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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

The Album Leaf - mais introspecção...


​The Album Leaf​ - ​In a Safe Place (2004​)

Aqui está um daqueles projetos que admiro muito, mas que infelizmente tem pouca ou nenhuma divulgação. Também é um género introspetivo, pouco comercial e nada dançável, talvez alguns dos motivos do desconhecimento... mas é muita bom!

Projeto já com 15 anos, trata-se do produto da criatividade de Jimmy LaValle, da banda norte-americana Tristeza, com inspirações na música clássica, jazz e no riquíssimo pós-rock, numa postura ecléctica, misturando esses sons com ruídos, transmissões de rádio, etc...

Cedo deu nas vistas no mundo particularmente artístico do pós-rock, abrindo concertos para bandas como os Sigur Rós (que foi aliás como o conheci...). Em 2004 produz então In A Safe Place, no mesmo estúdio da banda islandesa referida e editado pela Sub Pop. Já gravou mais três álbuns entretanto, mas a minha preferência vai para este trabalho.

É um disco meditativo, profundo, que mesmo podendo parecer repetitivo em certas ocasiões, leva-nos certamente à introspeção, num onda de emoções que termina num grande vazio - relaxante (?).

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Os requintados De-Phazz

​De-Phazz - Big (2009)

De vez em quando também gosto de relaxar. E com música. E assim surgiram os De-Pahzz na minha vida, numa época dominada pelo trip-hop e chill out, com destaque para Kruder & Dorfmeister, Stefan Pompougnac, Air e Massive Attack, deparei-me com os vários trabalhos de extrema qualidade deste agrupamento germano-austríaco, com o destaque para este Big (2009), Death by Chocolate (2001) e também Daily Lama (2002).
Como sempre, exploram aqui uma vastidão de música, do soul ao jazz, passado pelo easy linstenig e música de origem latina, com inspiração nos grandes clássicos, posicionando-se claramente numa postura de música ambiente e lounge, mas com uma qualidade e criatividade muito requintada - não há de facto outra palavra... requintada.


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Pavement 101

​Pavement - Quarantine the Past: The Best of Pavement​ (2010)

Por mim inseria no blogue todos os álbuns dos Pavement, provavelmente a banda que me fez nascer para a música menos comercial e alternativa, com o seu espírito crítico, de base universitária norte-americana, e acima de tudo, com um excelente som e uma criatividade fora do comum.
As colectâneas são de facto sempre complexas, pois tiram o fio condutor de um álbum, que conta uma história específica, Mas neste caso conta muito bem a história dos Pavement.
Lançado pela Matador Records em 2010, compreende os sons iniciais da banda, nos seus exclusivos discos de vinil, até aos mais recentes e maduros trabalhos, numa fase final do grupo. Este é o primeiro registo em formato de colectânea, e teve por base a reunião do grupo liderado por Stephen Malkmus em 2010, sendo ainda dificultado pelo facto de a banda nunca ter tido nenhum "hit" nos tops.
Neste disco recordam-se temas emblemáticos para quem ouviu vezes sem conta os álbuns dos Pavement (como "Shaddy Lane" ou "Cut Your Hair"), sem novas músicas ou Lados B, podendo ser considerada uma boa biografia musical para iniciantes em Pavement.
Extremamente Recomendado!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Pelo Tempo: "O Regresso dos Ornatos" (2012-02-21)

Quem não gosta de uma boa notícia, principalmente em época de acometimento, e foi isso que me aconteceu: os Ornatos Violeta vão dar dois concertos, nos Coliseus da nação (Lisboa e Porto), a 25 e 30 de Outubro respetivamente.
Desde 2002, data do último concerto da banda, foi impressionante a disseminação e influência que tiveram com base nos dois únicos discos editados, “Cão!” (1997) e “O Monstro Precisa de Amigos” (1999), relançados recentemente a celebrar os 20 anos da sua criação, assim como um novo CD com inéditos e raridades, o que já deixava algo no ar…
Tornaram-se de facto uma referência musical no panorama português, que muitas boas memórias criaram, com Manuel Cruz (a alma), Nuno Prata (baixo), Kinorm (bateria), Elísio Donas (teclados) e Peixe (guitarra). Se em Portugal não existiu um circuito alternativo de música rock, tipo circuito universitário norte-americano, ou uma cidade co mais pujança criativa, como Seattle ou Manchester, tivemos os Ornatos Violeta!
Este quinteto, originário do Porto, esperou seis anos até à produção do seu primeiro álbum, o já referido e mítico “Cão!”, em 1997, onde revelaram toda a sua irreverência e criatividade, percorrendo musicalmente do Ska ao Rock, passando pelo Funk, entre outros. O talento foi logo reconhecido, tendo sido convidados pelos Xutos & Pontapés a abrirem vários concertos, entre eles, um no Coliseu de Lisboa.
Dois anos depois confirma-se toda a sua genialidade, com a edição do álbum “O Monstro Precisa de Amigos”, monumental e inovador, e que acabaria por ser o último trabalho da banda, arrecadando vários prémios, como o Álbum do Ano pela Blitz.
Este trabalho tem ainda mais valor pela sua qualidade transversal, como é disso exemplo a magnífica participação dos Corvos em algumas faixas, ou do mítico Victor Espadinha e ainda de Gordon Gano (dos Violent Femmes).
Ganham nova notoriedade ao participarem na coletânea de homenagem aos Xutos, “XX Anos, XX Bandas”, gravando uma versão de “Circo de Feras” que se tornou um quase ex-libris do álbum.    
Após a sua última e famosa aparição pública, no Hard club, onde ficaram célebres as três palavras proferidas por Manel Cruz: “até um dia”, começou imediatamente o legado dos Ornatos, surgindo em 2002 os Pluto, banda com um rock ligeiramente mais tradicional, incluindo Cruz e o guitarrista Peixe. No mesmo ano surgem ainda os Supernada, novamente liderados por Cruz.
Agora estão de volta, cimentados numa amizade que preferiram não estragar, acabando com a banda e não dando possibilidade a brigas e desentendimento… embora tenham tido a triste ideia de irem viver todos juntos num apartamento!
Miguel Rosa Costa


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Vintage Eletro-Pop

Destroyer - Kaputt (2011)

Este já é o nono álbum dos Destroyer, pouco divulgados em Portugal, mas uma banda com uma maturidade e experiência incríveis, tendo este trabalhado sendo considerado um dos melhores discos de 2011 por algumas revistas da especialidade.
Com origem no génio criativo de Daniel Bejar (que já colaborou com os The New Pornographers), surge-nos mais um disco onde a base musical pode situar-se algures entre os anos 70 e 80, mas com uma complexidade por vezes difícil de perceber, essa sim, bastante contemporânea.
É um vintage eletro-pop, calminho, com um "saxofonezinho" de fundo, numa batida romântica, com letras sentidas.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Hotel Costes, by Stéphane Pompougnac

Stéphane Pompougnac - Hôtel Costes, Vol. 2: La Suite (1999)

Este produtor francês, em meu entender, revolucionou e estandardizou um conceito de música easy listening / club dance... que poderíamos desmaterializar em música electrónica suave, com uma forte base jazística e um ritmo lento, ideal para átrios de hotéis e bares onde se pode conversar...
Se comercialmente esse é o alvo, a nível musical tem um sentido bastante ecléctico e de muita qualidade, com um funk/jazz muito bem escolhido e misturado, principalmente nestas colectâneas editadas pelo Hotel Costes (em Paris), onde podemos, por exemplo, encontrar uma delicada e divertida mistura de "Carnaval de São Vicente" de Cesária Évora, que em nada ofende nem deturpa a música original, e lança aliás o sentido do disco, um pouco retro, mas fashion q.b., com toques de anos 60 e 70 e ainda daqueles maravilhosos filmes de classe B...
Se não me engano, esta colectânea já vai em 15 ou 16 discos lançados, mas dos vários a que já tive acesso, este é para mim, sem dúvidas nenhumas, o melhor - um grande disco!
Chill...

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Sigur Rós - Mudar Para Permanecer

Sigur Rós - Takk (2005)

Acaba de sair o disco novo dos Sigur Rós, mas hoje vou falar (matar saudade) do álbum Takk, de 2005. Um regresso à catarse, fresca pelos vistos, sempre num "barulho" que marca a imagem deste magnífico grupo. Mesmo tendo um som diferente dos álbuns anteriores, existem reminiscências, nos arranjos, nas ambiências... na voz!
A melhor demonstração da sua criatividade e qualidade, é fazerem um disco que parece um som completamente diferente, mas no entanto, a base é a mesma, assim como a sua identidade.
Bom, como tudo o que fazem.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Pelo Tempo: "Que Música nos Deu 2011 – Parte II" (2012-01-10)

Em sexto lugar, temos uma espécie de estreia, embora seja o segundo álbum, e ambos lançados pelos próprios: “House of Balloons”, dos The Weeknd. A vogal que parece faltar já tinha mexido comigo antes, instigando-me curiosidade. O seu som parece uma mistura antiga, com técnica futurista…Difícil parar de ouvir. Também tenho que explorar mais.
Por oposição a álbuns de estreia, seguem-se dois consagrados nomes: Jay-Z e Kanye West, que poucos meses depois de editarem magníficos trabalhos em nome individual (sendo o 2º, para mim, o disco do ano em 2010), juntaram-se em “Watch the Throne”, numa já habitual atmosfera de crítica social, política e económica. Parece feito “às três pancadas”, mas quando se juntam estes dois o resultado apenas pode ser fenomenal!
Em oitavo, nova presença norte-americana, com o aparentemente desatualizado som folk-rock dos Fleet Foxes, com o álbum “Helplessness”. Poderosa harmonia que consegue identificar esta banda com o som independente americano. A ouvir melhor.
A próxima referência, “Black Up”, do projeto Shabazz Palaces, encontra-se no submundo do hip-hop experimental, com fortes influências de jazz e eletrónica, mas editado por uma editora de bandas independentes… Só mesmo ouvindo e percebendo o que estou a descrever.
A acabar uma pseudo-lista de álbuns para 2011, fica a deliciosa referência ao trabalho “David Comes to Life”, dos revivalistas punk canadianos Fucked Up, apresentando-nos um disco duplo conceptual de 80 minutos, retratando a vida de um operário fabril chamado David numa verdadeira opera rock. Pesado e longo, mas marcante.
Resta-me referir, a título mais pessoal, os álbuns dos Destroyer (“Kaputt”), dos Wild Flag (“Wild Flag”) e de Kurt Ville (“Smoke Ring For My Halo”), e acima de tudo, o novo trabalho de Stephen Malkmus, sem o brilho dos magníficos Pavement que liderou nos anos 90, mas é sempre bom ver alguém que admiramos gravar novo álbum, e com a qualidade desejada, como é o caso deste “Mirror Traffic”.
Em jeito de conclusão, e em comparação com artigo do mesmo género que escrevi o ano passado, pode observar-se uma maior aproximação a um som mais mainstream, mais comercial, por parte da crítica musical. Pode também ser um sinal dos tempos, com anos mais experimentalistas do que outros.
Em relação ao ano que nos espera, o fatídico 2012, a música continuará boa certamente, com grandes concertos em Portugal, aos quais não faltarão jovens ouvintes, antigos fãs, e relutantes acompanhantes.
Enfim, com vista à melhor fruição cultural possível, recheada de criatividade, destacamos as confirmadas presenças de Metallica e Bruce Springsteen no Rock in Rio; Björk, The xx e os carismáticos Yo La Tengo (!) no Optimus Primavera Sound; os Coldplay a 18 de Maio no Estádio do Dragão; e ainda os Stone Roses, Mazzy Star, Caribou e Radiohead (no dia dos meus anos!) no Optimus Alive.
A coisa promete. Boas músicas!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O Rock Experimental e Saboroso dos Tortoise

Tortoise - Millions Now Living Will Never Die (1996)

Se o seu álbum de estreia maravilhou muitos críticos, este segundo disco, de 1996, tornou-se o seu trabalho mais reconhecido até hoje, mesmo contando já com vários trabalhos de renome. Ficou aqui marcada a estética eclética dos Tortoise, misturando dub, eletrónica e um rock instrumental e artístico quanto baste para transformar este disco num excelente marco poético...

O destaque vai obviamente para "Djed", música dividida em várias partes (num total de 21 minutos), realçando a qualidade de composição da banda, viajando do dub ao krautrock, com traços de minimalismo e órgãos eletrónicos desconhecidos, assim como grandes guitarradas e alguns efeitos especiais sonoros...

Isto, senhores e senhoras, é o rock experimental ao seu mais alto nível, e ainda por cima, com uma melodia e harmonia muito aceitáveis comercialmente, nunca deixando a qualidade musical e criativa.


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Levantem essas Antenas (GYBE!)

Godspeed You Black Emperor! - Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven (2000)

Esta magnífica peça musical, composta "apenas" por quatro temas em dois discos, cada um deles com várias partes e cerca de 20 minutos cada, são um misto de música ambiente, pop, rock espacial e orquestral, que nos fazem viajar por vários tipos de emoções, num padrão sempre em evolução e crescendo.
Deixa de ser "apenas" mais um disco para se transformar em algo com potencial de seminal a nível artístico, pelo modo como conjuga os nossos as reacções musicas e emocionais ao longo do disco, levando-nos a sensações extremadas em relação à música que ouvimos.
Importante ouvir tendo em vista um mais amplo conhecimento do potencial criativo da música...

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Nick Cave - Do Best...

Nick Cave and the Bad Seeds - Tender Prey (1988)


Provavelmente um dos melhores álbuns do século, que entra para a história por ser o mais marcante da atitude "Nick Cave". Sombrio quanto baste, profundo, mas direto e humanista, este quinto disco de Nick Cave and the Bad Seeds, e o meu favorito, ficou conhecido principalmente devido a "The Mercy Seat", embora nunca tenha atingido os principais tops de tabelas internacionais (bom sinal?).
Grande disco!

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Pelo Tempo: "Que Música nos Deu 2011 – Parte I" (2012-01-06)

É até provável que se arranjem umas estatísticas, ao estilo PORDATA e argumentos como “os números não enganam”, como tão demagogicamente o serviço público da RTP 1 tem apresentado nos últimos meses após o Telejornal, mas o que é facto, é que as pessoas não deixam de ouvir e de consumir música. Assim, decidi fazer novamente uma pesquisa pelo que considero as revistas ou sítios mais importantes e significativos da cena musical, de cariz mais popular, deixando assumidamente de lado as vertentes específicas da música, como o heavy metal, jazz ou música clássica.
A nível nacional recorri às tabelas apresentadas pelo Blitz e pela página de música do Sapo, assim como pela mais alternativa Bodyspace. Ao nível internacional as tabelas analisadas foram da Rolling Stone, Billboard, Pitchfoark, New Musical Express e Spin, as maiores referências do jornalismo musical.
Não se trata portanto dos álbuns mais vendidos, nem dos mais emitidos na rádio e televisão, mas provavelmente, segundo os melhores jornalistas musicais do mundo ocidental, os melhores trabalhos do ano. Depois passei uma breve vista de olhos no sítio Metacritic, que faz a recolha estatística a nível mundial das várias tabelas existentes, ou seja, tenta fazer um “top dos topes”, atribuindo um determinado número de pontos por cada primeiro, segundo e terceiro lugar em tabelas musicais.
Assim, a haver um álbum do ano, só poderia ser “Let England Shake”, de PJ Harvey, sendo referenciado em quase todos os topes dos órgãos de comunicação social da área, e em alguns deles como número um. Polly Jean arrasou de novo, mostrando um coração enorme, sempre com uma atitude lutadora.
Estatisticamente, o álbum que apresento em 2º ficou realmente em 3º, mas eu gosto mais dele! Trata-se do disco homónimo dos Bon Iver, para mim o seu melhor trabalho até agora: angelical, fácil de entender e com letras para ouvir várias vezes…
E agora, em 3º, o 2º classificado: “21”, de Adele. Poderoso disco, de grande impacto comercial, acabando de vez com as comparações iniciais a Amy Winehouse. Som profundo, num piano pesado e sofredor.
A seguir, destaque para o segundo álbum dos tUnE-yArDs, “w h o ki l l”, banda e disco com nomes estilizados, que antecipam a intensidade e criatividade do projeto, misturando folk, funk, afro-pop e rock, apoiados na poderosa voz de Merrill Garbus. Gostei, mas tenho que ouvir mais.
No trabalho de St. Vincent, “Strange Mercy”, vem ao de cima toda a poética e criatividade de Annie Clark, onde com uma bela voz e uma melodia quase inocente, nos conta pesadas histórias de amor, dor e confusão.
(Continua…)

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Laurel Halo - uma quarentena criativa...

Laurel Halo -  Quarantine (2012)

Mais um excelente trabalho de Halo, que passeia por várias sonoridades e ambientes, quase como uma académica, uma curiosa, oferecendo-nos verdadeiras canções Pop contemporâneas.
Muito som havemos de receber desta artista. Belo Disco!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Depois do Cão, o Monstro (Ornatos)!

Ornatos Violeta - O Monstro Precisa de Amigos (1999)

Este foi o segundo, e último, álbum dos super-referenciados Ornatos Violeta, em 1999, que contou com as magníficas participações especiais de Vítor Espadinha, dos Corvos e do vocalista do Violent Femmes, com os temas que ficaram para a história da música portuguesa, como "Ouvi Dizer", "Capitão Romance" ou "Chaga", assim como marcando um estilo próprio, de suave agressividade...
Um dos melhores álbuns da história da música portuguesa, ganhou inclusive o prémio Blitz 1999, mas mais do que isso, tornou-se numa referência para dezenas ou centenas de jovens músicos portugueses, e viria a reflectir-se em muitos trabalhos futuros.
Mesmo Bom.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Bryan Ferry, doce regresso

Bryan Ferry - Olympia (2010)

Novo trabalho do "velho" Bryan Ferry, onde colabora com outros músicos de enorme referência (como Brian Eno ou David Gilmour), ou como Kate Moss na bela capa, inspirada por uma tela de Manet.
O som, esse é Ferry a todo o vapor, naquela melancolia com toques de Leonard Cohen e algumas reminiscências a Roxy Music, mas numa poética e lírica típicas do cantor.

quinta-feira, 14 de março de 2013

jets to brazil: classe e criatividade

Jets to Brazil - Orange Rhyming Dictionary (1998)

Este foi o álbum de estreia dos aparentemente desaparecidos Jets to Brazil, com o particular aspeto do seu título ser um trocadilho sobre a língua inglesa, pois não existem palavras que rimem com laranja (orange...). 
Com um som suave, por vezes com umas guitarradas rasgadas (à la Nirvana), contém belas músicas com histórias profundas.
Desde 2002 que nunca mais gravaram juntos, tendo os seus membros seguido vários projetos, desde doutoramentos em Língua Inglesa (nota-se...) até a criação de outras bandas (como os Forgetters).
Para mim, este continua a ser o seu melhor trabalho, assim como um disco muito significativo do rock de cariz mais "emocional", vertente muito popular na cena universitária dos anos 90 nos EUA.
Altamente recomendado!

quarta-feira, 13 de março de 2013

Pelo Tempo: "Rica sexta-feira" (2011-11-05)


No passado dia 21 de Outubro, em plena transição de estações, reuniu-se na Carmina Galeria uma curiosa trilogia artística terceirense. Inserido no lançamento do primeiro livro da nova coleção LABJOVEM, da autoria de Rui de Sousa, ocorreu um concerto de João Félix, isto tudo sob o auspício da exposição de escultura de Maria Ana Simões.
E comecemos pelo evento principal da noite, pois para todo o efeito, esta sinergia origina do lançamento do livro “Adeus Amanhã”, do jovem terceirense Rui de Sousa. Que seja o primeiro de muitos.
Trata-se do primeiro livro da agora apresentada Coleção LABJOVEM Literatura, pela Direção Regional da Cultura, em parceria com a Associação Cultural Burra de Milho, onde serão editadas as obras dos autores selecionados do concurso com o mesmo nome, que visa dar a conhecer os jovens criadores da região. Foi também apresentado no sábado seguinte, na galeria Arco 8, em Ponta Delgada, contando com a atuação de Emanuel Paquete, outro selecionado do referido concurso.
Como afirmou o autor, ao tratar-se de uma primeira obra, é claramente autobiográfica. É de facto uma viagem de regresso à ilha, pesando os prós e os contras da nossa dimensão, viajando por questões morais, como o peso que damos à opinião dos outros, polvilhado ocasionalmente com verdadeiras pérolas poéticas, numa narrativa com uma construção moderna.
Em complemento à apresentação do livro, João Félix apresentou 10 canções do seu forte reportório, num íntimo concerto para cerca de 40 pessoas. Sólido e emotivo, as suas palavras tem de facto muito poder, e em inglês – imagine-se como será em português… Encontra-se muito maduro, pronto para efetivar o seu trabalho em estúdio. Espera-se que para breve.
É um trovador, e as referências a Nick Drake e a música dos The Smiths a acabar relembram o seu eclético conhecimento musical. Um concerto melancólico, com temas escritos em fases distintas, mas com uma sequência e ligação bem pensada.
A completar, e de certa maneira, a servir de anfitriã, estava a exposição de escultura “Metamorfose”, de Maria Ana Simões, mais uma jovem artista terceirense. Estudou Escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade Nova de Lisboa, com uma passagem por Itália inserida no programa Erasmus (intercâmbio estudantil), tendo ainda frequentado o mestrado em Ensino de Artes Visuais novamente na Universidade Nova de Lisboa.
Se a formação académica impressiona, mais ainda destaca o valor desta artista os locais por onde já passou, em diversas exposições individuais e coletivas, entre Angra do Heroísmo, Sacavém, Lisboa, Nova Iorque ou Florença.
Pessoalmente, foi a novidade da noite, pois já tinha ouvido falar do seu trabalho, mas não o conhecia “ao vivo”, tendo sido uma boa surpresa, demonstrando um trabalho muito laborioso, com uma intenção bastante clara e específica.
Demonstra acima de tudo experiência, sensibilidade e muito trabalho com os materiais em questão (madeira, pedra e ferro). Realça-se também, como refere a artista, a fragilidade de alguns trabalhos, em busca de respostas emocionalmente distantes.
Após a bem sucedida inauguração no passado dia 15 de outubro, a exposição encontra-se patente até ao próximo dia 27 de novembro. Não deixe os dias passar e vá o mais rapidamente possível.
Para concluir todo este otimismo, pois existe de facto uma incrível geração de jovens artistas na região, é de realçar o trabalho da Carmina Galeria, objeto da dedicação do Dr. Dimas Simas Lopes, assim como da restante equipa da galeria, e ainda o trabalho da Burra de Milho, não deixando adormecer a ideia de que podemos ter uma melhor sociedade com base na fruição e atividade artística.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O Disco do Ano (2012)

Kendrick Lamar - Good_kid,_m.A.A.d_city (2012)

Este é um dos melhores discos do ano, aliás, terá mesmo sido o disco preferido na maioria das revistas e sites de música da Europa e Estados Unidos, e mesmo tendo obtido boas vendas, não estamos a falar de um êxito comercial ao nível de Aguilera ou Madonna.
Aliás, nos últimos anos tem sido comum a escolha do álbum do ano numa área musical que pode ser inserida entre o Hip-Hop, Rap e Songwriter/Soul, ou seja, muita poesia, com um ritmo sentido... como foi o caso de Jay-Z ou Kanye West, óbvias referências para Lamar, assim como Eminem e Tupac (mais crus, menos polidos).
Kendrick Lamar nasceu em 1987, e este é apenas o seu segundo álbum, mas o que tem qualidade destaca-se logo, e em todos os aspetos, senão vejamos a própria capa do disco, com uma "dureza" e realismo representativos de uma estética bastante contemporânea - bom gosto!
Com uma atmosfera recheada de ritmos suaves e subtis, suaves e melódicas vozes de segundo plano, sobrepondo-se às palavras, e ainda um piano de fundo que envolve toda a música com um toque muito inteligente, é um disco que demonstra uma maturidade incrível.
A nível de conteúdo, trata-se de uma narrativa (não linear) da adolescência do cantor, na sua terra natal, uma pequena cidade californiana, onde analisa os efeitos da comunidade nos seus amigos e família, abordando questões como a violência policial, os gangues ou a educação.
Isto não é "apenas Rap", este disco é uma grande peça artística, com uma contemporaneidade óbvia, sem elitismos nem escolas, apenas emoção!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Poderoso Soul - O. V. Wright


O. V. Wright (1939-1980)

Hoje, em vez de um álbum, uma personalidade. 
Totalmente desconhecida para mim até à umas semanas atrás (obrigado André Chedas), e talvez para muitos, mesmo os ávidos conhecedores de música.
O. V. Wright (1939-1980) foi um cantor norte-americano, considerado um dos mais importantes artistas do chamado "Southern Soul" (Soul do Sul), com alguns êxitos musicais, mas destacando-se pela sua intensidade, originalidade e peculiaridade, o que distingue os grandes artistas.
Morreu em 1980, com problemas de coração, causados por uso continuado de drogas, que fragilizaram a sua saúde terrivelmente, com apenas 41 anos de idade, deixando no entanto um legado impressionante, infelizmente pouco conhecido e divulgado.
Acaba atualmente por ser reutilizado por muitos produtores da cena soul e hip-hop, assim como alguns "diggers", devido à sua incendiária inspiração, numa voz tão clássica quanto o sul dos Estados Unidos...
Emocionou-me a sua história, e impressionou-me o seu som...


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Brilhante Tame Impala

Tame Impala - Lonerism (2012)

Grande destaque no meu tempo de antena, este fantástico e criativo disco dos Tame Impala. Faz-me lembrar tanta coisa, tanta referência musical, dos Beatles aos Flaming Lips, para dar um ar...
Este génio australiano, Kevin Parker, oferece-nos um Pop Contemporâneo, baseado em teclado eletrónico, viajando das melodias mais tradicionais às mais psicadélicas (no bom sentido, o dos sonhos...). Cabe a Dave Fridmann a mistura digital dos vários ambientes e espaços que nos apresentam o disco, de cariz mais experimentalista.
Então: criativo, tradicional, melódico e espacial... mais ou menos algo do género - brilhante!

PS. Ainda por cima era o CD que estava a ouvir no carro durante a melhor fase da minha vida (as últimas três semanas...)