os bilhetes custam 2 euros. 50% de Desconto para Sócios.


mais informações:
http://amostra-me-cinema.blogspot.com/
http://burrademilho.blogspot.com


bilheteira online: 
http://culturangra.ticketbuster.net/Calendario.aspx?Ref=26&CodEspec=22091


terça-feira, 20 de março de 2012

A dor em Francis Bacon

Francis Bacon - Self Portrait (1975)
 
Francis Bacon - Self Portrait (1971)
 
Francis Bacon - Study for a Self Portrait (1985-86)

Francis Bacon - Study for the Head of George Dyer (1973)

Só para recordar: Francis Bacon (1909-1992) foi um potente pintor irlandês, mais conhecido pelo seu trabalho figurativo, de cariz austero, grotesco e audaz. É descendente do "outro" Francis Bacon, um dos pais da ciência moderna (filósofo do séc. XVI). 

Para Bacon, o tabu era o pequeno-almoço: trabalhou quase tudo o que nos choca, como as fantasias masoquistas ou pedófilas, transgressões sexuais, religião e fluídos humanos... Mas a sua visão "modernista" criou uma bela e tensa imagem da dor humana, como se vê nestes exemplos acima, nestes corpos de dor, alguns auto-retratos.

sábado, 17 de março de 2012

Da Banda Desenhada

A banda desenhada de jornal mais engraçada que encontrei até hoje. Pensativa, crítica e sem grandes artefatos. F Minus: