sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Ai Wei Wei, sempre em apuros

Ai Wei Wei - "Absent"

Sempre em confronto com o governo chinês, aquele que já foi considerado o artista mais poderoso do mundo é agora homenageado em Taipei (Taiwan ou Formosa), ao típico estilo provocativo desta democrática e autónoma ilha chinesa.




quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Os Simpsons, segundo Bansky (2010-11-12)

Há mais de vinte anos que a maluca família dos Simpsons nos entra pela casa dentro, numa bem conseguida paródia satírica do estilo de vida da classe média nos Estados Unidos da América, assim como de vários aspectos da condição humana.
Sobreviveu todo esse período, com os normais altos e baixos de um programa de televisão, críticas de perca de qualidade, mas sempre mantendo uma irreverência que é a sua identidade, como afirmam os próprios criadores, admitindo ser um espaço de comédia arriscada, mas nunca pessoal, apenas com piada!
E foi nesse espírito que pela primeira vez convidaram alguém externo à equipa para desenhar uma sequência completa da abertura do programa, e quem melhor do que o jovem e também irreverente artista inglês de graffiti Bansky. Este, com total liberdade por parte dos editores, resolveu criar uma forte crítica aos supostos métodos de trabalho das grandes empresas norte-americanas, mostrando imagens animadas de trabalhadores asiáticos, presos numa cave húmida, fazendo filmes, brinquedos e DVD’s da marca Simpsons.
A sequência termina, como sempre, com a família a sentar-se no sofá da sala, onde vai começar a assistir à sua própria série, que sempre foi considerado pelos escritores dos Simpsons como mais uma oportunidade para inserir uma piada.
Esta transmissão causou imediatamente muito furor e muito se escreveu nos órgãos de comunicação social de todo o mundo, sobre um assunto já muito denunciado, mas ainda real – a utilização de mão-de-obra infantil e praticamente escravizada nos países do terceiro mundo.
E o artista em questão? Também já ele alvo de várias tentativas de processos judiciais, o que não tem sido possível, pois ninguém sabe a sua verdadeira identidade, Bansky é artista e criador de graffiti britânico, e tem vindo a conquistar grande sucesso nos últimos anos, fazendo trabalhos em stencil (tinta em spray por cima de molde em cartão) pelas ruas da cidade de Bristol e Londres.
Para todos os efeitos, e devido ao cariz interventivo do seu trabalho, é também um activista político, baseando a sua satírica arte em análise da sociedade actual. Expulso da escola aos 14 anos de idade, esteve também preso por pequenos delitos, mas sempre tem conseguido manter a sua identidade secreta, sempre com uma capuz sobre a cabeça e cara tapada.
Em 2006 vendeu um trabalho à cantora norte-americana Christina Aguilera de uma imagem da Rainha Vitória com uma “atitude” lésbica por 28 mil euros, e em Fevereiro de 2007, vendeu o trabalho “Bombing Middle England” por 113 mil euros num leilão na Sotheby de Londres – impressionante para um artista de rua!
Além de cinco livros editados em nome próprio e já três obras sobre ele, lançou ainda este ano um documentário relacionado com os graffiti, intitulado “Exit Through the Gift Shop”, que tem tido excelentes críticas, sendo naturalmente polémico e independente na sua realização e transmissão de ideias.
E em 2010 encontra os Simpsons.



PS. I Lova Bansky



quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

OuVido e OuVisto

Foi um verdadeiro 3 em 1, pois estava na companhia de uma das minhas bandas de eleição, os Sigur Rós, há quase uma semana no carro, reouvindo o álbum Ágaetis Byrjun, quando recebi a minha primeira boa oferta de Natal: o álbum e filme (CD e DVD) INNI, o mais recente trabalhos destes angelicais islandeses.

Sigur Rós - Ágaetis Byrjun (1999)
É sem dúvida o meu álbum preferido desta banda, e o que me fez apaixonar definitivamente pelo seu som, pela sua estética e pelo seu minimalismo cheio de emoção. As pesadas guitarradas misturam com um poder vocal sui generis, sempre numa melancólica harmonia. Não existe maneira menos alegórica de explicar este som.


Sigur Rós - INNI (2011)
Neste novo trabalho, onde se reúnem várias gravações ao vivo durante a tour de 2008, em dois CD, mantém-se toda a pureza e sinceridade do seu som, por vezes sem secção de cordas, que tanto "enche", causando novas sensações, ao ouvirmos músicas que já conhecemos, e que pelo facto de serem executadas ao vivo, já nada tem a haver com o que eram em estúdio. Muito Bom!


INNI (2011)
Ainda decorrente da tour de 2008, os Sigur Rós fizeram-se acompanhar pelo realizador Vincent Morisset, que produziu este belíssimo filme / documentário, onde ressalta toda a melódica paisagem sonora da banda, num resultado esteticamente tranquilo e inquietante ao mesmo tempo.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

II Poetry Slam


A Associação Cultural Burra de Milho e o Teatrinho – Espaço de Criação promovem, em co-produção, o II Poetry Slam – Mostra de Poesia Amadora, no próximo dia 7 de Janeiro de 2012, pelas 21h30, na sede do Alpendre – Grupo de Teatro.


O Poetry Slam pretende ser um espaço de partilha de poesia amadora, seguindo um formato informal com apresentador e inscritos. 


As inscrições para participar deverão ser feitas para o correio electrónico: new-blayer@hotmail.com 


A apresentação do Poetry Slam estará a cargo de Ricardo Blayer.


A participação e a entrada são livres.


Para mais informações, contactar:
Associação Cultural Burra de Milho: 916423836/ burra.de.milho@gmail.com
Teatrinho – Espaço de Criação: 968090029 / teatrinho.acores@sapo.pt

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

OuVisto

Sozinho, 180 Dias no Lago Baikal (2011)

Um ensaio sobre a pureza, a natureza e a vida isolada em condições inóspitas. Sozinho, este aventureiro francês, Sylvain Tesson, um misto de escritor, conferencista e cineasta, passa 180 dias numa pequena casa durante o Inverno no Lago Baikal, na Rússia. E foi mesmo a Vodka que lhe valeu...

domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal 2011

Para cima é que é o caminho... (2011-12-18)

Bom Natal e um bom Ano de 2012. No mínimo melhor.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Cinema e Vídeo nas Ilhas (2010-11-04)


Foram oito os seleccionados para a categoria de Vídeo do Concurso LabJovem, todos com um nível de criatividade muito interessante, e com a originalidade e irreverência típica dos mais jovens. Sem querer destacar em particular nenhum dos filmes, importa referir que os registos vão desde uma pesada abordagem poética com origem nos pensadores romanos, passando por videoclips de artistas também açorianos até registos mais juvenis e pedagógicos.
Dos oito seleccionados, será justo realçar o 1º classificado, neste feliz caso, uma representante do sexo feminino. Kara Miranda Lawrence nasceu em 1984 no Canadá, descendente de açorianos, especializou-se em cinema de animação, como nos mostra neste concurso com a curta-metragem “Oriana”. Trata-se de uma doce viagem de uma pequena fada, que passa por um mau bocado por não ter cumprido certas regras, mas o melhor é mesmo ver o vídeo, disponível, como todos os outros, entre os dias 15 e 21 de Novembro, no site oficial do concurso, www.labjovem.pt.
Esta jovem artista, além da atribuição de uma bolsa de estudo, recebeu ainda a menção LABCOMUNIDADES, destinada aos projectos seleccionados concebidos por descendentes de açorianos até à 3ª geração, uma novidade desta edição do concurso LabJovem. O júri foi novamente constituído por personagens de referência da cena audiovisual portuguesa, nomeadamente Rui Pereira, gestor e programador de cinema, e desde 2003 um dos directores do Festival Internacional IndieLisboa; Paulo Viveiros, Mestre em Ciências da Comunicação e professor da licenciatura de Cinema, Vídeo e Comunicação Multimédia na Universidade Lusófona; e Gonçalo Tocha, artista multifacetado e realizador irreverente, um dos novos valores da cinematografia portuguesa.
Esta semana passada, entre 31 de Outubro e 7 de Novembro, realizou-se o Festival de Curtas das Ilhas – Faial Film Fest 2010, já na sua 6ª edição, sempre aprimorando o seu formato e conteúdo. Tem vindo desde 2008 a “internacionalizar-se”, embora apenas dirigido ao mercado lusófono e das ilhas do Atlântico, mas numa clara perspectiva de expansão, acarretando ao mesmo tempo o factor de internacionalização dos Açores, algo apenas conseguido em igual dimensão pelo AngraJazz ou COFIT.
Este ano foram aceites a concurso 58 filmes, novo recorde, onde se conta com cerca de uma dezena de produções açorianas, com grande destaque para a ilha do Faial, assim como para a presença de filmes de várias origens da lusofonia, como Brasil ou Cabo Verde (ver www.azoresfilmfestival.org).
As áreas a concurso são a ficção, documentário, animação e experimental, e entre as actividades várias paralelas ao evento, é de destacar a homenagem ao realizador português Manoel de Oliveira, onde foi exibido o seu último filme, “Painéis de São Vicente de Fora – Visão Poética”.
Muito foi feito desde 2005, com a então “1ª Mostra de Filmes Produzidos no Faial”, num entusiasta e dinâmico trabalho feito pelo Cine Clube da Horta, pois apenas com muita dedicação, paixão e tempo se consegue criar um evento assim tão prestigiante para a região. Parabéns à organização!
Para finalizar este pequeno passeio pelas imagens em movimento das nossas ilhas, deve se congratular também a direcção do 9500 Cineclube, em Ponta Delgada, que tem vindo a apresentar uma programação de cinema com muita qualidade e, acima de tudo, com muito cuidado da sua escolha, divulgação e explicação.
Novamente com um grupo de pessoas muito apaixonadas e conhecedoras, trata-se de uma associação cultural sem fins lucrativos que tem como principal objectivo uma intervenção sistemática no âmbito do cinema (e não só), promovendo também actividades paralelas, como formação ou debates.
Destaque para as recentes organizações do Ciclo de Artes Plásticas, Ciclo de Cinema no Feminino e Novo Cinema Holandês, entre outras, que possibilitam aos açorianos em geral, e aos micaelenses em particular, assistirem a cinematografias às quais não teriam hipótese nos sistemas regulares de exibição (ver mais em www.9500cineclube.blogspot.com).
Os Açores sempre foram uma região com uma grande paixão pelo cinema, com altos e baixos como todas as áreas. Utilizando a recente metáfora de Mário Soares em relação aos políticos portugueses e ao vinho, pode-se dizer que nos Açores tivemos este ano uma excelente colheita!

Nota: passou-se mais um ano, cheios de sucesso pelas respectivas organizações. Um bom sinal de continuidade e de qualidade.