quinta-feira, 8 de março de 2012

OuVisto

Farewell (2009)

"O Caso Farewell", na tradução portuguesa, é um filme francês de 2009, realizado por Christian Carion, que tive a sorte de ver graças à RTP 2, e àqueles dias em que decide programar dois bons filmes seguidos... nunca percebi bem quando e como, mas de facto brinda-nos ocasionalmente com essa situação.
Trata-se de um humano filme de espionagem, baseado em factos reais, nomeadamente na vida de um alto oficial da KGB e de um empresário francês a viver na Rússia, em plena Guerra Fria.
Uma das outras coisas boas deste filme, é a excelente interpretação de Emir Kusturica, no papel do oficial russo - muito bom: o homem canta, toca, filma, representa...

terça-feira, 6 de março de 2012

Razões Para Estar Grato

Viver numa ilha onde pela manhã, no início de março, estão 17 graus de temperatura, o sol reflete por tudo quanto é sítio, ouvindo o novo disco dos Stateless...





quinta-feira, 1 de março de 2012

Para todos os efeitos, é um TOP 10! (Janeiro de 2011)


Tinha sinceramente assegurado a mim próprio que não tentaria fazer nenhum artigo de rescaldo, num típico cliché desta época de transição entre anos, ou uma análise ao estado das coisas no mundo artístico.
Mas através de algumas leituras online e em revistas, cheguei a uma conclusão que acho interessante partilhar, no que diz respeito à música editada em 2010, e aos respectivos tops de venda e de crítica jornalística.
Efectuei então uma análise heterogénea e imparcial, utilizando como referências revistas, jornais e sites dedicados à música, uns mais comerciais e outros menos, destacando a revista Rolling Stone, a New Music Express, o Blitz, a Pitchforfk e a Bodyspace.
Optei por não ter em atenção os dados estatísticos de vendas, pois como se trata de um mercado com regras próprias, com um marketing próprio e um espaço televisivo muito específico, dominado pelas grandes empresas, torna-se difícil uma relação exacta entre a verdadeira qualidade musical de um trabalho e o seu sucesso ao nível de vendas.
Com esta abordagem, torna-se difícil, mesmo sem juízo de valor sobre o seu trabalho, inserir artistas como Lady Gaga, Shakira ou Justin Bieber, verdadeiras máquinas de fazer dinheiro, realizando grandes eventos de puro entretenimento popular.
Então, para todos os efeitos, aqui segue o Top 10 das minhas pesquisas:
10. Caribou: “Swim”. Neste terceiro disco deste projecto de música electrónica “downtempo”, com uma abordagem fresca e dinâmica alcança a maturidade, deixando antever futuros trabalhos com muita qualidade.
9. The National: “High Violet”. Influenciados pelo movimento pós-punk dos anos 90, esta banda de Nova Iorque optou por um rock mais calmo, introspectivo, mas ainda não aparecem lado a lado com outros gigantes da cena “indie”, como os Arcade Fire, embora seja este o seu quinto álbum, e desta vez pela grande editora do mundo alternativo, a 4AD.
8. Joanna Newsom: “Have One on Me”. É apenas o seu terceiro álbum, mas esta original artista, com laivos de música folk e uma postura avant-garde, proporciona-nos sempre uma fantástica e mágica audição dos seus etéreos temas. Uma das minhas favoritas desta lista.
7. Deerhunter: “Halcyon Digest”. Felizmente os Deerhunter começam a ocupar o espaço que vem logrando, com vários discos editados, e sempre com uma criatividade muito grande, num rock experimentalista, abrangendo muitas sonoridades, por vezes agressiva e barulhenta, por vezes fazendo lembrar a calma ambiência dos Sigur Rós.
6. Ariel Pink's Haunted Graffiti: “Before Today”. Banda quase desconhecida até 2004, estes norte-americanos possuem um eclético som com origens nos psicadélicos anos 60, mas com incursões no pop dos anos 80, gravando também agora pela 4AD, e com um trabalho mais consistente. A conhecer melhor.
5. Arcade Fire: “The Suburbs”. Já quase todos conhecem esta mega-banda canadiana, sendo um bom exemplo de música com qualidade, num projecto inovador e com objectivos mais artísticos do que comerciais, que atinge um importante lugar no estrelato mundial musical. Disco cheio de energia, e já com um sentido de nostalgia em relação a trabalhos anteriores.
4. Beach House: “Teen Dream”. Mais uma prova da ténue fronteira entre música comercial e independente, com a importância do som pop, neste caso mais “dream pop”. Tão bom e surpreendente quanto o álbum anterior, “Devotion”.
3. Vampire Weekend: “Contra”. Desde o lançamento do seu primeiro disco em 2007, via internet, a popularidade dos Vampire Weekend nunca mais parou de crescer, e com este trabalho alcançou a fama (nº1 nos EUA) e o reconhecimento da crítica mundial. Mais um grupo de Nova Iorque, verdadeira capital artística do planeta, actual centro da produção da música de cariz independente e alternativo.
2. LCD Soundsystem: “This Is Happening”. É o álbum do ano que aparece em mais listas ou Top 10 das fontes pesquisadas, embora em posições mais intermédias (do 1º ao 10º). Com mais um disco de qualidade, desta vez com uma sonoridade ainda mais “retro” (rebuscado aos anos 70), apresenta-nos um conjunto de rave, disco e dance punk, sempre baseado em nostálgicos sintetizadores analógicos. Também estão a chegar ao lugar de destaque que merecem, por muitos anos de bom e constante trabalho. Existem alguns rumores de que se trata do último álbum sob a égide de LCD Soundsystem…
1. Kanye West: “My Beautiful Dark Twisted Fantasy”. E chegamos ao nº1, com o inevitável Kanye West, num ano em que lhe aconteceu de tudo, quer por vicissitudes impossíveis de controlar, quer por temperamento descontrolado e infantil. É muito difícil não gostar deste disco, por mais inimigos e antipatias que West tenha criado nos últimos anos. Sendo um disco de rap, é todo ele poesia, e acima de tudo, todas as músicas tem um significado, uma história e coerência… aqui não há músicas para encher balões! Com “beats”, rimas e canções, esta obra-prima de Kanye West, o rei alternativo do rap norte-americano, coloca o artista em primeiro lugar de muitas listas e tops de 2010, sendo por alguns críticos mais extremos, a ser considerado como o futuro Michael Jackson, com um som muito diversificado, embora baseado no urbano hip-hop. Aproveito para admitir também a minha preferência por este disco, em relação a tudo o que ouvi em 2010, embora me tenha escapado muita coisa, mas enquanto fã de longa data, regozijo-me com este resultado.
Para concluir, regresso ao aspecto que deu origem a este artigo, em forma de “Best Of 2010”: a proximidade actual entre a música de cariz mais alternativo e independente e o mainstream. Também é verdade que ser indie (ou independente) está na moda, mas talvez isso mesmo tenha permitido a grandes trabalhos musicais sair da obscuridade de alguns site e blogues pouco conhecidos.
Esperemos agora pelos lançamentos de 2011, com esperança de criatividade e qualidade.

PS. Este revisitar de artigos, neste caso com pouco mais de um ano, serve-me de ponto de comparação com a minha atual visão das coisas. E neste caso da música continuo muito parecido. Aparentemente nem evolui nem regredi...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A dor em Guernica

Pablo Picasso - Guernica (1937)

Existem alguns quadros e peças de arte que marcam de facto a humanidade, que habitam a nossa memória por tanto tempo, mantendo um desejo de um dia as vermos ao vivo, quase como uma confirmação de que é real, mas também de satisfação pessoal. Assim, após ter tido a sorte de visitar o Museu Nacional Rainha Sofia, em Madrid, não podia deixar de contemplar o famoso painel "Guernica", de Pablo Picasso.

Este trabalho representa um bombardeamento à cidade espanhola de Guernica, por aviões alemães e italianos, durante a guerra civil espanhola, em 1937, e tem sido desde então uma das mais reconhecidas representações da dor humana e da guerra, pelo sofrimento causado a tantos civis inocentes.

Apenas foi usado o preto e o branco neste trabalho, no estilo cubista, tão próprio de Picasso, sendo claro que a mensagem é de tristeza, abandono e sofrimento, e embora tenha uma abrangência universal, também reflete emoções muito pessoais do próprio autor.

Mas por mais estudos que tenham sido publicados, por mais versões e opiniões sobre o que queria realmente Picasso dizer nesta sua dinâmica obra, é o próprio a desmistificar o assunto, afirmando que pintou os objectos que lá estão por serem eles mesmos: "um toiro é um toiro e um cavalo é um cavalo; o significado que cada um dá a eles, também eu conclui pessoalmente".

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

OuVisto

Ariel Pink's Haunted Graffiti - Before Today (2010)

Este foi o álbum que mais ouvi no ano passado, mesmo sem o considerar como o favorito, foi o que mais alegria me proporcionou ao escutar. E tudo isto num primeiro contacto que tive com o mundo de Ariel Pink's Haunted Graffit, num divertido "folk punk", conferindo qualidade e criatividade ao som mais lamecha e piroso, semelhante ao soft pop dos anos 80. Muito Bom.
É sem dúvida um talento muito singular, e um som muito criativo, diferente e original - algo difícil de afirmar. E ao mesmo tempo é de muito fácil audição, ou assim parece, pois debaixo de tanta simplicidade e "easy listening", reside uma artística irreverência de qualidade.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

OuVisto

The Great Buck Howard (2008)

Esta ternurenta comédia dramática retrata um jovem (Colin Hanks) à procura de rumo na vida, desistindo do curso de Direito, que não era o seu destino, e se torna assistente pessoal de um ultrapassado mágico (John Malkovich), preso a um passado de sucesso.
Numa viagem ao longo do país em digressão, prepara-se o grande regresso do mágico, num misto de expectativa de falhanço premente, mas com uma mensagem de esperança e humanismo intensa!
Por curiosidade, quando Tom Hanks aparece no filme, no papel do pai do jovem, é que me apercebi que o actor Colin "Hanks" era o seu filho...


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Takeshi Kitano – Nunca Digas Banzai! (2010-12)


Conheci-o como actor, depois realizador, e agora percebo-o como provocador que é. “Beat” Takeshi Kitano, do Japão para o Mundo a uma velocidade televisiva!
A meio dos anos 90, não havia sábado à tarde que não perdesse uma boa hora ou duas a ver o programa “Nunca Digas Banzai”, que chegou a emitir na RTP1 uns anos antes e posteriormente, já na era TV Cabo, na SIC Radical.
De nome original “Takeshi’s Castle”, constava de um concurso televisivo japonês, onde inicialmente mais de uma centena de concorrentes iriam tentar chegar a uma batalha final para conquistar o castelo de um conde maluco, representado por Takeshi Kitano.
No entretanto, em várias provas a eliminar, a gargalhada originava lágrima quase certa: desde os labirintos cujas portas terminavam em banhos de lama, ou as fossas que tinham que ser ultrapassadas por uma corda, o prazer de ver os nossos amigos nipónicos a tentarem cometer proezas físicas quase impossíveis era do melhor que um sábado à tarde em casa nos podia providenciar!
Os comentários, por curiosidade, eram feitos pelos jovens José Carlos Malato e Ana Lamy, e nem ligavam muito ao que se ia passando no concurso, mas sim gozando com as expressões, palavras e, acima de tudo, “figuras” que os concorrentes faziam.
Mas a verdadeira história por trás deste artigo é a exposição “Gosse de Peintre”, que se realizou este ano entre Março e Setembro, na Fundação Cartier, em Paris. Não fui, nem estive lá perto. Mas bendita internet e comunicação social portuguesa, que nos permitem viajar e sonhar sentados no conforto da nossa casa.
Esta foi a primeira exposição de Takeshi Kitano, o maluco apresentador do programa “Nunca Digas Banzai”, e logo uma das mais ambiciosas da Fundação Cartier, segundo a sua administração. Embora comunicando directamente com os adultos, foi desenhada para levar a sério as crianças, convidando-as a pensar e a sonhar, juntando-se assim à exposição.
Como disse o próprio autor, “com esta exibição, tentei expandir a definição de «arte», torná-la menos convencional, menos snob, mais casual e acessível a todos.”
Criada inteiramente por Takeshi Kitano, especificamente para aquele espaço, é composta por pinturas, vídeos, esculturas e máquinas fantásticas, associado a um certo cliché que existe sobre a cultura japonesa.
Com um forte cariz autobiográfico, esta exposição prima pela ideia de subversão que faz de uma exposição “normal”, ou seja, transforma um museu em parque de diversões, convidando o visitante a interagir e participar – algo que muitos tentam, mas poucos conseguem.
Enquanto criança, Kitano ajudava o pai, que era pintor, sendo gozado pelos seus colegas de classe média japonesa, que o chamavam de “filho de pintor”, o que considerava uma grande ofensa. Agora, na sua primeira exposição, vinga-se desses tempos, intitulando a exposição de “Gosse de Peintre”, literalmente “filho de pintor”. Já num dos seus filmes mais populares em Portugal, “O Verão de Kikujiro” (1999), a infância é o tema retratado, numa perspectiva muito humana e poética, sempre acompanhada de humor.
Realizador, actor, apresentador de televisão, comediante, pintor e escritor, Takeshi Kitano tem de facto uma personalidade singular. Famoso no mundo ocidental pelos filmes que tem realizado, é uma estrela popular da televisão japonesa.
Muito do seu trabalho cinematográfico inicial recai sobre a máfia japonesa, a Yakuza, com cenas demasiado longas onde nada acontecia, ou cenas que terminavam repentinamente e muito violentas.
Com cerca de 15 filmes realizados entre 1989 e 2010, muitos dos quais também escritos, montados e protagonizados pelo próprio, os destaques vão certamente para “Fireworks” (1997), “Dolls” (2002) e “Achiles and the Tortoise” (2008), tendo já ganho vários prémios nos principais festivais de cinema por todo o mundo. Recentemente estreou o último filme, “Outrage”, durante o Festival de Cannes de 2010.
Mas a sua verdadeira faceta de estrelato é enquanto apresentador de televisão no Japão, com outros concursos e séries de comédia de enorme sucesso depois de “Takeshi’s Castle”.
Takeshi Kitano já foi considerado por alguma crítica japonesa como o verdadeiro sucessor de Akiro Kurosawa, o mais famoso realizador de cinema japonês de sempre. Ainda arranja tempo para dar aulas na Universidade de Artes de Tóquio, dirige uma agência de talentos, assim como um festival internacional de cinema, o “Tokyo Filmex”.
Um exemplo destes dá-nos vontade de levantar da cadeira e produzir qualquer coisa, intervir de qualquer modo, e de preferência, fazer qualquer tipo de alteração na nossa sociedade.

in Jornal Feedback 100%, Dezembro de 2010