Mostrar mensagens com a etiqueta Artigos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Artigos. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Takeshi Kitano – Nunca Digas Banzai! (2010-12)


Conheci-o como actor, depois realizador, e agora percebo-o como provocador que é. “Beat” Takeshi Kitano, do Japão para o Mundo a uma velocidade televisiva!
A meio dos anos 90, não havia sábado à tarde que não perdesse uma boa hora ou duas a ver o programa “Nunca Digas Banzai”, que chegou a emitir na RTP1 uns anos antes e posteriormente, já na era TV Cabo, na SIC Radical.
De nome original “Takeshi’s Castle”, constava de um concurso televisivo japonês, onde inicialmente mais de uma centena de concorrentes iriam tentar chegar a uma batalha final para conquistar o castelo de um conde maluco, representado por Takeshi Kitano.
No entretanto, em várias provas a eliminar, a gargalhada originava lágrima quase certa: desde os labirintos cujas portas terminavam em banhos de lama, ou as fossas que tinham que ser ultrapassadas por uma corda, o prazer de ver os nossos amigos nipónicos a tentarem cometer proezas físicas quase impossíveis era do melhor que um sábado à tarde em casa nos podia providenciar!
Os comentários, por curiosidade, eram feitos pelos jovens José Carlos Malato e Ana Lamy, e nem ligavam muito ao que se ia passando no concurso, mas sim gozando com as expressões, palavras e, acima de tudo, “figuras” que os concorrentes faziam.
Mas a verdadeira história por trás deste artigo é a exposição “Gosse de Peintre”, que se realizou este ano entre Março e Setembro, na Fundação Cartier, em Paris. Não fui, nem estive lá perto. Mas bendita internet e comunicação social portuguesa, que nos permitem viajar e sonhar sentados no conforto da nossa casa.
Esta foi a primeira exposição de Takeshi Kitano, o maluco apresentador do programa “Nunca Digas Banzai”, e logo uma das mais ambiciosas da Fundação Cartier, segundo a sua administração. Embora comunicando directamente com os adultos, foi desenhada para levar a sério as crianças, convidando-as a pensar e a sonhar, juntando-se assim à exposição.
Como disse o próprio autor, “com esta exibição, tentei expandir a definição de «arte», torná-la menos convencional, menos snob, mais casual e acessível a todos.”
Criada inteiramente por Takeshi Kitano, especificamente para aquele espaço, é composta por pinturas, vídeos, esculturas e máquinas fantásticas, associado a um certo cliché que existe sobre a cultura japonesa.
Com um forte cariz autobiográfico, esta exposição prima pela ideia de subversão que faz de uma exposição “normal”, ou seja, transforma um museu em parque de diversões, convidando o visitante a interagir e participar – algo que muitos tentam, mas poucos conseguem.
Enquanto criança, Kitano ajudava o pai, que era pintor, sendo gozado pelos seus colegas de classe média japonesa, que o chamavam de “filho de pintor”, o que considerava uma grande ofensa. Agora, na sua primeira exposição, vinga-se desses tempos, intitulando a exposição de “Gosse de Peintre”, literalmente “filho de pintor”. Já num dos seus filmes mais populares em Portugal, “O Verão de Kikujiro” (1999), a infância é o tema retratado, numa perspectiva muito humana e poética, sempre acompanhada de humor.
Realizador, actor, apresentador de televisão, comediante, pintor e escritor, Takeshi Kitano tem de facto uma personalidade singular. Famoso no mundo ocidental pelos filmes que tem realizado, é uma estrela popular da televisão japonesa.
Muito do seu trabalho cinematográfico inicial recai sobre a máfia japonesa, a Yakuza, com cenas demasiado longas onde nada acontecia, ou cenas que terminavam repentinamente e muito violentas.
Com cerca de 15 filmes realizados entre 1989 e 2010, muitos dos quais também escritos, montados e protagonizados pelo próprio, os destaques vão certamente para “Fireworks” (1997), “Dolls” (2002) e “Achiles and the Tortoise” (2008), tendo já ganho vários prémios nos principais festivais de cinema por todo o mundo. Recentemente estreou o último filme, “Outrage”, durante o Festival de Cannes de 2010.
Mas a sua verdadeira faceta de estrelato é enquanto apresentador de televisão no Japão, com outros concursos e séries de comédia de enorme sucesso depois de “Takeshi’s Castle”.
Takeshi Kitano já foi considerado por alguma crítica japonesa como o verdadeiro sucessor de Akiro Kurosawa, o mais famoso realizador de cinema japonês de sempre. Ainda arranja tempo para dar aulas na Universidade de Artes de Tóquio, dirige uma agência de talentos, assim como um festival internacional de cinema, o “Tokyo Filmex”.
Um exemplo destes dá-nos vontade de levantar da cadeira e produzir qualquer coisa, intervir de qualquer modo, e de preferência, fazer qualquer tipo de alteração na nossa sociedade.

in Jornal Feedback 100%, Dezembro de 2010

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Arte e intervenção social (2010-12-23)

Uma vez por mês a empresa municipal Culturangra organiza uma sessão de cinema com o intuito de provocar um espaço de discussão e conversa sobre temas actuais, na área da cultura, ambiente ou sociedade.
No fim do mês de Novembro realizou-se uma sessão com a exibição do filme “Um Sonho Impossível” (“The Blind Side” no original em inglês), que conta a história de um jovem atleta de futebol americano e da família que o apoiou. O filme baseia-se então na incrível história de vida do jovem Michael Oher, assim como da atitude assertiva e vencedora da mulher de negócios Leigh Anne Tuhoy.
Enquanto filme, “Um Sonho Impossível” é relativamente insípido, simples e sem grande profundidade, com um tradicional “fim feliz” como tão bem Hollywood nos habituou – reconfortante para a alma. Deu o Óscar de melhor actriz a Sandra Bullock, provavelmente pela carreira mais do que por este papel, mas são as politiquices na indústria cinematográfica – enfim, o filme estava destinado a ser dominado pela presença da actriz, o que não tira valor ao cerne da questão.
Baseado numa história verídica, temos Michael Oher (representado pelo desconhecido Quinton Aaron), um jovem afro-americano de 17 anos, que andou por várias famílias de acolhimento, sendo originário de um ambiente muito hostil, com pais alcoólicos e toxicodependentes e mais 12 irmãos. Devido ao seu grande atleticismo, e à amizade de um vizinho, consegue entrar para uma boa escola, fazendo valer os seus 1,93 metros e 140 quilos!
Sempre dormindo em casa de amigos, ou procurando abrigo em locais quentes, chegando por vezes a ficar ao relento, chama a atenção de Leigh Anne Tuhoy, típica senhora rica de famílias aristocráticas sulistas, que lhe dá guarida, e acima de tudo, companhia, carinho e estímulo.
Posteriormente, e após se ter criado uma rápida relação com todos os elementos da família, decidem tornar-se guardiões legais de Michael, ajudando-o na escola e iniciando-o no futebol americano, desporto de grande impacto nos Estados Unidos. Com todo o apoio e ajuda da família, integração escolar e uma visão de futuro, Michael tornou-se um grande jogador, tendo seguido uma brilhante carreira universitária, e sendo actualmente um dos melhores jogadores profissionais de futebol americano.
Mas lá aparece finalmente a questão, pois tendo tido críticas mistas, e mesmo tendo atingido um interessante valor de receitas de bilheteira de 250 milhões de dólares americanos, não será um filme a recordar. Marcante é de facto a história que nos dá a conhecer, sem esquecer a importante postura pela família que acolheu Michael, numa sociedade fortemente conservadora e racista, a capacidade de sobrevivência de uma criança a tanta provação.
Utiliza-se actualmente um termo, originário da Física, que acho que se enquadra perfeitamente no que pretendo destacar: resiliência. A psicologia impregnou esse termo de um valor emotivo muito curioso, apresentando-o como a “capacidade de um indivíduo lidar com problemas, superara obstáculos ou resistir á pressão de situações adversas, sem entrar em surto psicológico”, como nos aparece explicado no sítio da Wikipedia. É de facto incrível o que aquele jovem passou durante a sua breve vida, como muitas outras crianças em todo o mundo, e se de facto nos sensibiliza a existência de tanta desgraça, deve-nos impressionar a capacidade e resistência existentes nesses pequenos corações.
Assim, e mesmo sem ser um grande exemplar criativo, temos a arte a transmitir uma mensagem de esperança e crença no futuro, tendo por base a solidariedade e coragem humana.
Outra abordagem a temáticas de cariz social surge em dois eventos a decorrer na ilha Terceira, numa organização da Associação Cultural Burra de Milho, promovida pela Direcção Regional de Igualdade de Oportunidades: o ciclo de cinema “Exclusão Social” e a exposição de pintura e literatura “Palavras Pintadas – a violência nas mulheres”.
O ciclo de cinema, de cariz documental, decorre no Auditório Ramo Grande, entre 27 de Novembro e 11 de Dezembro, e apresenta filmes subordinados à temática da Pobreza e da Exclusão Social, segundo diversos olhares e perspectivas, distribuídos por três Sábados, pelas 18h00, sendo que o destaque vai para a apresentação do documentário “Lisboetas”, pelas 21h00 do dia 11. De destacar também a colaboração do programa Europe Direct, que contribui com a cedência de várias curtas-metragens sobre a temática, a exibir antes das longas-metragens.
Em relação à exposição, que se baseia no mesmo protocolo assinado entre as entidades referidas, e como forma de assinalar o Dia Internacional da Erradicação da Violência contra as Mulheres, resulta de um trabalho conjunto entre a escritora Sónia Bettencourt e a artista plástica Phillipa Cardoso. A exposição foi inaugurada no dia 25 de Novembro, na Academia de Juventude da Ilha Terceira, e encontra-se patente até ao dia 31 de Dezembro.
Aqui fica um exemplo claro da importância do papel da arte e da criatividade no desenvolvimento da nossa sociedade, por vezes relegada a um papel de pouca importância em tempos de crise, mas um verdadeiro sustentáculo da coragem humana!

in Diário Insular, 2010-12-23



quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Angra Rocks! (2010-11-25)


É já conhecida a propensão para os Açores gerarem artistas com uma criatividade muito interessante. Temos agora mais dois casos, desta vez na música: João Félix e Flávio Cristóvam.
Ainda me recordo da primeira vez que me falaram de um jovem terceirense “com a sensibilidade musical de um Jeff Buckley”! Fiquei admirado e curioso, pois como grande fã deste prodigioso artista e um apaixonado pela minha terra, fiquei muito satisfeito com a possibilidade, embora hesitante.
Depois de o ver cantar pela primeira vez e de ler alguns dos seus poemas, percebi que a comparação estava curiosamente correcta, embora João Félix seja um artista completamente diferente de Buckley, como de muitos outros que certamente o terão influenciado.
O mais interessante é a sua sensibilidade, não só apenas nas letras, mas na composição das músicas e no modo como as canta. E o mais surpreendente era a sua idade: 18 anos! A minha curiosidade aumentou de nível, até ao agradável momento em que descobri que era neto de um dos maiores poetas açorianos de sempre, Emanuel Félix. Se filho de peixe sabe nadar, então neto sabe voar! Aconselho vivamente a acompanharem a carreira deste jovem artista terceirense (www.myspace.com/jooflix), pois trata-se de um caso raro de qualidade, com um estilo que se pode intitular de “cantautor” e com canções muito poéticas, onde a letra tem de facto importância, embora em inglês, e demonstrando um grande conhecimento literário e artístico, com referências musicais variadas, desde os Beatles a Elliot Smith, passando pelo referido Jeff Buckley e Nick Drake, e, concluindo, com uma atitude aparentemente independente, sem pressões nem objectivos puramente comerciais.
Outro caso com muito potencial é Flávio Cristóvam, também jovem músico terceirense, tendo-se iniciado a solo, mas neste momento acompanhado pelos The Jamadizen, compostos por Timothy Lima (guitarra e segunda voz), Raul Cardoso (baixo) e João Mendes (bateria). Despontam para o conhecimento público com a vitória do concurso Angra Rock em 2009, tocando depois ao longo do ano com vários artistas de referência, como é o caso dos Da Weasel.
Em Dezembro do mesmo ano ganham o prémio “Ones to Watch” para Portugal, promovido pela Vodafone e o MySpace, apontando-os como uma jovem banda com futuro no panorama europeu.
Em 2010 continua o sucesso a ser reconhecido, sendo seleccionados para o concurso LabJovem, e realizando uma pequena tournée pelos Estados Unidos da América. Voltam às Sanjoaninas e passam ainda pelo Festival Maré de Agosto, em Santa Maria. Para concluir esta maratona de prémios e reconhecimentos, em Agosto de 2010, Flávio Cristóvam foi finalista do Concurso “UK Songwritting Contest”, onde entre mais de 5000 músicos, conseguiu colocar uma canção sua em 8º lugar!
Neste momento gravam o seu primeiro álbum, a sair em Maio de 2011, intitulado “The Closing Doors”, enquanto esperam por uma boa proposta de uma editora. Podem ver o seu trabalho em www.myspace.com/flaviocristovam.
Assim como João Félix, transpira qualidade, com referências musicais que são reflexo dos nossos tempos, ou seja, de uma sociedade globalizada e informada, mencionando nomes como John Mayer, Dave Matthews Band ou Ryan Adams.
Com um som que se poderá de “catalogar” de Power Pop, tem também resquícios de Folk e Indie Rock, fazendo lembrar uma mistura de Bob Dylan com Ben Harper, mas com uma sensibilidade atlântica. Acima de tudo demonstra uma equilibrada mistura de criatividade e maturidade, tendo em conta a idade dos elementos, num Rock com origens nas mais puras tradições norte-americanas.
Desde a sua formação tocam apenas originais, também cantados em inglês, com uma imagem e mentalidade forte e decidida, que se reflecte nas suas letras e na sua atitude, como foi a iniciativa de, juntamente com os Fala Quem Sabe, terem organizado um evento de angariação de fundos para as vítimas das cheias na Agualva, no Teatro Angrense. Pessoalmente fico apenas à espera de alguns temas cantados em português, mas o futuro promete certamente!

PS. Até coincide com o sucesso do novo projecto de Flávio Cristóvam (http://www.facebook.com/octoberflight).

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Os Simpsons, segundo Bansky (2010-11-12)

Há mais de vinte anos que a maluca família dos Simpsons nos entra pela casa dentro, numa bem conseguida paródia satírica do estilo de vida da classe média nos Estados Unidos da América, assim como de vários aspectos da condição humana.
Sobreviveu todo esse período, com os normais altos e baixos de um programa de televisão, críticas de perca de qualidade, mas sempre mantendo uma irreverência que é a sua identidade, como afirmam os próprios criadores, admitindo ser um espaço de comédia arriscada, mas nunca pessoal, apenas com piada!
E foi nesse espírito que pela primeira vez convidaram alguém externo à equipa para desenhar uma sequência completa da abertura do programa, e quem melhor do que o jovem e também irreverente artista inglês de graffiti Bansky. Este, com total liberdade por parte dos editores, resolveu criar uma forte crítica aos supostos métodos de trabalho das grandes empresas norte-americanas, mostrando imagens animadas de trabalhadores asiáticos, presos numa cave húmida, fazendo filmes, brinquedos e DVD’s da marca Simpsons.
A sequência termina, como sempre, com a família a sentar-se no sofá da sala, onde vai começar a assistir à sua própria série, que sempre foi considerado pelos escritores dos Simpsons como mais uma oportunidade para inserir uma piada.
Esta transmissão causou imediatamente muito furor e muito se escreveu nos órgãos de comunicação social de todo o mundo, sobre um assunto já muito denunciado, mas ainda real – a utilização de mão-de-obra infantil e praticamente escravizada nos países do terceiro mundo.
E o artista em questão? Também já ele alvo de várias tentativas de processos judiciais, o que não tem sido possível, pois ninguém sabe a sua verdadeira identidade, Bansky é artista e criador de graffiti britânico, e tem vindo a conquistar grande sucesso nos últimos anos, fazendo trabalhos em stencil (tinta em spray por cima de molde em cartão) pelas ruas da cidade de Bristol e Londres.
Para todos os efeitos, e devido ao cariz interventivo do seu trabalho, é também um activista político, baseando a sua satírica arte em análise da sociedade actual. Expulso da escola aos 14 anos de idade, esteve também preso por pequenos delitos, mas sempre tem conseguido manter a sua identidade secreta, sempre com uma capuz sobre a cabeça e cara tapada.
Em 2006 vendeu um trabalho à cantora norte-americana Christina Aguilera de uma imagem da Rainha Vitória com uma “atitude” lésbica por 28 mil euros, e em Fevereiro de 2007, vendeu o trabalho “Bombing Middle England” por 113 mil euros num leilão na Sotheby de Londres – impressionante para um artista de rua!
Além de cinco livros editados em nome próprio e já três obras sobre ele, lançou ainda este ano um documentário relacionado com os graffiti, intitulado “Exit Through the Gift Shop”, que tem tido excelentes críticas, sendo naturalmente polémico e independente na sua realização e transmissão de ideias.
E em 2010 encontra os Simpsons.



PS. I Lova Bansky



quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Cinema e Vídeo nas Ilhas (2010-11-04)


Foram oito os seleccionados para a categoria de Vídeo do Concurso LabJovem, todos com um nível de criatividade muito interessante, e com a originalidade e irreverência típica dos mais jovens. Sem querer destacar em particular nenhum dos filmes, importa referir que os registos vão desde uma pesada abordagem poética com origem nos pensadores romanos, passando por videoclips de artistas também açorianos até registos mais juvenis e pedagógicos.
Dos oito seleccionados, será justo realçar o 1º classificado, neste feliz caso, uma representante do sexo feminino. Kara Miranda Lawrence nasceu em 1984 no Canadá, descendente de açorianos, especializou-se em cinema de animação, como nos mostra neste concurso com a curta-metragem “Oriana”. Trata-se de uma doce viagem de uma pequena fada, que passa por um mau bocado por não ter cumprido certas regras, mas o melhor é mesmo ver o vídeo, disponível, como todos os outros, entre os dias 15 e 21 de Novembro, no site oficial do concurso, www.labjovem.pt.
Esta jovem artista, além da atribuição de uma bolsa de estudo, recebeu ainda a menção LABCOMUNIDADES, destinada aos projectos seleccionados concebidos por descendentes de açorianos até à 3ª geração, uma novidade desta edição do concurso LabJovem. O júri foi novamente constituído por personagens de referência da cena audiovisual portuguesa, nomeadamente Rui Pereira, gestor e programador de cinema, e desde 2003 um dos directores do Festival Internacional IndieLisboa; Paulo Viveiros, Mestre em Ciências da Comunicação e professor da licenciatura de Cinema, Vídeo e Comunicação Multimédia na Universidade Lusófona; e Gonçalo Tocha, artista multifacetado e realizador irreverente, um dos novos valores da cinematografia portuguesa.
Esta semana passada, entre 31 de Outubro e 7 de Novembro, realizou-se o Festival de Curtas das Ilhas – Faial Film Fest 2010, já na sua 6ª edição, sempre aprimorando o seu formato e conteúdo. Tem vindo desde 2008 a “internacionalizar-se”, embora apenas dirigido ao mercado lusófono e das ilhas do Atlântico, mas numa clara perspectiva de expansão, acarretando ao mesmo tempo o factor de internacionalização dos Açores, algo apenas conseguido em igual dimensão pelo AngraJazz ou COFIT.
Este ano foram aceites a concurso 58 filmes, novo recorde, onde se conta com cerca de uma dezena de produções açorianas, com grande destaque para a ilha do Faial, assim como para a presença de filmes de várias origens da lusofonia, como Brasil ou Cabo Verde (ver www.azoresfilmfestival.org).
As áreas a concurso são a ficção, documentário, animação e experimental, e entre as actividades várias paralelas ao evento, é de destacar a homenagem ao realizador português Manoel de Oliveira, onde foi exibido o seu último filme, “Painéis de São Vicente de Fora – Visão Poética”.
Muito foi feito desde 2005, com a então “1ª Mostra de Filmes Produzidos no Faial”, num entusiasta e dinâmico trabalho feito pelo Cine Clube da Horta, pois apenas com muita dedicação, paixão e tempo se consegue criar um evento assim tão prestigiante para a região. Parabéns à organização!
Para finalizar este pequeno passeio pelas imagens em movimento das nossas ilhas, deve se congratular também a direcção do 9500 Cineclube, em Ponta Delgada, que tem vindo a apresentar uma programação de cinema com muita qualidade e, acima de tudo, com muito cuidado da sua escolha, divulgação e explicação.
Novamente com um grupo de pessoas muito apaixonadas e conhecedoras, trata-se de uma associação cultural sem fins lucrativos que tem como principal objectivo uma intervenção sistemática no âmbito do cinema (e não só), promovendo também actividades paralelas, como formação ou debates.
Destaque para as recentes organizações do Ciclo de Artes Plásticas, Ciclo de Cinema no Feminino e Novo Cinema Holandês, entre outras, que possibilitam aos açorianos em geral, e aos micaelenses em particular, assistirem a cinematografias às quais não teriam hipótese nos sistemas regulares de exibição (ver mais em www.9500cineclube.blogspot.com).
Os Açores sempre foram uma região com uma grande paixão pelo cinema, com altos e baixos como todas as áreas. Utilizando a recente metáfora de Mário Soares em relação aos políticos portugueses e ao vinho, pode-se dizer que nos Açores tivemos este ano uma excelente colheita!

Nota: passou-se mais um ano, cheios de sucesso pelas respectivas organizações. Um bom sinal de continuidade e de qualidade.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A crise, o vulcão e a música (2010-10-05)

Da Islândia não nos vem apenas a crise e o vulcão (assim como uma vitória da selecção), mas acima de tudo música!
Trata-se de um país com uma população de 320 mil habitantes, quase a mesma que nos Açores, embora com uma área maior do que Portugal Continental (cerca de 100 mil quilómetros quadrados). Aliás, e sem juízos de qualquer tipo, as poucas semelhanças que existem connosco resumem-se ao facto de ser uma ilha, aos seus muitos fiordes (tipo fajãs) e a vários sítios de cariz geotérmico (tipo furnas). Enquanto sociedade, são extremamente liberais, com uma das mais altas taxas de literacia do mundo (99%), auto-suficientes e independentes – toda a electricidade é fornecida através de energias renováveis, como a geotermal ou a hidráulica!
A nível musical, possuem uma tradição baseada em canções folclóricas sobre amor, duendes e marinheiros, que manteve certas características desaparecidas em outros países nórdicos. O destaque vai para um tipo de canção, chamada “hákveöa”, que se refere a um especial ênfase dada a certas sílabas das palavras que compõem as letras, assim como existem muitas canções “à capela”, originárias ainda dos tempos dos Vikings. Para a actualidade parece ter subsistido esse aspecto contemplativo e abstracto, com paisagens muito extensas, gelo a perder de vista, muito monótono…
Com um destaque óbvio para a artista Björk, considerada mesmo a islandesa mais famosa do mundo, existem outras referências musicais internacionais deste pequeno país, como os míticos The Sugarcubes, os Sigur Rós e a recente sensação Emiliana Torrini.
Se nos Sigur Rós conseguimos claramente personificar a imagem apresentada da cultura islandesa, produzindo um som hipnótico, de cariz sensorial e angélico, já com os The Sugarcubes temos o oposto, com um rock irreverente e energético, que contava com a voz de Björk para congregar tudo. Mesmo tendo a banda terminado em 1992, deixaram um grande legado e influência a bandas de todo o mundo. Por outro lado Emiliana Torrini, sensual e elegante, consegue ter uma linguagem actual, com uma base electrónica, nitidamente influenciada por outras bandas islandesas menos conhecidas, mas de grande importância para o cenário actual como os GusGus ou os Múm.
A cena “indie” é muito forte na Islândia, talvez por ser apenas uma moda, talvez pelos vários exemplos de sucesso, talvez por uma característica identitária com base no seu isolamento e solidão, quem sabe… Mas nestes últimos anos deu-se um grande desenvolvimento da música na Islândia, quer a nível comercial, quer a nível alternativo, devido sem dúvida a bandas que atingiram um certo estrelado como os já referidos GusGus, ou então o caso dos The Funerals ou Ólafur Arnalds, para o que tem fortemente contribuído o “Icelandic Airwaves”, um festival internacional anual, realizado nos vários clubes da capital Reiquiavique.
Mas o que de facto é impressionante, e que me levou a escrever este artigo é a quantidade de bandas musicais existentes no país, das mais variadas áreas, e acima de tudo, com grande qualidade. Num país com a mesma população de que os Açores, embora num contexto geográfico e histórico completamente diferente, conseguem apresentar garantidamente mais de 50 bandas já com alguma dimensão, para não falar nas centenas de bandas que existem nos liceus, universidades e clubes desta gelada ilha.
Aqui ficam alguns exemplos de qualidade e de relativo sucesso: Apparat Organ Quartet, FM Belfast, Amiina, For a Minor Reflection, Strafraenn Hákon, Daníel Ágúst, Einar Orn, Jóhann Jóhannsson, Jónsi & Alex, Sin Fang Bous, Óllöf Arnalds e Steindor Andersen.
Que a seguir à crise, ao vulcão e à vitória portuguesa, usufrua de uma boa audição de música islandesa!


Nota: na altura já sonhávamos com a ida da selecção ao Europeu, assim como com o fim da crise...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Trémulo e Rouco cantando as Trevas e o Amor.


Quando o mote é cultura são vários os temas que anseio por abordar, como o próprio conceito de arte, questões sobre o património intangível ou a crítica artística um festival de artes realizado recentemente. Mas desta vez não tive hipótese de escolha, devido principalmente à proximidade do momento em questão: o último concerto a que assisti.
Infelizmente não se realizou na região, forçando mesmo a minha deslocação a Lisboa, onde, sem saber bem como, no passado dia 5 de Abril, estava sentado numa mesa no Cabaret Maxime, à espera de ver e ouvir Bonnie ‘Prince’ Billy.
Este incrível performer, que se afigura como algo entre um místico e efémero trovador e um animal de palco, atingiu momentos de uma intensidade lírica brutal, assemelhando-se a uma inocente criança, que por vezes nos transmite a mais dolorosa verdade sobre a vida.
Parece estranho alguém deslocar-se a Lisboa, num dia de semana, para ver um concerto numa antiga “casa de meninas”, e ainda por cima de um artista que ninguém conhece! O único contra-argumento lógico que tenho é o seguinte: é o Bonnie!
De seu nome Will Oldham, nascido em Louisville, Kentucky (E.U.A.), a 24 de Dezembro de 1970, qual Messias da música folk contemporânea, é um artista que se encontra entre um rock independente e um country music alternativo.
Já gravou e editou sob vários pseudóminos, como os Palace, Palace Music, Palace Brothers e mais recentemente como Bonnie ‘Prince’ Billy, um nome cheio de referências iconográficas da cultura norte-americana (Bonnie Prince Charlie, Billy the Kid e Nat King Cole), e com o qual se estabeleceu na cena internacional.
Desde 1982 já gravou mais de 15 álbuns e cerca de 45 singles ou EPs, de onde se destacam obrigatoriamente I See Darkness (1999) e Superwolf (2005), este em conjunto com Matt Sweeney.
Todos os seus trabalhos carregam uma forte vertente introspectiva, reflectiva e dolorosamente melódica. Um anjo negro do amor, se quisermos… onde todos os sonhos, dificuldades e enigmas mais obscuros são explicados ao pormenor, sem relutância alguma.
Uma prova inegável do seu valor e importância para a música contemporânea norte-americana é o disco tributo de que foi sujeito em 2004, onde artistas de várias áreas musicais se juntaram e gravaram I Am a Cold Rock. I Am Dull Grass, que rapidamente se esgotou.
O último trabalho de Oldham, The Letting Go (2006) – talvez o seu melhor trabalho de sempre – esteve bem patente no concerto, onde, após mais de uma hora e meia, ainda houve tempo para “discos pedidos” por parte do público, e dois magníficos encores.
Dificilmente rotulado ou categorizado, este recente disco pode-se considerar o seu trabalho mais aventureiro e inesperado, com um leve toque de intriga proporcionado pela incrível voz de Dawn McCarthy, vocalista dos Faun Fables, que abriram o concerto outro dia no Maxime.
Will Oldham tem também participado em vários filmes, com destaque para Matewan (1987) ou Junebug (2005). Em 2006 entra em dois filmes que receberam excelentes críticas assim como alguns prémios em vários festivais: Old Joy e The Guatemalan Handshake.


Angra do Heroísmo, 15 de Abril de 2007
Miguel Rosa Costa


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Samuel, O Menino – Ritmo & Poesia


[Junho de 2007]

Na terça-feira passada (péssimo dia para se trabalhar no seguinte), e inserido na programação das Sanjoaninas 2007, decorreu o espectáculo musical com Sam the Kid, ou seja, Samuel Martins Torres Santiago Mira: natural de Lisboa (1979), cresceu em Chelas, onde aos 14 se identificou com a sonoridade e a atitude do hip-hop, tornando-se rapidamente num conhecido MC (“Master of Cerimony” – mestre de cerimónia). Aos 17 anos, com outros três MC's seus amigos, fundou os Official Nasty. Gravaram uma maqueta caseira e enviaram-na para um programa de rádio, primeiro passo para um espectáculo de estreia, no Liceu D. Dinis, em Chelas, ainda em 1996.
Os Official Nasty separam-se pouco depois, mas para Samuel a opção estava tomada: a música era o seu caminho. E é como Sam the Kid que começa a apresentar-se em numerosos palcos, produzindo e divulgando ainda uma série de gravações caseiras. O primeiro disco surge em 1999: "Entre(tanto)", uma edição de autor. É ainda uma produção artesanal, ou seja, as cópias são produzidas em casa e vendidas na discoteca Godzilla.
Três anos depois surge o segundo álbum, "Sobre(tudo)", a primeira edição comercial, uma vez mais gravada no seu estúdio caseiro. É já um disco mais amadurecido e obtém uma afirmativa resposta do público, originando motivação para a publicação de um CD instrumental a que chamou "Beats Vol. 1 - Amor".
Além de dezenas de participações e colaborações enquanto produtor, o último álbum foi lançado no fim de 2006: "Pratica(mente)". Toda esta produção é ritmo & poesia, a essência e a razão de ser do rap.
O concerto foi repleto daquilo mesmo que Sam representa, num universo urbano de uma grande metrópole, onde a individualidade supera o espírito de grupo e a indiferença é o dia-a-dia.
Mas a música ajuda a viver, e quando ainda por cima se consegue, entre uns “Tá-se Bem” e “Yo Boy”, inserir pérolas de pura emoção humana (por muitos referenciada como poesia…), como por exemplo: “Como é possível quebrar um destino / se eu tenho o meu e cada um tem o seu”. Estas linhas pertencem ao tema “19/12/95”, que aborda questões tão fulcrais como o amor, a adolescência ou o aborto, e foi um dos momentos altos da noite, permitindo inclusive a uma jovem terceirense (suponho!) subir ao palco e acompanhar Sam ao longo de algumas canções.
O concerto acabou rapidamente, contrastando com o intenso apoio ao longo do mesmo. O público dispersou velozmente, talvez por ser dia de semana. A noite continuou com o DJ da banda: DJ Cruzfader.
Boa onda Sanjoaninas 2007!

sábado, 24 de setembro de 2011

Entrudo...


Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007. Queijaria Vaquinha – Cinco Ribeiras.

Arriscando-me a cair na redundância, não resisto a escrever um texto sobre bailinhos de Carnaval, mesmo tendo a certeza que é um tema que agrada a todos, mas sobre o qual já muito foi dito.
Fui arrastado num dia de semana às nove da noite para a fábrica do queijo Vaquinha, nas Cinco Ribeiras. O orgulhoso proprietário, José Cota, decidiu brindar alguns bailinhos de Carnaval com uma parceria interessante: um ensaio em troca de uma noite de convívio e uma farta mesa!
Hoje foi um bailinho da vizinha Santa Bárbara. Mas foram vários os que passaram antes e passarão depois desta data.
Um dos primeiros aspectos a realçar desta singular noite é a baixa idade média dos elementos do referido bailinho. Assim por alto, com uma média de 22 anos. Que me perdoem os mais jovens se estou errado.
Estavam também presentes elementos do renovado e aniversariante Rádio Clube de Angra, que recolheram imagens e sons do ensaio, entrevistando ainda alguns dos seus elementos. Que grande amplitude, a dos bailinhos.
É impressionante pensar em tudo o que se passa em redor de uma dança de Carnaval, mesmo vindo de uma assumido citadino. Todos se entendem: jovens com velhos, homens com mulheres, criando um verdadeiro espírito de harmonia social. Em outros tempos fiz um pequeno trabalho de investigação sobre uma dança de espada, e dediquei-me à busca de conflitos que pudesse ingenuamente explorar. Não existiam colisões de qualquer género, apenas amizade, diversão, sossego.
Provavelmente pela 50ª vez, assistiam ao ensaio os fiéis amigos, mães, primas e namoradas. Embora o bailinho tivesse quase o mesmo número de homens e mulheres, a grande maioria dos “acompanhantes” eram do sexo feminino. Mas é de realçar que a tarefa de “segurar casacos” já não é exclusivamente feminina, como bem me alertou uma certa menina.
Podia, e apetecia-me, escrever sobre aspectos mais técnicos relacionados com as danças do Entrudo, como a perícia do pandeiro, a apresentação ou a despedida, os separadores e a disposição dos dançarinos. Mas não é disso que me apetece escrever hoje.
Sem querer dar o destaque da noite ao bailinho que ontem vi, não consigo deixar de referir um aspecto particular da sua performance: uma declarada interactividade com o público presente, ao recorrer a duas pessoas externas para participarem numa das cenas. Que me perdoem os puristas e os tradicionalistas, mas sem este tipo de inovação estariam em risco também os bailinhos. A renovação da tradição é a sua sobrevivência.
Sem querer também estragar a surpresa para quem tiver a oportunidade de assistir à actuação deste bailinho, não refiro o assunto nem o desenrolar da história, mas saliento vários aspectos, como a juventude de um dos três pandeiros (sendo os outros dois do sexo feminino – nada de novo, felizmente!), o excelente nível de execução instrumental, as afinadas vozes e as divertidas representações.
Além de todas as preocupações científicas/académicas que existem actualmente em relação ao tema do Teatro Popular, existe uma colossal parte de que se fala, mas não se dá a verdadeira importância. Não resisto a referir a muito utilizada metáfora da “ponta do iceberg”, mas é extremamente elucidativo em relação ao que se passa nas danças do Entrudo: o verdadeiro fenómeno por detrás deste movimento acontece durante os outros onze meses do ano. É óbvio que o momento alto, o clímax, é sem dúvida o intenso período de 3, 4 dias em que se percorre a ilha. Mas muito mais se passa durante a escrita e escolha do enredo; a escolha dos artistas e músicos; os ensaios e o decorar das falas; a elaboração das roupas; o convívio.
Por mais que se tente, é muito difícil descrever o ambiente intenso que se sente em redor dos bailinhos, originário do espírito de pertença de quem o acompanha e dos seus elementos – entre os quais não chega a haver verdadeira distinção.
Mesmo em Angra do Heroísmo, urbe de média dimensão (para não utilizar outro termo menos dignificante), já vivemos a uma velocidade que não nos permite ter momentos com a qualidade que o ambiente em torno de um bailinho proporciona. São horas e horas passadas com um grupo heterogéneo, fazendo lembrar histórias de outros tempos, sem televisão, sem ginásios e sem pressas.
Existem muitas questões importantes e interessantes a abordar numa investigação mais cuidada deste magnífico fenómeno. Pode-se mesmo ter uma base bem estruturada em três vertentes fulcrais: a componente musical, a componente da representação e a envolvente sócio-comunitária. Mas isso fica para outra oportunidade.
Muito se discute hoje em dia sobre a importante questão do Património Imaterial, tema muito querido da UNESCO, e felizmente em vias de ser trabalhado mais a sério em Portugal e nos Açores. São vários os exemplos actuais de fenómenos que foram considerados Património Imaterial da Humanidade, como o Carnaval de Oururo (Bolívia) ou os contadores de histórias em Marrocos. Também já existiram projectos relacionados com os Açores que tentaram se inscrever nesse elementar mapa da humanidade. Mas não é necessária tal grandeza institucional ou académica para se perceber qual a importância do imaterial, daquilo que não é palpável, mas que se transmite de geração para geração, como o olhar humedecido de um avô a ver um neto tocar o pandeiro.
E são também todos os outros jovens que um dia querem ser como o mestre ou o actor principal. São também as primeiras trocas de olhares entre rapazes e raparigas, desenvolvendo estratégias, arranjando coragens.
Depois do ensaio, afastadas as pessoas, é altura de voltar a colocar uma mesa no meio da sala, cheia de iguarias retemperadoras, como filhóses, suspiros e o inevitável queijo Vaquinha, tudo oferta do dono da casa. Todos os presentes são convidados a participar do festim. Acompanha-se com algo fresquinho, uns encostam-se ao bar, outros descansam nas cadeiras. Têm início conversas atravessadas, piadas a alta voz, trocares de olhares e o enxovalhar dos entrevistados pela já referida estação de rádio.
Nesta noite, o reduzido mas informado e atento público foi o verdadeiro vencedor, deliciando-se com esta breve antecipação do Carnaval.
Tudo e tanto dito, no fim resume-se essencialmente ao que deveria ser a coisa mais simples da humanidade: a partilha da felicidade.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Aviventar

a.vi.ven.tar 1 - transitivo
Dar nova vida, fortalecer.
Suas narrativas aviventam a imaginação dos jovens leitores.

a.vi.ven.tar 2 - pronominal
Recuperar o ânimo, realentar.

Sinónimos
De 1.1: reavivar
De 2.1: reanimar

Conjugação
Verbo regular da 1.ª conjugação (-ar)

Etimologia
De a- + vivo + -entar.

domingo, 18 de setembro de 2011

O Propósito

Regresso aos blogues (após três anos de interregno), com o sentido de missão de promover as artes e a cultura como componentes fundamentais do desenvolvimento de qualquer sociedade, esteja ela em que estado estiver...
Assim, pretendo postar antigos artigos que tenho vindo a publicar ao longo destes anos em alguns órgãos de comunicação social dos Açores, nomeadamente, Diário Insular, A União, Açoriano Oriental, Diário dos Açores e Feedback 100%.
Aqui ficam.