quarta-feira, 14 de março de 2012

OuVido


Ry Cooder - Paradise and Lunch (1974) 

Dono de uma carreira brilhante e multifacetada, já trabalhou em várias áreas da música, sendo o seu instrumento de eleição a guitarra - da qual é um verdadeiro virtuoso, ao seu próprio estilo.
Já foi considerado um dos melhores guitarristas do mundo pela Rolling Stone, mas o que lhe vale é o seu ecletismo, abrangendo desde o folk ao jazz, passado pelo country, música experimental e blues, entre outras...
Já ganhou três Grammy, e possui uma discografa interminável, entre trabalhos a solo e colaborações, certamente acima das 40 edições.
Neste magnífico e marcante disco, o destaque vai para o jazz, blues e música tradicional americana (roots), e foi o trabalho que o catapultou para o reconhecimento nacional e internacional.
Consegue misturar sons que parecem ter mais de 60 anos, com a cena experimental e inovadora dos anos 70, em que o disco foi produzido, nunca perdendo a coesão, mesmo apresentando tantos estilos diferentes. Este, que para muitos continua a ser o seu principal trabalho (embora pessoalmente prefira o divertidíssimo Chávez Ravine, 2005), acaba em beleza com o tema mais conhecido, "Ditty Wah Ditty", em parceria com o mítico pianista Earl "Fatah" Hines, representando esta sim a verdadeira "world music" norte-americana do século XX!

PS. E, já agora, a capa é o máximo!

terça-feira, 13 de março de 2012

Leituras: Hermes e Cibertexto


Luís Filipe B. Teixeira - Hermes ou a experiência da mediação (2004) 
Espen Aarseth - Cibertexto: Perspectivas sobre literatura ergódica (1997)

Desta vez são dois livros, dos tempos de uma pós-graduação em Gestão Cultural, sobre comunicação, cultura e tecnologia, termos tão antigos (inicialmente explorados na Grécia) como atuais - tecnologias de informação.

Podem ser considerados leitura técnica, mas para os verdadeiramente apaixonados por estas questões, serão necessariamente tratados de cariz filosófico, profundo e suscitador de imensas perguntas.

É a inevitável junção entre o tecnológico e o pensamento humano. As novas tecnologias e os livros, não em choque, mas em progressão natural na evolução das novas sociedades urbanas.

São obras que apresentam uma visão transdisciplinar da cultura contemporânea à luz do seu cruzamento com as problemáticas dos novos media e das tecnologias da informação.

Agora, depois da sua leitura, estou agradecido por me terem chegado às mãos, pelo Prof. Luís Filipe Teixeira e à editora “Pedra de Roseta.

quinta-feira, 8 de março de 2012

OuVisto

Farewell (2009)

"O Caso Farewell", na tradução portuguesa, é um filme francês de 2009, realizado por Christian Carion, que tive a sorte de ver graças à RTP 2, e àqueles dias em que decide programar dois bons filmes seguidos... nunca percebi bem quando e como, mas de facto brinda-nos ocasionalmente com essa situação.
Trata-se de um humano filme de espionagem, baseado em factos reais, nomeadamente na vida de um alto oficial da KGB e de um empresário francês a viver na Rússia, em plena Guerra Fria.
Uma das outras coisas boas deste filme, é a excelente interpretação de Emir Kusturica, no papel do oficial russo - muito bom: o homem canta, toca, filma, representa...

terça-feira, 6 de março de 2012

Razões Para Estar Grato

Viver numa ilha onde pela manhã, no início de março, estão 17 graus de temperatura, o sol reflete por tudo quanto é sítio, ouvindo o novo disco dos Stateless...





quinta-feira, 1 de março de 2012

Para todos os efeitos, é um TOP 10! (Janeiro de 2011)


Tinha sinceramente assegurado a mim próprio que não tentaria fazer nenhum artigo de rescaldo, num típico cliché desta época de transição entre anos, ou uma análise ao estado das coisas no mundo artístico.
Mas através de algumas leituras online e em revistas, cheguei a uma conclusão que acho interessante partilhar, no que diz respeito à música editada em 2010, e aos respectivos tops de venda e de crítica jornalística.
Efectuei então uma análise heterogénea e imparcial, utilizando como referências revistas, jornais e sites dedicados à música, uns mais comerciais e outros menos, destacando a revista Rolling Stone, a New Music Express, o Blitz, a Pitchforfk e a Bodyspace.
Optei por não ter em atenção os dados estatísticos de vendas, pois como se trata de um mercado com regras próprias, com um marketing próprio e um espaço televisivo muito específico, dominado pelas grandes empresas, torna-se difícil uma relação exacta entre a verdadeira qualidade musical de um trabalho e o seu sucesso ao nível de vendas.
Com esta abordagem, torna-se difícil, mesmo sem juízo de valor sobre o seu trabalho, inserir artistas como Lady Gaga, Shakira ou Justin Bieber, verdadeiras máquinas de fazer dinheiro, realizando grandes eventos de puro entretenimento popular.
Então, para todos os efeitos, aqui segue o Top 10 das minhas pesquisas:
10. Caribou: “Swim”. Neste terceiro disco deste projecto de música electrónica “downtempo”, com uma abordagem fresca e dinâmica alcança a maturidade, deixando antever futuros trabalhos com muita qualidade.
9. The National: “High Violet”. Influenciados pelo movimento pós-punk dos anos 90, esta banda de Nova Iorque optou por um rock mais calmo, introspectivo, mas ainda não aparecem lado a lado com outros gigantes da cena “indie”, como os Arcade Fire, embora seja este o seu quinto álbum, e desta vez pela grande editora do mundo alternativo, a 4AD.
8. Joanna Newsom: “Have One on Me”. É apenas o seu terceiro álbum, mas esta original artista, com laivos de música folk e uma postura avant-garde, proporciona-nos sempre uma fantástica e mágica audição dos seus etéreos temas. Uma das minhas favoritas desta lista.
7. Deerhunter: “Halcyon Digest”. Felizmente os Deerhunter começam a ocupar o espaço que vem logrando, com vários discos editados, e sempre com uma criatividade muito grande, num rock experimentalista, abrangendo muitas sonoridades, por vezes agressiva e barulhenta, por vezes fazendo lembrar a calma ambiência dos Sigur Rós.
6. Ariel Pink's Haunted Graffiti: “Before Today”. Banda quase desconhecida até 2004, estes norte-americanos possuem um eclético som com origens nos psicadélicos anos 60, mas com incursões no pop dos anos 80, gravando também agora pela 4AD, e com um trabalho mais consistente. A conhecer melhor.
5. Arcade Fire: “The Suburbs”. Já quase todos conhecem esta mega-banda canadiana, sendo um bom exemplo de música com qualidade, num projecto inovador e com objectivos mais artísticos do que comerciais, que atinge um importante lugar no estrelato mundial musical. Disco cheio de energia, e já com um sentido de nostalgia em relação a trabalhos anteriores.
4. Beach House: “Teen Dream”. Mais uma prova da ténue fronteira entre música comercial e independente, com a importância do som pop, neste caso mais “dream pop”. Tão bom e surpreendente quanto o álbum anterior, “Devotion”.
3. Vampire Weekend: “Contra”. Desde o lançamento do seu primeiro disco em 2007, via internet, a popularidade dos Vampire Weekend nunca mais parou de crescer, e com este trabalho alcançou a fama (nº1 nos EUA) e o reconhecimento da crítica mundial. Mais um grupo de Nova Iorque, verdadeira capital artística do planeta, actual centro da produção da música de cariz independente e alternativo.
2. LCD Soundsystem: “This Is Happening”. É o álbum do ano que aparece em mais listas ou Top 10 das fontes pesquisadas, embora em posições mais intermédias (do 1º ao 10º). Com mais um disco de qualidade, desta vez com uma sonoridade ainda mais “retro” (rebuscado aos anos 70), apresenta-nos um conjunto de rave, disco e dance punk, sempre baseado em nostálgicos sintetizadores analógicos. Também estão a chegar ao lugar de destaque que merecem, por muitos anos de bom e constante trabalho. Existem alguns rumores de que se trata do último álbum sob a égide de LCD Soundsystem…
1. Kanye West: “My Beautiful Dark Twisted Fantasy”. E chegamos ao nº1, com o inevitável Kanye West, num ano em que lhe aconteceu de tudo, quer por vicissitudes impossíveis de controlar, quer por temperamento descontrolado e infantil. É muito difícil não gostar deste disco, por mais inimigos e antipatias que West tenha criado nos últimos anos. Sendo um disco de rap, é todo ele poesia, e acima de tudo, todas as músicas tem um significado, uma história e coerência… aqui não há músicas para encher balões! Com “beats”, rimas e canções, esta obra-prima de Kanye West, o rei alternativo do rap norte-americano, coloca o artista em primeiro lugar de muitas listas e tops de 2010, sendo por alguns críticos mais extremos, a ser considerado como o futuro Michael Jackson, com um som muito diversificado, embora baseado no urbano hip-hop. Aproveito para admitir também a minha preferência por este disco, em relação a tudo o que ouvi em 2010, embora me tenha escapado muita coisa, mas enquanto fã de longa data, regozijo-me com este resultado.
Para concluir, regresso ao aspecto que deu origem a este artigo, em forma de “Best Of 2010”: a proximidade actual entre a música de cariz mais alternativo e independente e o mainstream. Também é verdade que ser indie (ou independente) está na moda, mas talvez isso mesmo tenha permitido a grandes trabalhos musicais sair da obscuridade de alguns site e blogues pouco conhecidos.
Esperemos agora pelos lançamentos de 2011, com esperança de criatividade e qualidade.

PS. Este revisitar de artigos, neste caso com pouco mais de um ano, serve-me de ponto de comparação com a minha atual visão das coisas. E neste caso da música continuo muito parecido. Aparentemente nem evolui nem regredi...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A dor em Guernica

Pablo Picasso - Guernica (1937)

Existem alguns quadros e peças de arte que marcam de facto a humanidade, que habitam a nossa memória por tanto tempo, mantendo um desejo de um dia as vermos ao vivo, quase como uma confirmação de que é real, mas também de satisfação pessoal. Assim, após ter tido a sorte de visitar o Museu Nacional Rainha Sofia, em Madrid, não podia deixar de contemplar o famoso painel "Guernica", de Pablo Picasso.

Este trabalho representa um bombardeamento à cidade espanhola de Guernica, por aviões alemães e italianos, durante a guerra civil espanhola, em 1937, e tem sido desde então uma das mais reconhecidas representações da dor humana e da guerra, pelo sofrimento causado a tantos civis inocentes.

Apenas foi usado o preto e o branco neste trabalho, no estilo cubista, tão próprio de Picasso, sendo claro que a mensagem é de tristeza, abandono e sofrimento, e embora tenha uma abrangência universal, também reflete emoções muito pessoais do próprio autor.

Mas por mais estudos que tenham sido publicados, por mais versões e opiniões sobre o que queria realmente Picasso dizer nesta sua dinâmica obra, é o próprio a desmistificar o assunto, afirmando que pintou os objectos que lá estão por serem eles mesmos: "um toiro é um toiro e um cavalo é um cavalo; o significado que cada um dá a eles, também eu conclui pessoalmente".